Na manhã desta terça-feira (22), a partir de uma sugestão de pauta de leitores, estive no bairro Roselândia, em Novo Hamburgo.
Ao realizar meu deslocamento e estacionar próximo do local da pauta – que não é o assunto que motivou esse artigo -, tive minha atenção despertada por uma situação que, admito, não é nova, mas ainda choca, revolta e entristece.
Mais do que isso: é o registro do abismo que ainda temos de superar para se ter um futuro melhor nas cidades brasileiras de médio e grande porte.
A cena era um pequeno lixão junto a uma árvore. Diversos materiais e galhos secos se acumulavam. Bem em frente ao lixão tem uma placa instalada pela Prefeitura:
“PROIBIDO DEPOSITAR LIXO E ENTULHO. DENUNCIE”
Ainda mais grave: tudo isso ao lado de um córrego. Ou seja, numa chuva mais forte é grande o risco desse lixão ir parar dentro do curso de água que tem por ali.
Quem fez isso:
– Não está preocupado com o meio ambiente
– Ignora o risco de alagamentos e de entupir arroios
– Não está incomodado com questões de saúde
– Não respeita uma orientação básica da Prefeitura
Quem fez isso é um sabotador da cidade. E, vai saber, depois pode ir numa rede social reclamar de sujeira, mosquito da dengue ou de problemas com alagamentos. Lamentável
Aproveito essa situação para registrar que a Prefeitura de Novo Hamburgo deve melhorar, sim, o seu sistema de recolhimento de entulhos. Existem alguns endereços adequados para descartes e até reciclagem – quase toda semana levo embalagens plásticas, vidros, papelões, etc, na Rua Lopes Trovão, no bairro Industrial -, mas podem ser criados mais espaços acessíveis para ajudar a comunidade nesse processo. É preciso oferecer mecanismos que facilitem a correta destinação dos materiais.
Só que tudo tem limite.
Quem sai de casa e despeja toda essas porcaria junto a uma árvore, ao lado de um córrego, num local que tem orientação explícita de proibido descartar, é o tipo de pessoa que não tem espírito de cidadão. Ela está disposta a sabotar a sua cidade. Afirmo por experiência: na maioria das vezes não têm relação direta com a realidade financeira da pessoa, mas, sim, com educação e valores básicos de respeito e amor ao próximo.
Quem gosta, cuida.
PS: No Portal Martin Behrend, publiquei várias reportagens com exemplos positivos de áreas que foram recuperadas pela Prefeitura e recebem a “proteção” e manutenção de moradores e da comunidade. E também registrei locais que, mesmo sendo limpos e com plantios de mudas de árvores, voltaram a se tornar lixões. Nessas situações, a diferença se deu pela educação e postura dos moradores. Fico na torcida para que o número de sabotadores siga reduzindo. A cidade e o meio ambiente agradecem.
