O vereador de Novo Hamburgo Felipe Kuhn Braun (PSDB) é jornalista e escritor.
Tem mais de 25 livros publicados. Já foi patrono de Feira do Livro de Dois Irmãos.
Ele sabe a importância das feiras e dos livros. É fundamental para escritores, para novos leitores, para a economia.
Na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, ele é o presidente da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia (Coedu). Pautas de educação e cultura ganham protagonismo nesta comissão, onde os integrantes teriam o papel de defender vigorosamente as demandas destas áreas
É por isso que beira o inacreditável que ele tenha votado a favor, por três vezes, do projeto de autoria do vereador e prefeito eleito Gustavo Finck (PP), que “Veda a realização de eventos festivos com a utilização de recursos públicos quando o município se encontrar em estado de calamidade pública ou em situação de emergência.”
SEM RECURSOS PÚBLICOS
Em razão da nova lei apoiada por Kuhn Braun, a Prefeitura ficou impedida de aportar recursos e decidiu cancelar a 40ª Feira do Livro de Novo Hamburgo. Milhares de estudantes serão prejudicados e ficarão sem poder participar de um evento com quatro décadas de história.
A nova lei diz que não se pode repassar recursos para eventos festivos em período de calamidade – situação atual. No Artigo 2º, detalha: “Eventos festivos municipais são todos aqueles previstos em calendário oficial ou realizados por secretarias municipais, bem como a data magna do Município, realizados com recursos públicos, seja de forma integral ou parcial”. A Feira do Livro é realizada por secretarias, logo, não pode receber recursos.
O Portal Martin Behrend destacou o cancelamento da Feira do Livro: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…
Felipe Kuhn Braun poderia ter se levantado contra o projeto em defesa da cultura, da educação e da economia de Novo Hamburgo, já que a feira movimenta o comércio na região central, escritores locais são prestigiados, artistas são contratados para as atrações culturais.
Ele poderia ter votado em agosto, por duas vezes, contra o projeto. Mas foi a favor. Em outubro, poderia ter votado a favor da veto da prefeita, mas pela terceira vez manteve o mesmo posicionamento.
Agora, diante da repercussão negativa do caso, ele disse que vão criar uma emenda que vai permitir, aos 45 minutos do segundo tempo, que a Prefeitura aplique recursos na Feira do Livro. Somente agora, faltando poucos dias para o evento, ele mudou de ideia. Mais do que isso, ele argumenta que com a emenda que ainda terá de ser aprovada, se o evento não sair, a culpa é da Prefeitura, que cancelou de forma precipitada o evento. Felipe acha que se contrata toda a estrutura para uma grande Feira do Livro num estalar de dedos.
Que vergonha, Felipe. Was für eine Schande – como fala alemão fluente, o parlamentar sabe do que se trata.
Minhas hipóteses:
– Felipe não leu o projeto e votou para prejudicar a Prefeitura.
– Felipe leu o projeto e votou para prejudicar a Prefeitura.
– Felipe leu e votou contra eventos de educação e cultura, mesmo sendo o presidente da comissão que prioriza pautas de educação e cultura.
– Vale lembrar: o projeto foi votado em primeiro turno, em segundo turno e ainda teve o veto da prefeita para ser analisado – o veto explicava os impactos. Foram três chances de tentar impedir a aprovação. E, por vontade própria, Felipe votou sempre pelo projeto.
Felipe Kuhn Braun poderia ter a humildade de dizer: Sim, errei; não avaliei corretamente.
Mas, além de não assumir que seu voto vai prejudicar eventos da educação e cultura, ele ainda quer jogar a culpa na Prefeitura, conforme esclareceu ao Portal Martin Behrend sobre seu posicionamento: “Lamento que tenham cancelado. Nós apresentaremos uma emenda e eles poderão fazer. Não tem porque cancelar. Acho que a Prefeitura se precipitou em cancelar isto tudo.”
Felipe ainda disse que, “Se o Executivo não realizar os eventos é porque não quer. Por falta de vontade política.” Essa é a fala de um vereador que, por três vezes, votou a favor do projeto para impedir a realização dos eventos.
DEMAIS VEREADORES
Nas duas primeiras votações do projeto, em agosto, todos os vereadores foram a favor do projeto de Gustavo Finck.
Após a prefeita vetar o projeto e explicar os motivos do seu veto, relatando os eventuais impactos financeiros para o município, três vereadores mudaram de posição e decidiram votar para derrubar o projeto: Ricardo Ritter – Ica (MDB), Ito Luciano (Podemos) e Tita (PSDB).
Votaram a favor do projeto, que impactou no cancelamento da Feira do Livro e que pode prejudicar outros eventos da cidade: Darlan Oliveira (MDB), Enio Brizola (PT), Felipe Kuhn Braun (PSDB), Fernandinho Lourenço (Solidariedade), Gerson Peteffi (MDB), Gustavo Finck (PP), Inspetor Luz (PP), Lourdes Valim (Republicanos), Raizer Ferreira (PSDB), Vladi Lourenço (Podemos).

























