Ao acordar na manhã de 7 de janeiro de 2021, em Capão da Canoa, fui direto ao refrigerador. Estava com uma sensação estranha, que me acompanhava há alguns dias.
Abri o refrigerador. Peguei um pote de pepino em conserva bem vedado. Abri. Aproximei meu nariz. Inspirei. Uma, duas, cinco vezes. Nada de cheiro. Nem sinal do vinagre.
O corpo estremeceu. Embora sem exame, o sinal era claro: eu estava com Covid. Não tinha me aglomerado, usava máscara e álcool gel. Como foi? Onde foi?
Voltei de Capão da Canoa às pressas. Fiz exame no Laboratório Fleming. E veio o resultado: DETECTADO.
Há exatamente um ano, eu era internado no Pronto Atendimento da Unimed Vale do Sinos, ainda na Rua Tupi, em Novo Hamburgo. Na primeira noite, sozinho e no escuro, chorei. O medo estava ali.
Foram quatro dias internados – felizmente, meu corpo suportou e não precisei de oxigênio. O oxímetro passou a fazer parte da rotina. Até 95, vai bem. Abaixo de 95, precisa ficar atento. Rompeu a barreira de 90, a situação complicou.
Após a alta, vieram mais cinco dias bem complicados em casa, com um febrão insuportável. Meu corpo aos frangalhos. Alucinação para dormir. Suor. Novamente, meu corpo suportou.
Fiquei várias semanas sem sentir cheiros ou gostos. Isso também foi superado. Ainda não sei se tive outras sequelas, é preciso acompanhar.
Posso garantir: o pequeno mal-estar de alguma reação da vacina não chega nem perto do que passei.
O relato detalhado do que passei foi registrado num artigo em 15 de janeiro de 2021: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
VACINA
Em 7 de janeiro de 2021, o Brasil ainda não tinha começado a vacinação em massa. Felizmente, e mesmo contra forças que atuaram e atuam contra a vacina, o quadro se alterou.
Em 7 de janeiro de 2021, dezenas de milhões de brasileiros já foram vacinados com uma, duas ou até três doses. A vacina NUNCA foi a cura. A vacina SEMPRE foi uma grande proteção.
Um ano depois, o Brasil – e o mundo – vivem uma fase de intensa contaminação. São mais de 2,5 milhões de pessoas sendo contaminadas diariamente pelo planeta.
A notícia positiva é que os casos graves estão sendo absoluta exceção. E a explicação passa pela VACINA. Os valentes anticorpos estão duelando com o coronavírus. Com isso, as pessoas estão sendo contaminadas, mas ficando com sintomas menos agressivos.
Mas, infelizmente, não dá pra aliviar. Nem facilitar. É triste constatar que estamos tendo que recuar em algumas liberações.
A vida, contudo, é uma só. Eu perdi amigos queridos pelo caminho – e ainda choro por eles não terem tido a oportunidade de se vacinar, indo a óbito influenciados por teses negacionistas.
No planeta, cerca de 5,5 milhões de pessoas tombaram para a Covid – e outros milhões estão com sequelas.
A vida é uma só. Isso tudo ficou mais claro em 7 de janeiro de 2021. Hoje, 7 de janeiro de 2022, estou aqui para reforçar a todos, dentro das suas realidades, sigam se vacinando e se protegendo com máscaras, álcool em gel nas mãos e evitando aglomerações sem controle sanitário.
A vida é uma só.
