Somos uma Startup desde que nascemos!

A definição clássica de startup, por Eric Reis, no livro A
Startup Enxuta é: uma instituição humana projetada para criar novos produtos e
serviços sob condições de extrema incerteza. Antes de tudo, humana!

Se lembrarmos de Drucker em relação ao conceito de uma
empresa ou organização, ele nos leva nesse mesmo sentido: um conjunto de
pessoas em prol de um objetivo maior.

É muito comum uma confusão: a separação do CNPJ do CPF. Ou
seja, quando categorizamos uma empresa como uma instituição ou organização, ela
começa a ter vida jurídica através do seu CNPJ. Mas o que faz ela ter vida
perene são os CPFs, as pessoas que a criaram, desenvolveram e a vivem.

A economia atual está se direcionando cada vez mais para as
pessoas. A economia P2P, pessoa para pessoa, é uma realidade em crescimento em
função da tecnologia. Uma série de profissionais se tornam sua própria empresa,
traduzindo isso através de produtos e serviços com um CNPJ.

A ênfase de Eric Reis nas condições, de extrema incerteza,
são características que sempre estiveram presentes, desde que nascemos. Sem
exceções!

A diferença é que atualmente temos mais tecnologia e, por consequência,
mais velocidade. A frase repetida no momento é: a única constante é a mudança!

Em um mundo ocidentalizado como o nosso, onde medimos
nossas trajetórias pelas externalidades, deixamos de levar em consideração nossas
condições íntimas. Com tantos sucessos e muitos fracassos, que geram
aprendizagem, o mundo precisa de pessoas resolvidas existencialmente.

Pessoas com educação e maturidade técnica, mas,
principalmente, maturidade emocional. Não há como investir em uma empresa, por
melhor que sejam as ideias e os projetos, sem saber quem são as lideranças que
a orientam.

Quanto mais a empresa iniciante cresce, maior a
necessidade de consistência de quem a lidera. Em resumo: uma associação simbiótica!

Observo empreendedores jovens com extrema maturidade nas
tarefas e muito pouca maturidade emocional. Também observo pessoas maduras
emocionalmente, mas sem conhecimento técnico necessário ao acompanhamento da
realidade de constante incerteza no mercado e atualização tecnológica.

A instabilidade não é algo que o ser humano goste. Essa
máxima é fruto de estudos das neurociências e ciências do comportamento, cada
vez mais em evidência.

Então? Como resolver esse impasse?

O ser humano adorando estabilidade e o mundo cada vez mais
incerto?

Muitos afirmam que não fomos treinados para incertezas. Fomos
treinados para o determinismo, o certo, o encaixe. Nos ensinaram o certo e o
errado como se fossem as únicas opções de escolha. A perfeição é uma meta
impossível de alcançar, mas reforçada a cada movimento.

Mundo incerto e perfeição combinam?

Em uma época de estabilidade no mundo e nas relações,
houve uma vantagem nesse sentido. Só que as mudanças sempre estiveram presentes
na vida pessoal de todos nós. A morte nunca nos avisa com antecedência, por
exemplo! As doenças as notícias boas e ruins. O tropeçar! A entropia por si só,
já é uma realidade a ser aceita, por ser perene.

A grande questão é que a segurança pessoal não tem relação
com estabilidade e sim com o autoconhecimento e a maturidade psicológica. Aqui
começa a ponte que separa os dois lados do rio!

Quando minha segurança pessoal está alicerçada no que
penso que sou e não no que realmente sou, em eterna construção, há uma certa
decepção. Ou não!

Aqueles que investem em uma viagem interior profunda, paulatina
e permanente, sabem que as incertezas sobre si mesmo são mais presentes do que
as que o mundo apresenta.

O processo de descobrimento pessoal é longo e de muito
esforço. O simples movimento de acalmar a mente através da meditação, mindfullness
ou qualquer técnica similar, demonstra a quantidade de pensamentos em fluxo
contínuo que nem imaginávamos ter.

O universo que se abre a partir deste momento é muito
amplo. O medo começa a estar presente, o próximo movimento passa a ser uma vivência
maior do que se tem, com o foco no agora, na consciência, em detrimento do inconsciente
mais profundo. É lá que se encontram nossas histórias e possibilidades mais
amplas.

Essa fronteira está sendo derrubada! A mente tem estado no
centro de uma série de investigações de empresas de software mundial, como
Microsoft e Facebook, citando as maiores. Há um paradoxo aqui: a observação do
efeito em detrimento da causa!

Parece até uma simplificação do complexo! Mas não é! A
causa de qualquer instituição humana está no ser humano. A dificuldade de se
relacionar com a incerteza demonstra claramente o enorme espaço existente entre
a imagem que ele faz de si e a sua real situação.

A realidade é que estamos aprendendo em qualquer lugar,
espaço ou situação. A captação do mundo exterior e as relações com as outras
pessoas, ensinam sempre. A questão está em querer aprender ou não, acumulando
experiências. O processo de aprendizagem em si é um mundo de incertezas permanentes,
uma busca, um descobrimento, sem certeza presente.

O aprendizado constante é uma das características das
startups. E do ser humano! As dificuldades de transformação das empresas no
mercado estão ligadas a ideia das pessoas que participam dessa empreitada. Não
dá para separar!

Chegamos ao ser humano novamente! Descobrimos a América!

Ou melhor: chega de postergar ou terceirizar!

Um dos critérios utilizados atualmente na seleção de
pessoas é a capacidade de adaptação. Somada a criatividade, flexibilidade e
iniciativa complementam a qualificação técnica, as hard skills.

Sim! Preparação tem relação direta com adaptabilidade!
Darwin voltando: não são os mais fortes que sobrevivem e sim o que se adaptam
melhor as mudanças.

Por isso afirmo: somos a nossa primeira Startup. O nosso
primeiro MVP. A nossa primeira experiência de aprendizado e adequação às
realidades do mundo com foco na nossa relevância e utilidade e, principalmente,
aprendizado e evolução. Estamos sempre em Beta!

É claro que o ser humano não se resume assim. Mas é fato: cada
vez mais seremos chamados a ser o que somos em profundidade, com a aplicação de
um propósito maior de vida em benefício da humanidade.

Se somos nossas primeiras startups, precisamos saber
exatamente qual o nosso valor e se ele tem retumbância com os outros seres
humanos no mundo! Bem-vindos a uma nova realidade antiga: conhece-te a ti mesmo
e faz ao outro o que gostaria que ele te fizesse!

Acrescentando: de autocentrismo e individualismo para
empatia e colaboração! Caminhos de aprendizado e evolução! Alma das melhores
startups!


César Silva é Escritor, Empreendedor e Mentor de Negócios PMBM®, Autor do e-book Inspirando
Rumos – Histórias
, Editora
Temas Preferidos.

Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br. Artigo opinativo com
reflexão e sem fronteiras!


#amor#cumplicidade#criatividade#estratégia#autonomia#liderança#importância#tolerância#gratidão#reinventese#mentordenegocios#cesarsilva#césarsilva#simplesmente#inspirandorumos#empreendedorismo#inovação#propósito

Sair da versão mobile