Nesta semana, um anúncio da Unimed Vale do Sinos em veículos de comunicação chamou a atenção de alguns leitores.
Unimed Vale do Sinos
Contrata para início imediato
PEDIATRA
para atendimentos no Pronto Atendimento
Remuneração:
4 horas por dia: R$ 18 mil
8 horas por dia: R$ 35 mil
Um leitor refletiu: “É um belo salário. É quase um salário mínimo por dia. Mesmo com essa remuneração, é preocupante que estejam faltando pediatras”.
A observação do leitor faz parte de uma angustiante realidade: a redução no número de pediatras – tanto para hospitais públicos como para privados. Diversas instituições vem precisando se desdobrar para atender os pacientes, que seguem procurando atendimentos.
Nos últimos meses, conversei com pessoas de diferentes clínicas médicas e operadoras de planos de saúde, que projetam um cenário com ainda mais escassez para os próximos cinco a dez anos. Segundo essa previsão, muitos pediatras “das antigas” vão encerrar seus ciclos e poderá não ter um número suficiente de profissionais para ocupar essas vagas.
Ocorre que, nas últimas décadas, os estudantes de Medicina passaram a procurar outras áreas de atuação, e a Pediatria foi perdendo interesse. Questões salariais e a rotina de trabalho do pediatra – que acaba sendo o refúgio 24 horas de muitos pais alarmados com eventuais problemas de saúde dos filhos – foram reduzindo a paixão dos acadêmicos pela profissão.
MUDANÇA
Uma mudança de cenário vem sendo estruturada, há alguns anos, com adaptações e objetivos de currículos, especialmente em cursos de Medicina em universidades públicas e comunitárias.
A tentativa é aproximar os jovens e futuros médicos do contexto da Pediatria. É uma iniciativa para poder reverter essa situação.
ARTIGO
Há algumas semanas, o presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Sérgio L. Amantéa, publicou artigo com um tom de esperança. Ele fala de uma reação no número de especialistas.
Confira o artigo na íntegra:
Mais pediatras
Um dado recente do Conselho Regional de Medicina do Estado do RS (CREMERS) registrou, em 2022, 1.685 novos médicos especialistas. O maior número de profissionais com registro de qualificação de especialista (RQE) foi de Clínica Médica (245 registros). Mas o que nos despertou a atenção foi a segunda colocação, que foi a Pediatria, com 189 registros.
O Título de Especialista deve ser devidamente registrado no Conselho Regional em que o médico exerce suas atividades profissionais, após a conclusão da Residência Médica credenciada pela CNRM/MEC, ou curso de especialização reconhecido pelas Sociedades de Especialidades Médicas e Associação Médica Brasileira (AMB).
O registro pode ser solicitado através do site do CREMERS. A medida assegura ao paciente que ele será atendido por um médico com conhecimento aprofundado na área.
Os dados demonstram um interesse, tanto pela especialidade pediátrica, quanto pelo registro do diploma de formação. No Rio Grande do Sul disponibilizamos anualmente acesso a cerca de 150 novas vagas em Programas de Residência de Pediatria, o que corresponde a quase 10% das vagas ofertadas em todo território nacional. Dentro de nosso país, a Pediatria tem se mantido como a segunda especialidade em oferta de vagas para residência médica, sendo atribuída a ela cerca de 10% do total de vagas oferecidas para acesso aos Programas de Residência Médica, e o mesmo percentual entre o número total de médicos que cursam alguma residência médica (cerca de 1.600 e 5.200 médicos respectivamente). De maneira similar aos dados regionais de registro (RQE), se mantém apenas atrás da Clínica Médica.
O próprio aumento do número de vagas que são oferecidas em Programas de Residência nos últimos anos também encontra representatividade na Pediatria. Cenário influenciado pelo crescente número de novas faculdades de Medicina e o consequente aumento do número de formandos. Permanecemos na busca do processo denominado “Universalização da Residência Médica”, onde a oferta anual de novas vagas deveria ser equivalente ao número de egressos dos cursos de graduação médica. Entretanto, a Pediatria é uma das especialidades que tem apresentado aumentos similares às taxas de crescimento global por novas vagas de residência médica, contabilizando taxas crescentes próximas de 70%.
Sendo assim, podemos dizer que nossa especialidade parece apresentar sinais de crescimento e desenvolvimento saudável, o que nos tranquiliza no momento. Assim como no acompanhamento de nossos pacientes, esse é um processo que deve ser contínuo, procurando identificar sinais precoces de anormalidades. O êxito de qualquer intervenção passa pela suspeição e confirmação dos nossos diagnósticos.
