A “falha” do grupo #PAZNovoHamburgo: não ter levado e cravado a 69ª cruz!

A noite de terça-feira foi marcante no Centro de Novo Hamburgo. Cerca de mil pessoas estiveram reunidas para a caminhada da paz. Um gesto simples, mas de muita representatividade e valor. Centenas de pessoas deixaram seus lares para pedir mais segurança e menos violência.

A caminhada teve início na Praça do Imigrante e foi concluída junto ao Monumento ao Sapateiro, na rótula do Colégio Pio XII. No gramado em frente à obra de arte de Flávio Scholles, o movimento #PAZNovoHamburgo cravou 68 cruzes representando os 68 assassinatos já contabilizados em 2014 no município.

Fazendo uma avaliação de tudo o que aconteceu naquela noite – com centenas de pessoas caminhando tranquilamente pelas ruas de Novo Hamburgo sem qualquer temor ou medo da violência –, concluo que o grupo #PAZNovoHamburgo cometeu uma “falha”: faltou levar a 69ª cruz. Seria o 69º hamburguense assassinado? Não, felizmente.

A 69ª cruz que deveria ter sido cravada no gramado da rótula significaria a morte do posicionamento de alguns políticos e lideranças de Novo Hamburgo que tentam sistematicamente desqualificar e desarticular o movimento. A 69ª representaria o enterro de convicções furadas de quem prefere ver sangue escorrendo a perder o controle, o poder. A 69ª cruz sepultaria o ranço de alguns pseudointelectuais da cidade, acostumados a manobrar massas humanas a partir de gritos inflamados ou frases de efeito, e que estão vendo uma sociedade organizada lutar pela vida sem precisar rastejar ou mendigar apoio.

O movimento #PAZNovoHamburgo não tem meio ano. E tem erros e acertos. Mas já deixou sua marca, porque luta pela vida como um bem maior. Alguém é contra a vida? Nas últimas semanas, descobri que, em Novo Hamburgo, tem alguns políticos, lideranças e pseudointelectuais que não são tão apaixonados pela vida.

O #PAZNovoHamburgo tem respaldo e credibilidade: 37 entidades – algumas centenárias –, que representam direta e indiretamente mais de 50 mil pessoas; mais de 60 mil assinaturas em seu abaixo assinado; e mil pessoas reunidas em uma noite no Centro de Novo Hamburgo. Numa cidade de 240 mil moradores é algo muito forte.

Críticas ao movimento eu mesmo já as fiz e continuo repassando às lideranças. Críticas construtivas. Críticas para aperfeiçoar o movimento. Críticas são necessárias para correções de rumo.

Para que a mensagem alcance com mais força os bairros mais distantes. Agora, aos que insistem com suas manobras ardilosas para enfraquecer, desarticular ou destruir esta mobilização, um recado: estou martelando

aqui em casa a 69ª cruz.

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