Ter recessão e inflação é pouco provável. Mas o Brasil conseguiu.

A demanda por produtos e serviços dificilmente se movimenta na mesma
velocidade em que a oferta. Existe sempre uma curva de ineficiência entre ciclos
econômicos, os quais podem ser definidos como um período de adaptação à a nova
realidade de mercado. Uma demanda maior que a oferta resulta em inflação, ao
passo que desemprego e recessões acontecem quando a procura está menor que a
capacidade produtiva de um país. Agora, inflação e recessão ao mesmo tempo é um
estudo de caso que somente o Brasil pode proporcionar.

É de conhecimento público que o
PIB é o termômetro de crescimento (ou encolhimento) da economia de um país. A formula que calcula o Produto Interno Bruto
é composta pelo somatório do consumo interno, investimentos, gastos governamentais
e balança comercial (exportações netas). Por mais que grande parte dos
economistas defenda a tese de que esta formula é “auto-ajustável”, os governos
em recessão vêm historicamente intervindo em seu resultado através de programas
de incentivo, manipulando à variável consumo da formula. É o caso dos ESA
americanos (Economic Stimulus Acts).

A mais emblemática intervenção americana (ESA) para rebater uma recessão
foi durante a crise imobiliária de 2008. Morava nos Estados Unidos neste
período e tive a oportunidade de acompanhar esta ação de perto. Para incentivar
o consumo interno e, consequentemente, acelerar a economia do país, cada cidadão
elegível recebeu um cheque de aproximadamente USD 300 dólares na forma de
restituição de impostos. Um presente do Tio Sam para que seus sobrinhos
mantivessem sua maquina em movimento. O programa foi bem sucedido e o consumo
das famílias que receberam o cheque aumentou 3,5% em decorrência do incentivo.

#ANUNCIO

O Brasil, entretanto, se
encontra de mãos atadas. Não pode intervir e patrocinar uma recuperação
econômica. Após de mais de uma década de assistencialismo que levou as contas
publicas as ruínas, a possibilidade de um incentivo ao PIB através de aumento
de gastos governamentais ou redução de impostos está, sem sombra duvida, fora
de cogitação. Enquanto países sérios guardam recursos em momentos de superávit
para acelerarem o processo de retorno durante recessões – que invariavelmente
sempre existirão – os recursos públicos eram dispendidos com estádios de
futebol e outras superfluidades.

Sendo assim, hoje nos deparamos
com uma combinação improvável e muito preocupante: inflação e recessão. Por mais que a demanda
esteja aquém da capacidade produtiva do país caracterizando a crise, a inflação
é impulsionada por preços controlados por órgãos públicos tais como a energia (incluindo
petróleo), saneamento, telefonia, transporte publico, entre outros. Estes, por
sua vez, somente estão neste patamar devido a má administração e ao
assistencialismo na última década.

Considero-me uma pessoa
apartidária que possa ser convencida pela razão. Entretanto, analisando os
fatos, é impossível não atribuir este legado ao governo PT representado pelo
binômio Lula e Dilma. Não colocamos um operador despreparado para operar uma
máquina porque é um risco para a segurança do funcionário. Mas colocamos um
administrador despreparado para governar um país sem se preocupar com a
segurança de um país inteiro. Somos um estudo de caso bastante interessante no
cenário mundial.

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