A pandemia veio para mudar muitos paradigmas da
sociedade, mas nem todas as pessoas ou entidades seguiram essa lógica.
Uma
delas, muito conhecida, parece que vive em um mundo paralelo e deixa a vida das
pessoas em segundo lugar: a Confederação Brasileira de Futebol, a nossa querida
CBF.
Já havia escrito neste espaço sobre a ganância que
essa entidade tem pela questão financeira, sempre deixando de lado o
desenvolvimento e a formação, mas me iludi ao ponto de pensar que a pandemia
poderia trazer algo diferente aos comandantes do futebol brasileiro.
Os casos mais recentes me deixaram, como amante do
esporte, profundamente indignado como os profissionais e suas vidas são
tratados pela CBF.
Na última semana, pela Série B do Campeonato Brasileiro,
o Guarani não recebeu aval de adiamento de um jogo por surto de infectados pelo
coronavírus. Resultado: apenas 13 atletas estavam à disposição para o jogo sendo
que o 13º chegou ao estádio menos de 20 minutos antes de a bola rolar. E a preparação
da equipe? E a igualdade de condições para a prática desportiva? Sem contar que
o adversário também é um dos postulantes ao acesso. Não haveria como ser diferente: o Guarani foi goleado.
Já no sábado, também pela Série B, um jogador foi
substituído no intervalo porque durante o primeiro tempo a equipe médica do
clube recebeu o resultado que o atleta estava infectado pela Covid-19. Mas como
entraram em campo sem os testes negativos? Como o protocolo permite tal
situação? E o laboratório será descredenciado depois de situação como essa?
Respostas para as perguntas dos dois casos
certamente não seriam respondidas caso enviadas aos dirigentes da CBF, e sem preocupação
nenhuma por não prestar tais esclarecimentos. E o motivo é simples: a CBF quer
que as partidas sejam jogadas para honrar seus compromissos publicitários e
receber seus pagamentos.
Calendário justo e respeitoso com atletas, formação
de base para prospecção de craques, apoio ao futebol do interior para torneios
mais competitivos são assuntos que passam longe das reuniões desses “cartolas”.
Enquanto isso nós, amantes do esporte, nos contentamos com o que nos é oferecido
e torcendo para que a vida dos profissionais envolvidos nas disputas seja enfim
valorizada.

























