Ser diferente é uma heresia?

Diversidade e respeito têm sido as palavras da hora. Será? É quase uma heresia ser
preconceituoso e julgador nos dias de hoje.

Costumo afirmar que ainda somos “bairristas” (aqui é melhor) em muitas situações.
Ser diferente não significa ser o melhor. Alguns exemplos se encaixam aqui:

-Sou do Rio Grande do Sul. Nosso hino afirma: “sirvam nossas façanhas de
modelo a toda terra”. Em resumo: sigam nossas conquistas. Elas são
exemplos de ação para todos. Somos pretensiosos, hein?! Só espero que
não copiem nossos momentos não tão felizes.

– Quando uma pessoa desconhecida se insere em nosso meio familiar: uma
nora, um cunhado, um namorado, uma namorada, um padastro, uma madastra.
Até um pet novo. Os olhares desconfiados, as perguntas capciosas, as
brincadeiras para testar a pessoa. Uma certa resistência
natural. Um julgamento subliminar: tem alguém diferente na área!

– Um funcionário ou funcionária iniciando em uma empresa. A famosa
“primeira impressão”: ela é afiada como um machado. Ela é poderosa e
certeira. Se o novato ou novata não estiverem preparados e seguros, o
que é difícil no começo, espere por momentos constrangedores.
E a velha máxima: recém chegou e já está dando opinião. Não sabe de
nada!

– Quando estamos aprendendo algo novo, o diferente costuma desacomodar. O
pensamento viaja em diversas direções e o cérebro dá um “jeitinho” de
justificar a manutenção da nossa postura: “a pessoa que está falando não
trabalha aqui”, ela “não sabe como as coisas
funcionam” ou “já fiz isso em outra época e não funcionou”.

O cérebro gasta muita energia e está com o “modo econômico” ligado sempre. Isso significa que qualquer esforço que não tenha se transformado em rotina, recebe uma “chuva” de desculpas e resistências.

E as opiniões diferentes? Elas têm dividido o país há décadas entre
direita e esquerda? Divido grupos de amigos, familiares e colegas de
trabalho?

Aqui, confundimos opinião com decisão. Não tem nenhum custo ouvir
as justificativas de alguém sobre determinado assunto. Você não precisa
decidir naquele momento que tudo mudará, que você dê o “braço a
torcer”.

Retirando a briga de egos do cenário, é só ouvir, ser educado e reforçar
a importância em ter uma opinião. Atualmente, é um luxo de quem estuda e
desenvolve seu senso crítico. Podemos seguir a vida sem estresse se
respeitarmos um princípio básico e imutável:
somos todos diferentes.

O acesso à informação está democratizado e ao alcance de uma pesquisa ou
de uma pergunta à Inteligência artificial. Ter conhecimento não é mais
um diferencial. É uma escolha de repertório.

Ser você mesmo, SIM: é um grande diferencial!

Com princípios e ações de um ser humano. Com vulnerabilidades, sensibilidade e sentimentos.
Não somos máquinas. Martha Gabriel, Phd, especialista em tecnologia afirma: “se você não quer ser substituído por um robô, não seja um robô.”

Somos únicos em essência, corpo, cultura, conhecimentos e vivências.
Ajustar-se à sociedade não é o mesmo que adaptar-se às mudanças.
Ajustar-se é violar nossas escolhas, aceitando um “normal” que não tem relação conosco.

Adaptar-se é ser flexível e aberto à novas experiências,
investindo naquelas que fazem sentido ao nosso estilo de vida e perfil.
Por isso: seja diferente sendo você.

Parece um paradoxo e uma obviedade. Mas, no mundo de hoje, é uma libertação.

#diferente #autogestão #autoconhecimento #adaptação

Artigo publicado no portal Martinbehrend.com.br

Confira o artigo em vídeo:

Sair da versão mobile