Era
para ser apenas mais uma ida rápida a geladeira no meio da madrugada para um
gole de água e, depois de pegar o celular para ver a hora, a emoção e a
tristeza tomaram conta do ser humano, do apaixonado por futebol e do
profissional jornalista.
Por
volta das 5 hpras comecei a acompanhar as notícias do acidente com o avião que
transportava a delegação da Chapecoense e jornalistas. Desde então, um
sentimento muito forte, impossível de descrever tomou conta de minha pessoa.
Como vício da profissão, não voltei mais para a cama e passei a acompanhar as
notícias pela TV, rádio e Twitter. Eram várias informações desencontradas. A
chegada de sobreviventes aos hospitais me garantiu esperança, mas a demora de
novas confirmações me angustiava. E a notícia terrível das mortes se confirmou.
Sozinho em casa, a emoção tomou conta e as lágrimas rolaram.
Difícil
ainda de acreditar. Difícil porque a Chapecoense ganhou a simpatia do Brasil. Viajava para a Colômbia para tentar fazer história. Não fizeram história, mas irão
virar lendas. Como profissional, tive a oportunidade de entrevistar alguns dos
jogadores. Como torcedor do 15 de Novembro, torci para o Kempes e para o Cadu.
Tudo é muito difícil de acreditar. Fico pensando se, como profissional,
estivesse no voo fazendo o deslocamento para cobrir o jogo, seria eu mais uma
vítima. Os olhos ficam carregados só de pensar e escrever.
Mas
nos momentos complicados que a vida nos apresenta, precisamos encontrar forças
onde elas parecem não ser possíveis e como sou uma pessoa que sempre acredita
na humanidade, tinha certeza que as manifestações de solidariedade de clubes,
entidades, governos, celebridades não demorariam a acontecer. E elas vieram. Ajudas
das mais diversas possíveis estão sendo garantidas para o time do oeste
catarinense. Tudo o que for feito para amenizar a dor e sofrimento não será
suficiente, não trará as pessoas de volta, mas mostra que a rivalidade do
futebol existe apenas durante os 90 minutos, no calor da emoção, na adrenalina
do jogo.
A
maior tragédia do esporte brasileiro será lembrada para sempre. Agora lá de
cima, junto ao Criador, jogadores, jornalistas e tripulantes da aeronave irão
acompanhar nossas manifestações de carinho eternas. Assim como torcedores do
Brasil de Pelotas, do time de Rugby, do Manchester United e de todos que já
passaram por uma situação como essa, os torcedores da chape irão superar esse abalo e conseguirão reerguer o Índio Condá e torna-lo ainda mais grande
e simpático. Povo de Chapecó, amantes do futebol: o Brasil, o mundo está com
vocês, afinal, #SomosTodosChapecoense
