É natural ter a
ilusão de que se conhece. E não tem problema. Fomos pegos de surpresa nessa parada
brusca. É a hora de buscar soluções externas e internas. Umas dependem de
terceiros. Outras dependem de nós. Assim como o autoconhecimento.
Quando há tempo
de sobra, ou permitimos que ele aconteça, não sabemos muito bem o que fazer. A
ansiedade, a falta de algo que preencha o nosso tempo de forma produtiva, nos
leva ao desespero.
O que fazer
agora? Nem sei o que gosto ou não gosto? Não imagino como preencher meu tempo?
O que amo? Qual meu propósito? E assim vai…
A falta do
hábito de reflexão pessoal se estende aos nossos negócios. Imaginamos saber as
suas possibilidades, assim como, cogitamos nossos limites. Não há como negar:
empresas são pessoas. Atrás de um CNPJ há vários CPFs. Na sua integração com um
objetivo, há algo a ser aproveitado ou não.
Um detalhe
pecaminoso: essa autoanalise não pode ser emergencial. É quando a
ansiedade e o nervosismo se tornam péssimos conselheiros.
Nada vai mudar a
curto prazo. Cuidar do caixa, renegociar as dívidas, zelar pelos colaboradores,
buscar alternativas esquecidas, se aproximar dos clientes, quando possível, são
ações conhecidas. É o básico. O emergencial. O ontem!
A questão maior
está em ler o cenário e se adaptar rapidamente, como orienta Arthur Igreja. Ele afirma não existir uma “bala de
prata” resolvendo todos os problemas. É o momento para ser resiliente e ágil,
não só eficiente.
Alan Costa, parceiro de Arthur, afirma que estamos
na maior janela de oportunidades do século. O Brasil é um dos países com menor
endividamento proporcional ao seu PIB. Segundo
ele temos 30% de endividamento das famílias e 43% nos negócios. Ele reitera que
precisamos ser transparentes interna e externamente, mantendo o olhar na sua continuidade
dos empreendimentos.
Da mesma forma
que os otimistas nos estimulam, os realistas nos “trazem” a razão. Lembrando
Bill Gates em 2015 em sua memorável palestra no TED:
gastamos muito com preparação antinuclear e muito pouco contra os vírus e
pandemias.
Parece algo
profético, mas não é. Se você olhar a mini série no Netflix, O Código Bill Gates, vai entender perfeitamente a intenção dele em ter
antecipado o assunto.
No mesmo caminho,
temos uma notícia de que Wimbledon, torneio de tênis inglês, foi salvo
pelo seguro de US$ 2 milhões anuais contra pandemias. Estratégia adotada desde
a SARS
em 2003. Wimbledon receberá US$ 141 milhões nesse período em função do
cancelamento do torneio. Na sua análise de possíveis cenários na área de
eventos, eles identificaram o risco e agiram.
A questão é: o
inimaginável aconteceu. Quase tudo parou! Poucos tinham um plano de
contingência. Um amigo meu, Laércio de Matos, Pós-Doutorando, Mentor de Negócios,
questiona: a sua empresa era sustentável antes da COVID-19?
O fato é que poucos
se prepararam para o maior risco: falta de clientes, de faturamento e de uma
parada geral. Essa talvez seja a primeira grande lição neste momento:
Não há
garantias em um mundo de incertezas. As startups que o digam!
Quem se
preparou melhor: está melhor. E esse preparo passa pela profissionalização,
educação e, principalmente, humildade em aceitar que se errou. Transita pelo
extremo zelo ao fluxo de caixa da empresa e as possibilidades no mundo ao seu
redor através de seu sistema de relações.
Não há fórmulas
mágicas. O Estado está fazendo a sua parte. E é preciso. Já deveria ter feito
outras mudanças. Engraçado como os decretos e leis estão tramitando
rapidamente. Está muito longe do que poderia ser feito e mais próximo do que
pode ser realizado.
Governo:
executivo, legislativo e judiciário. Em todas as instâncias, na minha opinião.
Empreendedorismo
e estado não combinam, conceitualmente. O efeito “manada” ainda acontece. Mas
em grau muito menor. Tudo está ligado e é dependente. Certamente o centrismo da
produção de produtos na China será questionado e a inovação terá o seu lugar
devido no Brasil.
