Desde
muito novo acompanho o esporte e vejo talentos no Brasil em diversas
modalidades. Percebo que muitos desses esportistas são campeões, na maioria das
vezes, fruto desse seu talento do que da capacidade de acompanhamento que teve desde
seu início no esporte.
Essa constatação é geral no Brasil, tendo em vista que,
pela capacidade que temos de revelar talentos, poderíamos ser referências em
diversas modalidades, sendo potências olímpicas, por exemplo.
Isto
tudo não se torna realidade porque o Brasil é o país do “tanto faz”, do “tá bom
assim”, “pode ser assim mesmo”, “começa assim e depois a gente vê uma melhoria”.
Esses termos refletem só um pouco da realidade que o país tem em diversas áreas
e que o esporte “acabou” incorporando para si.
Tragédias na área da mineração e
o que ocorreu no CT do Flamengo, na sexta-feira passada, mostram como tudo está
desorganizado no país. Investigações preliminares já mostraram que o lugar onde
ocorreu o incêndio não fazia parte do projeto inicial. Ora, se não fazia parte
do projeto inicial e ali estava, é porque ninguém fiscalizou. Consequência: vidas
ceifadas e, mais do que isso: futuros talentos interrompidos por simples forma
de “economia”, de “depois a gente vê isso”.
Inúmeros
especialistas já nos provaram que o esporte, desenvolvido desde cedo e aliado a
educação em anos iniciais, pode ser um grande fator de desenvolvimento de uma
sociedade, sem drogas, sem “jeitinho”, sem corrupção. Mas, infelizmente, as “cabeças
pensantes” do esporte, assim como as “cabeças pensantes” da política desse
país, em sua grande maioria, estão preocupados com status e lucro financeiro.
Enquanto essa realidade não for abortada de vez da sociedade brasileira,
continuaremos chorando por meninos do Ninho do Urubu, incêndio em alojamento do
Bangu e tantas outras tragédias que interromperam sonhos de crianças, dilaceraram
famílias e, prematuramente, acabaram com futuros ídolos do esporte que poderiam
ser referências para futuras gerações e, quem sabe, transformadores de uma
sociedade.
