Quando o dinheiro é mais solução do que problema?

Quando o dinheiro é mais solução do que problema?

Quando seus ganhos são maiores do que seus gastos e você investe de forma inteligente a diferença. Simples assim!

Será que é tão simples?

Nem sempre. O autor do livro A psicologia financeira, Morgan Houser,
afirma: “é perigoso quando o desejo de ter mais faz a ambição crescer a
uma velocidade maior do que a satisfação.”

Ou seja, é preciso saber nutrir suas vontades, evitando transformá-las
em um ABACAXI difícil de descascar. Um dos abacaxis modernos é o
consumismo. Ele leva milhares de pessoas a gastos desnecessários,
dívidas impagáveis e histórias tristes.

O consumismo é um grande ativador da dopamina, que, dentre outras
funções, é o hormônio do prazer e da recompensa, criador de uma
impressão de satisfação momentânea.

Sabe aquela sensação que aparece depois do “eu mereço” quando compramos algo, mesmo sem necessitar? Compulsivamente?

É ela mesma: a dopamina. É uma compensação de curto prazo relacionada a
um período de escassez: seja de dinheiro, de posses, de status, de companhia, de felicidade….

Em resumo: um mecanismo de compensação de curto prazo, assim como as redes sociais.


INFORMAÇÃO E MODELO MENTAL

Há uma questão fundamental, como afirma Houser: “Toda decisão financeira
que uma pessoa toma é fruto da informação que ela tem à disposição no
momento, associada ao modelo mental único sobre a forma como o mundo
funciona.”

A maneira como pensamos está associada às inúmeras emoções. Uma
necessidade emocional pode desencadear ações de curto prazo, as
comprinhas, por exemplo. Quando você tem dinheiro sobrando, é uma
decisão que pode ser ajustada com outras fontes de recursos. Quando
você não tem dinheiro, é mais “lenha na fogueira” dos problemas.

Segundo a pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)
da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e
o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas do Brasil do Serasa,
temos:


EDUCAÇÃO FINANCEIRA

A educação financeira é um caminho necessário para resolver esta série
de problemas. Ela não se restringe ao uso de ferramentas, simuladores,
orçamentos, planilhas e aplicativos. Ela envolve a forma como a pessoa
entende a vida, como cria experiências, como
se relaciona com o dinheiro e consigo mesmo.

Uma das principais perguntas que devemos fazer é:

Meu padrão de vida se “encaixa” em meu salário/renda atual?

Gustavo Cerbasi, especialista em educação financeira, reforça: “se você
não está conquistando o que quer, precisa rever seu estilo de vida.”

Suas escolhas, seus gastos, seus ganhos, seus resultados. Sim: precisamos ter resultados positivos.


STATUS

A questão financeira está relacionada a algumas crenças enraizadas na
cultura latina, dentre elas, o status. Status é você comprar coisas que
não precisa, com dinheiro que não tem, para mostrar a pessoas de quem
não gosta que você é alguém que nunca será, afirma
Cerbasi.

Só um momento: quais as razões de fazermos isso? Ser alguém que não somos?

O status é a representação da desconexão com a nossa essência. A
demonstração de que não sabemos o que é realmente importante para nós.
Uma das expressões mais claras da falta de autoconhecimento. A
necessidade de referências externas na falta de convicções
internas.

Um dos ícones da moda mundial, Coco Chanel, faz afirmações claras sobre a temática “luxo”, uma das expressões do status:
“o luxo deve ser confortável, caso contrário, não é luxo; a moda desaparece, só o estilo permanece; a simplicidade é a chave de toda verdadeira elegância.”

O luxo é uma das expressões do status e está intimamente ligado ao que a pessoa é. Não quem ela representa, ou deseja ser.


RIQUEZA

Riqueza é não faltar o que é importante para nós. A dificuldade de
muitos não está em ter ou não ter, mas sim saber o que é preciso ter,
afirma Cerbasi.

Complemento e reafirmo: a riqueza do SER é a base para qualquer TER. Não
há real abundância externa se internamente ela não está presente.

O conceito filosófico de abundância vai além da posse material,
abrangendo a plenitude da vida. Epicuro e Sêneca discutiram a abundância
em relação ao contentamento e a simplicidade. Ele está associado a:

Abundância não é somente uma representação da quantidade de dinheiro em
uma conta. Há um caráter existencial relacionado a razão de existir.

Cerbasi traz passos importantes para sua organização financeira:

1- Eliminar o que não lhe traz resultado (ou melhor, alegria e motivação);

2- Simplificar o padrão de vida;

3- Priorizar a concretização dos sonhos;

4- Dedicar-se a seus planos enquanto eles estão sendo construídos;

5- Autoavaliar-se para entender se suas prioridades mudaram ou não ao longo do tempo.


UTILIDADE DO DINHEIRO

Amplie sua visão sobre o dinheiro. Ele é uma ferramenta para um fim.
Esta destinação está centrada em você, em suas escolhas. Em resumo: em
quem você é, essencialmente.

Se as escolhas nos definem, é preciso ter uma convicção genuína de
nossas intenções. Os reflexos na sua vida financeira podem ser positivos
ou negativos.

Será que é o momento de rever suas escolhas ou ampliar sua abundância?


AUTOGESTÃO E ABUNDÂNCIA

A autogestão, como competência, auxilia na implantação desta abundância.
Além de promover a organização das finanças, do tempo, e dos estudos,
direciona intencionalmente sua vida com um planejamento integrado à sua
essência.

Um exemplo desta relação: a forma como entendemos o dinheiro. Em
contabilidade empresarial, temos os ativos e passivos. Os ativos são os
bens e direitos e os passivos são as obrigações contraídas. Em termos de
finanças pessoais, temos que adaptar.

Ativo é tudo aquilo que gera dinheiro a você. Passivo é o que gera despesas.

Vou dar um exemplo: você compra um automóvel “zero km”. Não importa
marca ou modelo. Se você não utiliza o veículo para seu trabalho, ou faz
com que ele gere receita para você, ele é um passivo.

Um gerador de despesas: seguro, combustível, manutenção, parcelamento.
Ele perde o valor a cada ano. Em termos financeiros é um investimento
com rendimentos negativos e, ao mesmo tempo, um gerador de despesas.

Caso você o utilize como instrumento
de trabalho, ele passa a ser um gerador de receitas, um ativo. Por isto,
Elon Musk, dono da Tesla, quer que os seus veículos elétricos possam
ser alugados pela empresa ou pelos próprios
proprietários para serem utilizados por outros condutores. Uma visão
disruptiva, mas financeiramente atrativa. (Actualidade
– Musk quer transformar Tesla numa mistura entre Airbnb e Uber: conheça o novo plano do empresário – Auto SAPO
)

Invista seu tempo e energia em gerar ativos pessoais. As despesas, de
preferência, não devem crescer na mesma proporção. Assim, o resultado
pode ser investido de forma inteligente, gerando uma série de benefícios
a curto, médio e longo prazo.

Nossas decisões são muito mais acertadas, tranquilas e coerentes quando
temos uma reserva financeira. Evitam-se as decisões por impulso ou sem
uma avaliação responsável.

A escolha é sua: “semeie” abundância e “colha” uma vida plena. Simples assim!

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