Qua come la

De volta ao velho mundo, no meu caso Itália, me deparo com
muitas semelhanças em relação ao Brasil.

Uma recessão muito grande é uma das semelhanças. Principalmente no consumo de vestuário e
calçados, e ate no supermercado se percebem poucas caixas abertas, e estas sem
filas expressivas. Os mercados realmente
cheios são aquelas redes, tipo LIDL e ALDI, onde tem um máximo de quatro
corredores, com os produtos básicos necessários, de boa qualidade, e com uma
apresentação prática sem muitas embalagens vistosas.

Além
disso, dois corredores com caixotes de
ofertas especiais que variam a cada semana. Ali tem de tudo, roupas, artigos de casa, ferramentas, de escola,
brinquedos, etc.

O que mais me chama a atenção é que esta diminuição e
embalagens, além de diminuir os preços, vem ao encontro de um grande esforço
que a humanidade deve fazer para diminuir a quantidade de lixo. Um colomba de
Páscoa, como os panetones, por exemplo, sempre embalados em um saquinho de plástico
ou celofane, e depois ainda dentro de uma caixa de papelão, neste tipo de
mercados, vem somente num saco tipo celofane estampado. E se não se traz uma sacola de casa, se tem de “regalo” um olhar meio desaprovador do caixa e dos vizinhos de fila, e se
paga pelas sacolas que se fazem necessárias, mesmo sendo recicláveis.

Outra semelhança é eleições se aproximando.

Enquanto no Brasil se discute petismo e antipetismo,
corrupção, corjas de ladrões fossilizados no poder, aqui se discute futuro de
verdade. O povo não aguenta mais dividir
tudo com os imigrantes ilegais, que invadem a Itália numa profusão
desenfreada. A extrema direita tem cada
vez mais adeptos, e os partidos da
centro esquerda são considerados os da conversa mole, do continuísmo, que não
mudam nada.

Numa sociedade que tem
simpatia pela extrema direita, também floresce a extrema esquerda. E assim, o facismo esta novamente no coração
das pessoas. Elas não dizem, mas quando se raspa um pouquinho o verniz social
da convivência, jorram queixas e, dedo em riste, dizem “na Itália, os italianos
em primeiro lugar”!

Mais uma semelhança: está em discussão a reforma
previdenciária. Enquanto no Brasil se
discute aposentadoria para idos de 60 anos, aqui se discute para idos de 70
anos.

E a última semelhança: as diversas centrais de máfia são muito semelhantes às facções
criminosas espalhadas por todo o Brasil, muitas vezes com a conivência
policial, ou por medo do enfrentamento, ou por participar lucrativamente dos processos em curso.

E assim, no dialeto, tanto qua come la …

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