Se usou dinheiro público para se formar, empreender ou evoluir, qual a melhor compensação?

Sei que o tema é espinhoso e adoro rosas!
Vamos lá! A resposta, na minha opinião, é que a contrapartida deva ser na mesma
proporção do ganho, e que seja distribuída em benefício de todos, pagantes
desses investimentos através de nossos impostos. A aplicação social do investimento!

Seja o subsídio de financiamentos pessoais
ou empresariais, universidades públicas ou qualquer benefício proporcional.
Seria um sistema de retroalimentação automática, de compensação obrigatória e
com benefícios à comunidade mais próxima ou de origem da pessoa ou empresa.


É claro que muitos irão arguir que é
obrigação do Estado a educação, saúde, segurança e tantos outros serviços
obrigatórios em lei. Sim, concordo! Mas não são todos que utilizam recursos
públicos em sua educação ou em seu negócio a fim de melhorar de vida e evoluírem
no país. Falo somente destes!


Outros dirão que não existem leis que
suportem tal ideia. Bem, leis se criam e se aprovam a cada instante que, na
maioria das vezes, mais atrapalham do que ajudam a vida das pessoas.


Com tantos eleitos novos e aparentemente
bem intencionados, não haveria um sequer que apadrinhasse essa ideia? Que
discutisse com toda sociedade esse assunto e não somente com pequenos grupos
interessados em manter o status quo?


Não tenho partido político e muito menos
interesses financeiros nisso tudo. Somente entendo que seja justo com a
população que um profissional formado com nosso dinheiro tenha uma
contrapartida proporcional por algum tempo de forma coletiva. Nada mais!


Liberdades cerceadas


E a liberdade de escolha, onde fica? E a
capacidade de pagamento que muitos não têm e se tornariam “lacaios do estado”?
E a quantidade de impostos que deixam de ser aplicados em áreas essenciais? E a
educação, não seria o futuro da Pátria?


São muitas questões a serem analisadas.
Como disse, não existe ainda uma ideia formada sobre o tema e o simples fato de
levantar uma opinião não significa o fim da discussão, e, sim, o início do
caminho!


Seria tão bom se o mundo fosse justo e
todos tivessem condições mínimas e básicas de se desenvolver, desde que tenham
pró-atividade e participação efetiva, sem paternalismos, utilizando seus
talentos e sendo auxiliados a evoluir. Cada um Segundo as suas obras, já dizia
Jesus!


Cercear a liberdade de um formando não seria
tão ruim quanto não atender o direito de um paciente em um posto de saúde sem
atendimento? Ou de uma escola pública sem professor? E assim vai…E se fosse o seu
filho, você lutaria por isso, não é?


A visão sistêmica de uma sociedade é tarefa de
poucos e deficiência de muitos. A “umbigotite” aguda toma conta até dos
extremos, direitistas e esquerdistas, que não abrem mão dos benefícios quando
estão com o poder. Muito poucas exceções há a essa regra, vamos dizer, culturalmente
aceita.


Desorganização Social e memorex


É tão interessante que o partido que sai do
poder critica o que não fez a fim de que o outro também não faça e o ciclo
vicioso da “não realização” se instala, com tropeços e solavancos que a
população não tem mais condições de suportar.


A manutenção da
dependência ao Estado é tão nociva quanto a anulação dele!


Ao mesmo tempo, aparecem movimentos de todos os
tipos que pressionam a estrutura institucional, através de notícias e
provocações subliminares, com o único objetivo de desestabilizar o sucessor,
através da dita “opinião pública”. Até quando vamos aguentar isso? Vivemos em
uma democracia de espertos e manipuladores? Só em um Brasil sem esclarecimento!


A população, da cor que for, raça que for,
credo que tiver, idade que está, não tem mais como sustentar essas variações
que beneficiam especuladores de décadas em nosso país. Os juros mais altos são
aplicados aqui sobre uma população sem educação financeira para se equilibrar
em seus compromissos.


O não investimento em educação e escolaridade
provoca um efeito em cascata que retroalimenta o sistema pernicioso de um povo
sem capacidade cognitiva, interpretativa, na sua maioria, de criticar e se
posicionar conscientemente.


Essa desorganização social nos leva ao caos e
proporciona um efeito contrário ao desejado: a diminuição da atividade
econômica, a falência do sistema institucional, caos social e , principalmente,
a descrença geral. Um povo sem virtude acaba por ser subjulgado, seja
intelectualmente ou financeiramente.


O caso da Estônia é um ponto fora da curva que
foi alavancado por iniciativas de investimentos estatais e privados, além do
terceiro setor, com objetivo de desenvolver a economia e criar cidadãos capazes
de gerir a si com tecnologia. A autonomia é cultivada e as crianças são
incentivadas a irem a pé para as escolas. Legal , não é? E por quê não aqui?


Digitalização do GAP


Haverá em breve um Gap, ou buraco, entre
aqueles que entendem as mudanças do mundo e outros que não tem a menor ideia do
que está acontecendo. É interessante que isso pode gerar uma oferta a um mercado
que não sabe consumir e utilizar o que é oferecido.


É um tiro no pé!


Alguns já perceberam e já estão se fortalecendo
para se inserir em meio a toda disrupção. E a grande maioria, se deu conta
disso? Nosso papel como cidadãos conscientes e de uma sociedade interligada
seria auxiliar ou excluir esses “consumidores”? É mais fácil entender essa
palavra?


Ou nos fortalecemos como comunidade ou não
haverá comunidade organizada que sustente qualquer evolução supersônica. Não
estaremos seguros o suficiente a ponto de deitarmos nossas cabeças e estarmos
em paz. Essa realidade berra aos nossos ouvidos e emerge abaixo de nossos
olhos.


Cada notícia que leio na direção de auxiliar
aqueles que precisam rapidamente se inserir nessa nova onda de mercado é como
um acalento ao coração de um cidadão. Quanto menos barulho fizermos e mais
soluções criarmos, haveremos de ter uma comunidade que se orgulha de si.


É como uma família: de nada adianta alguns
estarem bem se outros não estão. Cabe a família dar suporte e arregaçar as
mangas àqueles que desejam esse auxílio. E aqueles que não querem? Bem, mais
cedo ou mais tarde a vida se encarrega de convencer eles, por bem ou pelo
sofrimento!


Nunca defendi a socialização de nada! Defendo,
sim, a justiça social a todos, sem distinção. O melhor sistema de governo é
aquele que funciona e melhora e vida das pessoas. Isso não acontece no Brasil,
não é?


Fica aqui minha
singela sugestão: compensar quem necessita com o esforço, nada extraordinário,
de quem se beneficia! Simples assim!


E, citando novamente Jesus, profético e atual:
fora da caridade não há salvação! Alguma comparação útil com o mundo atual e o
Gap eminente? Onde há mais presídios e menos escolas, algo está acontecendo há
décadas…


César Silva é professor, escritor, consultor
e mentor. Head of Business
@cesarsilvasimplesmente, Professor/Tutor
Externo IERGS/Uniasselvi, Conselheiro da Fenac S.A.

Artigo publicado no
portal
www.martinbehrend.com.br .
Disponível em
www.cesarsilvasimplesmente.com.br e www.inspirandorumos.com.br.

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