Ele segue imponente. Mesmo fechado e lacrado, com a fachada
com marcas da poluição e da sujeira, o prédio chama a atenção de quem circula
na Rua Marcílio Dias. Detalhes com o símbolo do clube estão na porta da
desativada secretaria, nas grades da porta principal e na parte superior da
estrutura. Endereço de grandes eventos sociais, esportivos e culturais, a
antiga sede social do Grêmio Atiradores Novo Hamburgo vive um impasse e drama
jurídico. Um patrimônio da história e da arquitetura do município espera calado
para saber o que o futuro reserva. Um endereço de grandes decisões políticas,
eleitorais e econômicas está adormecido num imbróglio sem fim.
Em maio de 2007, o Atiradores vendeu sua sede social
por R$ 2,5 milhões – 60 parcelas de R$ 15 mil e repasse de passivo trabalhista
de R$ 1,6 milhão. O comprador foi Dimon Empreendimentos. O objetivo do clube
era limpar sua ficha e receber recursos para investir na sede campestre na Rua
Guia Lopes, que segue em atividade e com bom número de sócios e frequentadores.
Contudo, nem 20% do acertado foi pago. Na sequência, o imóvel foi repassado da
Dimon para Sergio Luiz Martins da Silva, que ficou com a responsabilidade de
honrar o contrato.
Só que a novela não encerra neste capítulo. Em 10 de julho
de 2011, houve a indisponibilidade do bem pela Justiça Federal a pedido da
União para pagamentos de créditos devidos pelo Atiradores. Com isso, seria
necessário um leilão para pagar esta dívida com o INSS. Para completar esse
quadro nada linear e tranquilo, dois meses após essa indisponibilidade, houve
mais um negócio envolvendo o imóvel. Josiane Zanoni comprou o prédio de Sérgio
Martins por R$ 1,2 milhão. E atualmente é ela que busca na Justiça a garantia
de posse da antiga sede social do Atiradores.
ADVOGADO DO ATIRADORES
O advogado Daniel Von Hohendorff está defendendo o Grêmio
Atiradores. Num dos mais recentes movimentos, ele apresentou uma Reconvenção
solicitando reintegração de posse. “O clube vem tento uma sucessão de
prejuízos. Além do pagamento não ter sido efetuado, o Atiradores deixou de
explorar as dependências para fazer renda, seja com eventos ou outras promoções.
Também não conseguimos retirar equipamentos do bolão. O prédio vem se
deteriorando e isso representa prejuízos contínuos”, relata Von Hohendorff. Ele
lembra que o clube está envolvido em diferentes projetos sociais com crianças,
tem a prática de esportes permanente e o estande de tiro é local de prática
para soldados da Brigada Militar. “O clube precisa seguir sua vida. Como o
contrato não foi honrado, estamos solicitando a posse para evitar ainda mais
perdas”, explica.
Segundo o advogado do clube, este negócio de Martins com
Josiane teria uma série de procedimentos indevidos. “Houve a compra de um bem
imóvel sem escritura pública, que estava penhorado para acertar créditos com a
União. Também tem a questão de impostos não recolhidos, já que não temos nos
autos a comprovação dos tributos pagos nem a comunicação ao Coaf (Conselho de
Controle de Atividades Financeiras”, destaca o advogado.
ADVOGADO DE JOSIANE
Josiane Zanoni está se manifestando sobre o caso através do
seu advogado, Julião Ludwig. Mesmo assim, ele informa que tem pouco a
acrescentar além do que já consta nos processos. Segundo Ludwig, os
compromissos assumidos na compra do imóvel estão sendo honrados e as questões
jurídicas estão sendo resolvidas. Ele também frisa que existe um problema envolvendo
a metragem da área – foi informado uma medida menor na área da venda. O
advogado comenta que uma das ideias da atual proprietária seria transformar o
imóvel num depósito, já que a família trabalha no setor de atacado. Atualmente,
um zelador reside no imóvel a fim de evitar depredações ou outras ações
criminosas. “Estamos aguardando algumas manifestações da Justiça para poder
encaminhar as situações pendentes”, completa.
