Raiva e vergonha: mais de R$ 1 mil numa troca de óleo

Nesta quinta-feira (15), a assessoria de imprensa da Prefeitura de São Leopoldo enviou uma notícia envolvendo a atuação do Procon leopoldense num posto de combustíveis.

Lendo o conteúdo, consegui convencer uma leitora hamburguense a compartilhar uma experiência bastante ruim que ela teve num caso parecido, mas num posto de Novo Hamburgo.

Mas, antes, detalho o caso de São Leopoldo.

Nesta quarta-feira (14), a fiscal do Procon de São Leopoldo, Cibeli Prado, compareceu em um posto de combustíveis após denúncia de um consumidor devido à cobrança irregular.

O motorista foi abastecer seu veículo e recebeu a oferta pela troca de duas palhetas do limpador de para-brisa no valor de R$ 75,00. Após a finalização do serviço, foi cobrado R$ 150,00 com a justificativa de que se tratava do preço de cada peça – e não do par.

O consumidor realizou a compra e solicitou a nota fiscal. Entretanto, foi exigido o valor mínimo de R$ 290,00 para emiti-la. Devido a toda esta situação, o consumidor acionou o Procon-SL.

O proprietário do posto estava no local e efetivou a venda das duas palhetas pelo preço original de R$ 75,00, e devolveu o valor pago a mais. Ele recebeu a notificação para realizar adequações sobre a transparência na precificação dos produtos e dos serviços, para manter uma imagem mais clara dos preços ao consumidor. As correções devem ser feitas e comprovadas para o Procon de São Leopoldo, com prazo determinado.

“Há um efeito pedagógico nessas ações, no sentido de conseguir um ambiente cada vez mais eficiente nas condições de consumo em nossa cidade”, explicou Cibeli Prado.

O Procon reforça a importância das denúncias que ferem os direitos dos consumidores, pois contribuem para que seja tomada uma ação de imediato na busca não só da reversão de uma situação concreta, assim como possa ser corrigida uma conduta lesiva do fornecedor.

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (lei federal 10.962), é obrigatória a apresentação dos preços de forma visível e legível, tanto nas operações nos ambientes físicos como no ambiente virtual.

NOVO HAMBURGO

Já o caso de uma hamburguense aposentada, de 70 anos, ocorreu em julho deste ano. Ela ficou com tanta raiva e vergonha do acontecido, que tomou “coragem” de relatar os fatos aos familiares apenas em setembro – há poucos dias. Ela queria esquecer o episódio em que se sentiu enganada. Mas, com o passar dos dias, julgou que a família deveria saber para que outros não passassem pela mesma situação.

Ficou combinado que eu não mencionaria o posto, pois ela não quer nem pensar no estabelecimento. Ela aceitou que o relato focasse no procedimento adotado pelo estabelecimento.

Essa hamburguense chegou para abastecer seu veículo – era dia frio e chuvoso. Naquela data, ela estava com resfriado, dor e cabeça e um quadro de bastante desconforto. Anteriormente, tinha passado numa farmácia para comprar medicamentos.

Um frentista se aproximou e perguntou qual o combustível colocar. Enquanto completava o tanque, ele sugeriu trocar o óleo. A motorista, que estava desgastada, achou que poderia ser prático fazer a troca no local – isso evitaria ir na concessionária e, diante do seu resfriado, seria um deslocamento a menos.

Então, convidaram a motorista para entrar na lojinha do posto. Acomodaram num cadeira e ofereceram um café quentinho. Vendo que ela estava com o resfriado, o funcionário sugeriu que poderia ser problema do filtro do ar-condicionado, e recomendou trocar a peça. Fragilizada, a aposentada teria acenado com um OK.

A próxima abordagem foi para trocar as palhetas do limpador de para-brisa – lembram do caso acima, de São Leopoldo? Neste momento, a hamburguense achou que tinha algo errado, que estava passando dos limites, pois as peças estavam em dia. E não autorizou.

Alguns minutos depois, o funcionário chegou com um cesto carregado de embalagens plásticas de diferentes produtos. A motorista perguntou, então, do que se tratava. Ele respondeu que tudo aquilo tinha sido colocado no carro – incluindo outros produtos que ela não recorda ter solicitado. Com os itens reunidos, outra funcionária começou a somar, somar e somar.

Eis que apareceu o valor a ser pago: com o combustível mais a troca de óleo, do filtro e sabe-se lá o que mais, a conta passou de… R$ 1,4 mil – mais de mil e quatrocentos reais!


E, somente daquela troca de óleo inicial, foi mais de R$ 1 mil em outros produtos.

A motorista ficou em choque. Ao mesmo tempo, estava cansada, com o corpo desgastado pelo resfriado. Ela percebeu que aquilo não estava certo, mas tudo que queria era chegar em casa. Refeita do susto com o valor, a motorista pagou o valor e foi embora.

“Raiva e vergonha. Foram esses os sentimentos que tive ao sair dali. Eles se aproveitaram da minha fragilidade. Depois, chegando em casa, eu lembrei que meu carro indica quando o nível de óleo está baixo. Fui enganada. Nunca mais volto neste local, e faço o alerta para que as pessoas fiquem atentas com essas abordagens. É claro que existem postos e funcionários corretos. Sabemos que existem ótimos exemplos. Mas tem esse outro lado. Tirando o combustível, paguei mais de R$ 1 mil por um monte de coisa que não precisava”, desabafou a motorista.

Ela recomenda que as pessoas perguntem antes os preços e o que será colocado no veículo. É uma maneira do cliente estar prevenido e ciente dos valores que serão cobrados. Mesmo ela sendo uma motorista experiente, com quase 50 anos de CNH, bastou um descuido para aparecer uma conta pra lá de inesperada no orçamento mensal.

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