Há uma questão
não modificada: o ser humano. Sua importância. Da mesma forma, a sua
presunção, orgulho e hombridade. Em uma época alta tecnologia estamos vivendo
em função de um vírus. Chega a ser contraditório. Mas não é.
Nossas
prioridades sempre foram escolhidas com vistas ao curto prazo. Essa a
real!
DECISÕES
Não é como se
decide. É sobre porque se decide. Tomamos decisões aos 45 minutos do segundo
tempo e queremos estar sentados no camarote do estádio.
Estamos
acostumados a elas. Sem visão estratégica. A instantaneidade do mundo
transformou nossas realidades. Ser ágil não significa ser instantâneo. A
primeira pergunta deve ser:
Por que estamos decidindo isso?
Significa ter
prioridades, método e técnicas que auxiliam na gestão. Para citar duas: Scrum
e Sprint. São
metodologias ágeis muito utilizadas para criação de novos produtos e serviços
ou para melhorar os processos. Há várias. Só pesquisar!
A velocidade e
a complexidade se complementam. Mas ao mesmo tempo, são excludentes por si só.
E aí que entram os dados e a inteligência
artificial para complementar essa relação.
Uma das
decisões mais postergadas antes desta crise foi a transformação
digital dos negócios. Não é a mera criação de Marketplaces e sim a
integração de todas as atividades do negócio em todos os canais. É ser omnichannel
em tudo!
Outra decisão
arrastada é o trabalho remoto. Agora, todos conseguem! E o controle? A efetividade
é melhor! E há ferramentas fantásticas para que as duas coisas andem juntas,
com produtividade. Citando duas: Microsoft
Teams e Trello.
Essa questão não
tem relação com a tecnologia: é atitudinal. É preciso desapegar do poder e
compartilhar informações, colaborando como um time. Pois é!
Existia um time
no seu negócio antes da crise?
Outra
postergação diz respeito ao valor
e propósito. Lemos, estudamos, escutamos sobre o tema e não paramos para
analisar. A opinião de um amigo: negócios sem valor e sem propósito estão
fadados a morrer.
E a principal
procrastinação sem vergonha: se você já sabia que seu negócio não vendia bem antes
da crise, apesar da nova economia, agora é que ele não vai vender mesmo. E não
adianta querer passar o “abacaxi” adiante. Quem vai comprar? Só os incautos!
A real: esse tipo
de ação é uma tremenda falta de caráter.
DICAS
Sugiro algumas
dicas que tem funcionado com os clientes que atendo como Mentor de Negócios.
Uma parte são startups e outra parte são empresas estabelecidas: de todas as
áreas.
Empreendedor: cuidado com Salvadores da Pátria. O presente de Grego
vem logo depois.
Só você sabe o melhor
para o seu negócio e onde o “sapato” aperta. Não importa se errou. E sim, se aprendeu.
É a partir desse aprendizado que as engrenagens começam a funcionar. Não é a
hora de grandes projetos e sim de pequenas soluções.
E, muitas
vezes, elas estão escondidas no seu próprio negócio. No seu atual e futuro
cliente.
As grandes
soluções são resultado de ações de médio e longo prazo com foco na inovação
inteligente.
Com maior ou
menor estrutura, o importante é você resgatar aquele amor inicial que tinha
quando criou a sua empresa. Essa força vai se transmitir aos seus parceiros,
colaboradores, investidores e públicos de relação.
É o momento da
escuta ativa. É o momento de análise da jornada do cliente, interno e externo.
É a hora de ler o cenário e se adaptar rapidamente. É o momento de pedir ajuda
a quem pode fazer isso de forma profissional. É tempo de humildade. É
momento de transição. É hora de reflexão e ação! Rápido com um por quê!
Na real:
tudo isso poderia ter sido visto antes! Aceitar isso abre as portas à
solução.
Vamos às dicas:
1.
Há um universo
dentro em você e no seu negócio: detalhes fazem a diferença.
Quando começou
a sua carreira, você fazia todo o esforço para vencer as maiores dificuldades.
Correto?
É só
repetir! Nunca perdemos forças que não temos.
Reflita sobre o
que lhe faz diferente e como isso pode fazer a diferença. Foque nas suas
qualidades e deixe os defeitos para serem resolvidos no caminho.
