Remexendo o baú

Chega o dia
em que é absolutamente necessário. A cacarecada esta ali há muitos e muitos
anos e é quase que vital para a sobrevivência abrir-se um espaço que afinal a
gente também precisa respirar.

São velhas
cartas, recortes de jornais, receitas culinárias e finalmente as fotos! Ah! As
fotos. As fotos são especialmente antigas, muito antigas e aqueles que já
foram antigos rostos hoje parece que estão nos fitando, encarando seriamente e dizendo meio
entredentes: você era assim naquele tempo, lembra?

Pois parece
que as fotografias foram feitas exatamente para serem vistas depois de muito
tempo. Na verdade é uma situação que foi imortalizada e comentada no mínimo
vinte anos após terem sido tiradas.

E elas estão
mesmo ali há vinte anos ou mais lotando aquele bauzinho cuja tampa nem fecha
mais esperando para serem embaladas novamente e guardadas para mais um período
de vinte anos.

Mas enfim, a
limpeza tem que ser feita, as gavetas têm de ser esvaziadas, os armários
organizados e aquela papelada que retrata o passado deve sofrer um processo de
higienização drástica

Então isto
vai, isto fica, isto é importante, e
isto deverá ser definitivamente descartado. E como tem papel. Sacos e mais
sacos de lixo vão sendo enchidos e as sobras recebendo o cuidado da incineração
para não ficar voando por aí ao alcance de qualquer pessoa. Afinal, toda aquela
papelada tem uma relação de um certo testemunho com toda uma família, inclusive
sobre pessoas que não estão mais conosco e não é possível adiar indefinidamente
o momento de enfrentar o passado. E como é duro a gente se livrar dele.

E para
encerrar, o mais interessante é que justamente no passado que se acham
explicações para o presente chegando-se até a encaminhar surpreendentes
soluções para o futuro.

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