Tenho uma irmã. Nenhum irmão. Só
possuo, portanto, experiência parcial nesse assunto.
Claro que venho da minha vivência
para elaborar essa reflexão. Sem demérito nenhum para os irmãos, homens (tenho
certeza que vocês são ótimos!), já aviso, portanto, que hoje falo sobre as
irmãs. Até porque, pelo que observo, temos que falar, precisamos falar sobre as
irmãs.
Ano
passado, eu estava escrevendo um artigo curto sobre sororidade, esse termo tão
esquisito quanto necessário, e me deparei com uma lacuna existencial sobre este
vocábulo. Ele não consta, ainda hoje, na maioria dos dicionários tradicionais
da língua portuguesa. Nem no Aurélio, nem no Houaiss, nem no Michaelis. Ai,
esse nosso idioma latino que sempre dá um jeito de sobrepor um gênero a
outro… mas vamos lá, voltando à sororidade.
A palavra vem do radical “soror”,
que se refere à irmã – assim como o “frater”, de fraternidade, refere-se a
irmão. Então, a sororidade é a irmandade feminina, uma união baseada em empatia
e companheirismo em busca de alcançar objetivos em comum. É uma relação baseada
em afeto, apoio, crescimento, compreensão. Entre irmãs. De sangue ou não.
Naquele
poema Filtro Solar, que Pedro Bial popularizou anos atrás, ele falava que
irmãos são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre te
apoiar no futuro. Irmãs, claro, estão incluídas.
Ter uma
irmã é quase ter um espelho de si mesmo que oferece outra perspectiva. Outro
raciocínio. A base é semelhante, os valores podem ser compartilhados, mas o
ponto de vista diferente amplifica as ideias e as conversas. E irmãs conversam!
Acredite, até mesmo quando não estão falando. Às vezes só com um olhar. Ou
algumas gargalhadas, e que delícia que é dar risadas com a sua irmã. Daquelas
de doer a barriga.
Irmãs
se abraçam. Se apoiam. Discutem talvez, pode ser que discordem. Mas se
entendem. E confiam.
Meu
marido tem cinco irmãos. E quatro irmãs. Sorte a dele! Com meu filho, o destino
também foi generoso e ele ganhou uma irmã com a qual poderá contar pra sempre,
ele já percebeu isso. Já minha filha, que tem um irmão a quem ela ama, passa os
fins de semana em companhia da prima, da mesma idade, melhores amigas. De que
brincam? Que são irmãs.
Penso
que podemos sim resolver essa questão e encontrar irmãs na nossa vida. Amigas,
primas, colegas. O requisito é amor, confiança, apoio.
Ter uma irmã deveria ser
direito fundamental de todo ser humano. Manas, o mundo é melhor com vocês.

