Cada detalhe
importa. Cada ideia é válida. Teste hipóteses. Converse com os seus. Família e
amigos verdadeiros. Use post-its e quadros de apoio. Lembre-se do Sprint e do
Scrum.
Não
complique: não é a hora de ser chato! Muito menos lento!
Analise os
elogios e as reclamações que o seu negócio recebia. Soluções úteis podem estar
lá. O cliente que gosta ou não do seu negócio tem uma opinião. É a hora de
conversar com ele.
Faça o que
chamo de Mix-Misturix: relacione
os produtos entre si, os serviços entre si. É como fazer o almoço: misture e
veja o sabor que tem. Não gostou do resultado? Experimente!
Lembre-se:
quem define o que é bom ou ruim é quem compra.
É o momento de
se aliar com os iguais e, principalmente, com os diferentes. Participe de uma
cooperativa, de uma associação. Converse com outros empresários. Unam as forças
e criem sinergia entre os negócios. Podem aparecer grandes oportunidades.
Aprenda a colaborar: mesmo que seja na marra.
Reflita sobre o
rumo dos seus negócios. O consumidor estará muito mais exigente
e seletivo após a crise. Seja um dos escolhidos fazendo diferente com diferença:
com valor. Nesse caso, sugiro que pesquise sobre o Canvas de Proposta de Valor de Alex
Osterwalder. É uma boa ferramenta.
Converse com
seus colaboradores. Agora não é o momento do “quem manda” e sim do “quem
somos”. Ensine, aprende, construa.
É uma das
maiores lições: a horizontalidade e a colaboração nas equipes. O ganho ficará
para sempre. Não desperdice!
E por último:
não esqueça que você está vinculado a vários atores no mercado. Analise cada
conexão e sua importância. Essa busca pode mostrar suas forças ou fragilidades.
Só uma boa ideia e um bom modelo de negócio não são mais suficientes. Nunca
foram. É necessário ter conexões no mercado para que o seu negócio solucione um
problema real do cliente.
Seja seletivo: é
não para o que não tem valor e sim para as possibilidades.
2.
O Hoje
é o que há: desapega do que não importa.
Essa é difícil
de executar. Colocar-se no presente é uma tarefa para além do agora. Mas não
adianta: a realidade é o que está acontecendo. Se esconder não resolve os
problemas. O passado não tem como ser mudado e o futuro se constrói no
presente.
Culpa não paga
as contas. Só o trabalho inteligente!
Retire tudo o
que não lhe dá renda em sua vida. O que dá despesa normalmente não é um bom
investimento. É claro que há despesas no negócio. Não é o que estou citando.
Cito aquelas
coisas e compromissos supérfluos que não agregam a você nada além do que uma
foto na coluna ou rede social. Elas não pagam as faturas e são uma bela
desculpa para não mudar.
Costumo chamar
isso de bibelô: são lindos, ampliam a poeira, geram trabalho e na hora difícil
não ajudam a resolver nada. Ahhh…César…. mas tenho um bibelô que vale
muito! Valia! Vai vender para quem?
O que dá renda:
fica! O que dá despesa sem razão: fora!
Traga a sua
lembrança os momentos em que você esteve doente. O que você precisou para sobreviver?
3.
Cultive
bons hábitos consigo e nos relacionamentos: não desconte a ansiedade e o stress
em ninguém.
Lembra daquelas
lives, palestras, livros e indicações sobre Inteligência Emocional que viviam
enchendo nossas caixas postais, grupos de whats e redes sociais?
Não eram sem
razão. A inteligência emocional não é mera propaganda. Ela funciona. E é
extremamente necessária no momento. Indico dois livros de um autor que é
referência na área: Daniel
Goleman. São eles: Inteligência
Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente; Foco:
a atenção e seu papel fundamental para o sucesso.
Não se iluda.
Você não vai deixar de ser nervosinho consigo e com os outros de uma hora para
outra. Se o problema é esse, procure ajuda com um psicólogo e vá fazer terapia.
Agora, mais do que nunca, os seus problemas pessoais não podem prejudicar o
todo.
Não adianta
descontar sua raiva, ansiedade e stress na família, nos amigos, na comida, nas
redes sociais, no governo ou em qualquer lugar. Use essa força para
potencializar a dica 1.
