Quando uma sequência ruim de resultados atinge um time de futebol, os
dirigentes sempre acham a “solução mágica”: demitir o treinador e chamar outro
comandante para “organizar a casa”.
Mas será que é sempre o treinador o culpado
pelos resultados ruins de uma equipe?
Proponho esse debate pelo fato que verificamos nessa semana com um clube brasileiro,
mas que vale para quase todos.
O Athlético Paranaense demitiu seu técnico após
a primeira derrota na temporada. Exatamente, a primeira derrota em 18 jogos.
Que
tipo de planejamento é esse que interrompe um ciclo de trabalho no primeiro
insucesso? E se o próximo treinador perder em seu jogo de estreia, também vai
ser mandado embora?
Alguns pontos podem ser analisados nesse cenário: o dia a dia interno
dos clubes é um mistério, não temos ideia do relacionamento entre dirigentes e
subordinados; como será que se dá a relação com treinador e jogadores?; o esquema
de jogo é o que o clube esperava? Tudo isso precisa ser levado em conta, mas não
diminui o fato de que interromper um trabalho depois de 18 jogos e uma derrota
é algo, no mínimo, fora de contexto.
E as gestões? Quem analisa o trabalho de dirigentes, afinal, são eles
que colocam os jogadores à disposição dos treinadores, eles que controlam as
finanças, eles que detalham o planejamento. Eles não erram e se precipitam?
Na minha visão, os treinadores têm culpa quando não conseguem tirar mais
soluções de seus comandados, mas não são os únicos responsáveis pelos insucessos.
Tenho certeza que a pressão popular, de profissionais da imprensa e conselheiros
interfere diretamente na tomada de decisão dos gestores.
Um trabalho de longevidade, superando adversidades
e mantendo planejamento, com certeza, vai ser um projeto vitorioso de muitas
alegrias para os torcedores.
