Um dos principais atrativos turísticos da cidade de São Paulo – e olha que são centenas! – se chama Beco do Batman. Localizado na Vila Madalena, o local virou endereço de intensa visitação em razão do espírito boêmio da região e, principalmente, pelas intervenções artísticas realizadas no local.
O grafite tem um destaque especial, com dezenas de artistas realizando seus trabalhos que rendem milhares de cliques e selfies. É também um espaço de constante mutação, com a chegada de novos artistas e desenhos.
Com inspiração no Beco do Batman, Novo Hamburgo ganhou o Beco da Mistura.
O local fica na esquina das ruas Pelotas e Teixeira de Freitas, no bairro Rio Branco. Fica a poucos metros do Bourbon Shopping e da rótula do Monumento ao Imigrante.
Embora uma localização “estratégica”, esse quarteirão convive, há anos, com um ambiente degradado, com iluminação fraca, tomado por flanelinhas, moradores de rua e consumidores de drogas. “Já foi pior, mas tem muito pra gente avançar. A intenção é trazer mais movimento a partir do grafite”, explica o artista visual hamburguense Bruno Schilling. Ele é o idealizador do Beco da Mistura.
O nome de Mistura tem relação com a história de Novo Hamburgo. Isso porque, há muitas décadas, os moradores chamavam o atual bairro Rio Branco de Mistura por ter hamburguenses brancos e negros como moradores desta região. Além disso, ali se instalaram várias indústrias, atraindo trabalhadores de diferentes perfis e de outras cidades para residirem no bairro – perto dos seus empregos.
MORADOR
Schilling sabe bem a realidade desta região da cidade. Ele tem seu atelier de trabalho na Rua Pelotas e cresceu no bairro Rio Branco. Com a visão e o entusiasmo por estar realizando diversos trabalhos em Novo Hamburgo – no interior e fachadas de empresas, restaurantes, pilares do Trensurb, etc -, ele vislumbra na proposta um ganho para artistas e para a cidade. “Estamos começando. É um espaço do bairro que pode passar por uma transformação”, avalia.
A formatação do Beco da Mistura começou com a liberação e cedência do prédio da Rede Monumento, que tem um posto de combustíveis no local. A partir disso, foram convidados artistas para realizarem seus trabalhos no espaço.
Vieram convidados de Sapiranga, Campo Bom, Sapucaia do Sul, Porto Alegre, Passo Fundo, além de Novo Hamburgo. Alguns parceiros foram importantes, mas a maior parte do investimento foi realizado pelos artistas. “Isso é algo que podemos trabalhar melhor para uma próxima etapa. Estes apoios da cidade vão atrair ainda mais gente”, projeta Bruno.
Com temática livre, os trabalhos se espalham por três frentes do prédio da Rede Monumenti – Rua Pelotas, Rua Teixeira de Freitas e Avenida Nações Unidas. O muro do lado oposto do beco da Rua Pelotas também apresenta um grafite. Um passo ambicioso seria conseguir realizar intervenções no prédio da Seiko, na esquina em frente. Isso renderia uma amplitude fundamental para a visibilidade e consolidação do Beco da Mistura.
Bruno Schilling acredita no potencial turístico e na capacidade desse espaço em atrair visitantes e eventos. Promoções de rua, com Food Trucks e música ao vivo, por exemplo, seriam formatos interessantes, até porque num trecho do beco a movimentação de veículos é muito pequena. “Vamos trabalhar para ver se isso ocorre. O Beco do Batman serve como referência”, comenta o hamburguense.
Os apoiadores para a primeira etapa do Beco da Mistura foram: Rede Monumento, Pavilhão Green Head, Pontintas, Vibrasul, Infinity DPI, Interiores Lena Schilling e Da Chronic Skateshop.
Os artistas com intervenções no Beco da Mistura são: Bruno Schilling, Felipe Reis, Gui, Will, Praxe, Seilá, Mateus Grimm, Auge, Hydes11, Olhos, Hons, Jotape, Chimia, Yule, Pinot, Hope, Negro P, VVC, Ane Schutz, Abehstrato, Filipe Sik e Atila Nogueira. A maioria dos trabalhos teve sua execução no dia 9 de março.
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