Retirado das águas por dívidas, barco do Instituto Martim Pescador não tem previsão de voltar ao Rio dos Sinos

Por: DOC – Agência de Conteúdo

Pelas
curvas do Rio dos Sinos o martim-pescador dá rasantes sob a água turva.
Frequentador da região, durante anos ele teve encontros frequentes com visitantes
que abordo de outro martim-pescador vinham conhecer e aprender sobre o Sinos.
Desde dezembro de 2015, no entanto, a pequena ave perdeu o contato com o público:
o barco do Instituto Martim Pescador foi retirado do Rio dos Sinos em função de
dívidas trabalhistas da entidade no valor de R$ 106 mil, deixando ainda mais
abandonado o rio que garante o fornecimento de água de milhares de gaúchos.


O
Instituto Martim Pescador se dedica à preservação do Rio dos Sinos, e também
trabalha na educação das crianças da região. Anualmente, centenas de alunos
conheciam o Sinos a bordo do barco, e aprendiam sobre a importância de
preservar aquelas águas. Desde que o barco que leva o nome da entidade foi
retido por uma decisão judicial o trabalho está paralisado, e não há previsão
de solução para o problema.

As
dívidas trabalhistas do Instituto Martim Pescador se acumularam durante anos,
até a ação judicial coletiva dos ex-funcionários. A direção da entidade não
nega os débitos, nem que a reivindicação seja justa, mas contesta a medida que
retirou o barco do Sinos. “Quando assumimos sabíamos desse passivo, sabíamos
que a dívida de fato existia. No entanto, o barco é o instrumento de trabalho
do Instituto. É através dele que o Martim-Pescador se mantém, realizando
trabalhos em parceria com prefeituras e entidades da região. Ao retirar o barco
a Justiça impediu que tentássemos fazer esses pagamentos”, afirma o presidente
do Instituto Martim-Pescador, Júlio Agápio.

Atualmente
o barco segue atracado no porto da Patrulha Ambiental da Brigada Militar, em
Porto Alegre. A expectativa é de que ele vá a leilão, mas não há previsão para
que isso aconteça. O Instituto Martim Pescador trabalha em duas frentes. Na
primeira, busca doações com empresas para quitar os débitos antes da eleição.
Na segunda, busca apoio da prefeitura de São Leopoldo para tentar pagar os
débitos ou arrematar o barco em um leilão. “Temos conversado com o prefeito Ary
Vanazzi e a prefeitura está disposta a reaver o barco e nos ceder em uma
parceria com o município. No entanto, falta a base jurídica para que isso seja
feito pagando as dívidas, ou então temos de esperar para o arremate no leilão”,
reforça Agápio.

A Prefeitura de São Leopoldo buscou informações sobre o processo, mas não é parte
da ação judicial. A Justiça informou à Secretária Municipal do Meio Ambiente de
que seria necessário aguardar o leilão. De acordo com a assessoria de imprensa
da prefeitura de São Leopoldo, “a assessoria jurídica da Secretaria do Meio
Ambiente está estudando se a prefeitura pode participar do leilão para
arrematar o barco”. De concreto em relação à volta do barco ao Rio dos Sinos
ainda não há nada. Enquanto isso, o martim-pescador segue seu voo solitário
pelas curvas de um rio cada vez mais abandonado.

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