Um gay, uma negra e um homem do interior no comando do RS

Há uma grande e frequente discussão se o Rio Grande do Sul é um estado, na sua essência, machista, racista e preconceituoso. Um Estado conservador ao extremo.

Existem muitos machistas e muita gente preconceituosa e racista por essas bandas. É fato.

Mas será que o Estado lidera um eventual ranking de discriminação? Temos mais machistas e preconceituosos do que outros Estados e países?

O questionamento é pertinente quando visitamos a história política do Estado.

Alceu de Deus Collares, negro, foi eleito governador. Yeda Crusius, mulher, foi eleita governadora. Eduardo Leite, gay, foi eleito governador.

Existem vários Estados ou países que nunca elegeram um negro, gay ou mulher para cargo tão relevante. O Rio Grande do Sul já fez isso.

Numa das cidades com maior influência germânica, Dois Irmãos, a negra Tânia Terezinha da Silva foi eleita e reeleita prefeita. Novo Hamburgo, terra de sisudos homens calçadistas e também de forte influência germânica, elegeu e reelegeu a empresária Fátima Daudt. A leitura é simples e óbvia: foram competentes em suas funções.

Que temos gente preconceituosa, racista e machista, isso sabemos. Tem vários episódios por aí.

Mas, ao mesmo tempo, temos inúmeros casos de inserção, acolhimento e de postura oposta a um conservadorismo retrógrado.

Estes exemplos apontam no caminho de uma maioria da população que respeita as diferenças, que valoriza a pluralidade, que demonstra maturidade na hora de eleger seus representantes, buscando a competência e a capacidade de liderança antes de avaliar se a pessoa namora alguém do mesmo sexo ou qual a cor da pele.

O ano de 2022 é emblemático.

O chefe do Poder Executivo, Eduardo Leite (PSDB), é gay.

A chefe do Poder Judiciário, desembargadora Iris Helena Medeiros Nogueira, é uma negra. É
a primeira mulher a ascender à chefia do Poder Judiciário do Rio Grande do Sul.

O chefe do Poder Legislativo, Valdeci Oliveira (PT), é homem do interior. Nasceu município de Dilermando de Aguiar, que, na época, era um distrito de Santa Maria.

O Rio Grande do Sul de 2022 é plural, inclusivo e diverso. Essa é uma grande notícia.


Que a competência dessas lideranças também reflita em boas ações para o povo gaúcho.

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