Vereador completará 24 anos na Câmara sem ver conclusão da obra prometida. E ele quer mais quatro!

O médico Gerson Peteffi (PSDB) é vereador em Novo Hamburgo desde 1993. Está no seu sexto mandato. Ninguém chega tão longe sem trabalho ou dedicação. Isso é fato. O médico-parlamentar sempre foi um dos campeões de votos no município. A vantagem é que ele tem ao seu lado um carimbo que vem assegurando tantas reeleições: “O Peteffi é um homem bom”. Conheço várias pessoas que votaram nele e, questionadas sobre os motivos, responderam: “Ele é um homem bom, atendeu a vó, cuidou do vô, veio no baile, conseguiu um atendimento. O dr. Peteffi é um homem bom”. E, assim, vai se mantendo no Parlamento local.

Peteffi é um case. Até porque

recebe dois polpudos salários: como médico e vereador.

São mais de duas décadas com, pelo menos, duas saudáveis fonte de renda. Já deu até para ficar rico. Seus eleitores, pelo jeito, não se importam que ele trabalhe

metade do tempo, há mais de duas décadas, como vereador.

Mas o Peteffi é um homem bom. Seus eleitores, que reclamam do atendimento da Prefeitura, que se queixam da falta de segurança, que protestam por falta de dedicação com a cidade, não se importam com o trabalho de meio turno do tucano. O resto do tempo ele precisa se dedicar à Medicina. Mas o Peteffi é um homem bom.

O tucano é um dos que menos usa a tribuna para levar demandas da comunidade, seguidamente se ausenta,

sai mais cedo ou pede inversão de pauta das sessões, quase não apresenta projetos de lei, frequentemente pede para assinar ofícios propostos pelos colegas e vai surfando no trabalho de quem se dedica de forma integral. Mas o Peteffi é um homem bom. Nos corredores da Câmara, ele tem o apelido de “sabonete” ou “lambari”, por ser liso e ter dificuldade em se posicionar. Quem ainda se lembra do dia que teve votação polêmica na Câmara e ele se ausentou da sessão por problemas de saúde?

Só que, no mesmo dia e algumas horas depois, ele estava num show musical no Pepsi On Stage, em Porto Alegre! Milagre da Medicina?

Mas o Peteffi é um homem bom.

Dia desses, o vereador perdeu – sim, perdeu – quase dois minutos para agradecer ao vereador Antonio Lucas (PDT) a possibilidade de abrir a porta para homenageados do Flamengo, do Primavera. No seu discurso, o vereador do PSDB disse que aquele gesto – ser indicado por Lucas para abrir a porta – mostrava a grandeza da Câmara em saber lidar com as diferenças partidárias. Mas o Peteffi é um homem bom. Cabe também destacar que, enquanto o seu partido luta nacionalmente contra o PT, buscando um protagonismo maior e denunciando um mar de corrupção, em Novo Hamburgo, o representante do PSDB chega a confundir se é aliado da situação ou da oposição, de tão pouca cobrança que faz em relação aos problemas do município. Enquanto alguns colegas suam, esbravejam e

se expõem, o tucano fica no seu ninho para não chamar a atenção. Mas o Peteffi é um homem bom.

Desde que acompanho a política, vejo o vereador lutando pela duplicação da Rua Rincão. Que não tem fim. São umas duas décadas dizendo que vai lutar pelos interesses da comunidade e ver a obra concluída. E os moradores do Rincão seguem esperando a obra prometida. Mas o Peteffi é um homem bom. Enquanto um dos colegas do tucano se licenciou da função pública para se dedicar integralmente ao cargo de vereador, ele se mantém agarrado a dois generosos salários oficiais há vários anos. Mas o Peteffi é um homem bom.

O tucano sabe o quanto é bom ser médico e vereador. Principalmente, vereador: se trabalha pela metade, mas salários e diárias vêm sempre cheios. E, em 2016, ele deve tentar a reeleição para alcançar 28 anos no Poder Legislativo. Mas, só um pouquinho: o Peteffi é um homem bom pra quem?

ESCLARECIMENTOS

1 – Entrei em contato com a assessoria de imprensa do vereador Gerson Peteffi (PSDB). Enviei várias questões sobre os temas abordados acima e ofereci espaço para esclarecimentos. Recebi o seguinte retorno: “O vereador não tem interesse”. Uma resposta típica de Peteffi. E rumo aos 28 anos na Câmara! Seus eleitores não se importam que ele trabalhe pela metade: Novo Hamburgo não tem problemas, não é mesmo? Que siga essa barbada.

2 – Antes que alguém pergunte: eu nada

tenho contra o cidadão Peteffi. Poucas vezes falei com ele, mas é funcionário do município. O que eu gostaria de saber é qual o problema dele com Novo Hamburgo, já que recebe salário cheio e se dedica pela metade. Por que Peteffi não se dedica por inteiro ao município? Por que essa falta de atenção há tantos anos?

Sair da versão mobile