Acalme a sua
mente e busque a clareza da atenção plena e do foco. Meditação ajuda, Mindfulness
ajuda, tudo ajuda. Porém:
É preciso
desejar ser auxiliado. Ahh..você sabe tudo? Esse já é o primeiro sinal de alerta.
É hora de
exercer a maturidade que tanto se pede aos outros. A crise nos coloca como
iguais, com ou sem dinheiro. Essa a real: sempre foi assim! Todos somos seres
humanos!
Seja a alavanca
que impulsiona e não a trava que emperra!
4.
Organize
sua trilha de aprendizagem: Lifelong
Learning.
Aprendemos a
vida inteira. Com tudo e com todos e em qualquer lugar. Mais do que nunca!
É necessário
planejamento, organização e, principalmente, saber para onde você quer se
direcionar. Seus objetivos, metas e propósito.
Não cuidar da
sua própria carreira é um grande erro. Mesmo que não precise de emprego. Aqui
se encaixa a seguinte pergunta:
Você se contrataria?
Uma boa
referência é você se comparar com as pessoas mais influentes do mercado, com os
concorrentes mais avançados e com os empresários mais bem sucedidos que você. É
preciso saber o que é estratégico a sua empresa e a sua carreira.
Aprenda a cada respiração! E respire flexibilidade
cognitiva!
5.
Desperte
a sua ligação com a fonte do Amor e da Vida.
Religiosidade
não tem relação com religião. É a sua conexão com a fonte de todo amor e vida.
Não importa o nome atribuído.
Essa conexão
se dá através da oração, que é: abrir a boca da alma. E das boas ações.
Também é
necessário se amar. Mesmo que não esteja satisfeito. Não importa. Agora é o
momento de mudar. Você tem a desculpa perfeita: a crise me fez pensar. É
clichê. Serve.
Não se utilize
do momento para abusar da boa vontade dos outros. Todos percebem. Aproveite
para ser a sua melhor versão. Ela pode ser feia ou bonita, não importa: é sua.
A autenticidade
é um dos valores do momento. E não seja ingênuo. Autenticidade não é sair
falando o que pensa de tudo. É ser você mesmo em qualquer momento. Tem relação
com a fidelidade de você consigo mesmo. Ainda mais em relação aos valores. Sobram
ofertas para fazer bobagens.
Acredite em
Algo ou Alguém Maior a nos zelar.
6.
Seja ousado
e prudente: assim não perde os dentes.
Essa é uma dica
válida em qualquer situação. Usar a criatividade como fonte inesgotável de
soluções é ótimo para ousar e “sair da caixa”. Isso não significa que “tudo
pode”.
Significa que
tudo é possível. O que é bem diferente!
Permita-se com respeito
ao mundo!
Possibilidades
Agora é colocar
a “mão na massa”. Transformar em ação o que você sempre desejou fazer. Amplie o
seu horizonte para o conjunto das conexões dos mais de 7 bilhões de habitantes da
Terra. Nossa casa. Tão pequenina hoje!
Há mais
conexões entre o céu e a Terra do que a vã consciência possa inferir. Conecte-SE!
O assunto nunca
se encerrará. Mas é como a velha história do passarinho:
“Certa vez, uma
linda floresta começou a pegar fogo.
Os animais,
assustados, começaram a correr, fugindo desesperadamente.
Um deles, um
passarinho, corajosamente decidiu fazer alguma coisa para impedir o ímpeto das
chamas: ele pegava um pouco de água pelo bico e jogava água nelas, na tentativa
de apagar o fogo.
Os outros
animais lhe diziam que seria impossível que ele conseguisse apagar o fogo
sozinho. Mas o passarinho não hesitou em responder:
‘Não importa.
Estou fazendo a minha parte’.”
Seja um
passarinho: use máscara. Protege você, sua família e a sociedade. Exija seus
direitos e cumpra seus deveres. Explore o improvável!
César Silva é
Escritor, Professor, Consultor e Mentor de Negócios PMBM e Softex.
Ajudo
empreendedores em sua Jornada rumo ao Crescimento com Conteúdo.
@cesarsilva.oficial / Linkedin: César
Silva
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César Silva
Ajudo empreendedores em sua Jornada rumo ao Crescimento Relevante e Inovador
Escritor, Professor,Consultor e Mentor de Negócios PMBM® e Softex – Representante Regional ABMEN-POA-RS

























