Sabe onde colocar a tocha?

Em meio a um colapso econômico, político,
e, sobretudo, de paciência, a tocha olímpica atravessa um país onde ela não é
bem-vinda. Após quase R$ 40 bilhões
investidos em obras não prioritárias – para não dizer desnecessárias – a
travessia da chama vem sendo ofuscada pela epopeia de políticos que insistem em
atrair a nossa atenção para os seus feitos heroicos.

Esta coleção de fatos
históricos que presenciamos hoje poderia, talvez, ser considerada a maior
proximidade entre as Olimpíadas do Brasil de 2016 e o mitológico espirito
olímpico grego. Entretanto, as atuais ruínas modernas espalhadas pelo país que
sediou o evento há pouco mais de uma década provam a existência de uma conexão
muito mais recente e tangível a ser feita.

Similar ao que vem
acontecendo no Brasil, já existiam questionamentos sobre a capacidade Ateniense
de sediar as olimpíadas antes mesmo do início das obras. Entretanto, o romantismo
de trazer o evento novamente ao seu berço natal prevaleceu. As olimpíadas de
2004 custaram a Atenas cerca de U$ 11 bilhões de dólares, um número bastante
próximo ao aplicado pelo Brasil em 2016. Hoje, 12 anos mais tarde, a maior
parte dos investimentos encontra-se abandonado e gerando despesas de manutenção
e segurança aos cofres públicos.

A escolha por se
tornar um país-sede foi equivocada, e é considerada um dos motivos que levaram
a Grécia à profunda crise nos anos que se sucederam. O Brasil já está em crise!
Ademais, grandes esquemas de corrupção vieram à tona anos mais tarde: um
ministro dos transportes fora indiciado por lavagem de dinheiro e receptação de
propina da multinacional Siemens em contratos relacionados aos jogos. Imaginem
o que está por vir em nosso país…

Receber a festa
olímpica na situação atual beira o ridículo. Mais ridículo ainda é não saber
quem será o chefe de estado a discursar (e ser vaiado) na abertura dos jogos.
Será Dilma? Será Renan? Será Lewandowski? Será Tiririca? Enquanto isso,
assistimos à tocha olímpica cruzar as estruturas que em alguns anos estarão
abandonadas e serão um fardo a economia popular. Se as arenas construídas para
a copa do mundo de futebol, esporte que recebe atenção total dos brasileiros, estão
assim, o que leva alguém a pensar que estádio de outros esportes não estarão?

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