Prometi que ia abolir salsicha do meu cardápio – e não cumpri!

Já assistimos, nos últimos anos, algumas viradas
sensacionais de alimentos que foram jogados na vala dos bandidos e depois
voltaram por cima. O ovo é o mais famoso deles, tivemos também a manteiga.

Até
a banha de porco, olha só, não é mais alvo dos piores olhares. Agora a
salsicha… ah, a salsicha!

Essa
vive dias complicados. Continua lá, firme nas festinhas infantis! Segue batendo
ponto nos carrinhos de cachorro quente ou lanchonetes. Mas sua reputação anda
em baixa. As salsichas mais populares, essas do supermercado, andam na corda
bamba sob a acusação de conter carne mecanicamente separada em demasia
(cartilagens, gorduras, subprodutos da carne), muito sódio e aditivos químicos,
como nitrato e nitrito. Os embutidos, inclusive, foram parar nas manchetes
quando houve aquela denúncia de que continham papelão até.

Na
dúvida, resolvi cortar. Afinal, tantas boas opções de alimentos por aí, pra que
eu iria comer salsicha? Até que…

Abriu
em Novo Hamburgo uma salsicharia! É o J.Cook, ali naquele polo gastronômico que
virou a esquina da Joaquim Nabuco com a Silveira Martins (ao lado do Olé Armazém
Mexicano, Mais Pastel, Takeshi). Pensei, que coragem! Mas a curiosidade fala
mais alto e fui conferir, até porque o diferencial era vender produtos
artesanais, ou seja, feitos na casa mesmo, nada industrializado.

Outro dia
estive lá, comi uma bela bratwurst (a salsicha branca), que vem num pãozinho
com chucrute (também feito lá), cebola caramelizada, mostarda escura, uma
delícia pra um paladar que gosta de comidas germânicas como o meu. Aproveitei
para conversar com o Bernardo Möller, proprietário do lugar, sobre as receitas
e entender o que NÃO tem na salsicha dele e que faz dela um alimento mais
natural.

Basicamente,
vai carne. Carne mesmo. Paleta de porco, por exemplo. Não tem carne
mecanicamente separada. Além da carne, temperos. Aí vai no processo de defumar
e tal – não vou entregar o segredo aqui – mas basicamente, o que tem na
salsicha é comida mesmo.

Tem
aquela frase que diz que não devemos comer alimentos cujos ingredientes nossas
avós não conseguissem pronunciar. Faz sentido. E eu acrescento outra dica.
Legal é comer comidas feitas por nós ou por pessoas com quem possamos
conversar, perguntar, nos informar sobre o que estamos comendo. Menos aditivos,
mais nutrientes.

Seguindo o lema que está em voga, mais comida de verdade. Ou
como disse um dia o médico André Mattos, devemos desembalar menos, e picar,
descascar e cortar mais.

Outro
lugar que está na minha lista para provar é o Eat+Kitchen, que em poucas
semanas já virou o queridinho da turma que valoriza alimentos orgânicos,
locais, naturais, bem feitos e com essa ideia de comidas de qualidade.

Quando
temos a oportunidade de encontrar e visitar esses lugares que nos oferecem boas
opções, alimentos frescos e produção que valoriza a economia local, considero
um privilégio. Assim, até salsicha volta pro meu prato!

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