Prefeita Fátima e secretário Betinho, não esperem o museu ruir

Este artigo começa com exemplos bem atuais.

Exemplos locais/regionais: Casa do Imigrante, em São
Leopoldo. Parte da edificação ruiu por falta de manutenção; Museu Histórico
Visconde de São Leopoldo, em São Leopoldo, ficou fechado para o público por
falta de condições financeiras de atendimento e manutenção.

Exemplo nacional: Museu Nacional do Rio de Janeiro. Toda
estrutura foi consumida pelas chamas por manutenção precária. Um prédio de
absurda relevância histórica com milhares de itens raros e valiosos queimando
em transmissão nacional.

Exemplo internacional: Catedral de Notre-Dame, em Paris, na
França. Parte da estrutura consumida pelas chamas em processo de manutenção.

Os exemplos são recentes. São reais. Estão em nossas mentes.
A história virando pó, virando fumaça. Relíquias históricas tombando por
diferentes problemas – na maioria dos casos, omissão na manutenção.

Há cerca de dez dias, fiquei assustado ao ler reportagem no
Jornal NH, produzida pela jornalista Susi Mello. O texto apresentou um
relatório de problemas envolvendo espaços culturais de Novo Hamburgo, como o Teatro Paschoal
Carlos Magno, Biblioteca Pública Machado de Assis, a Fundação Scheffel, entre outros.


Fui alarmado ao saber que os repasses para a manutenção da
Fundação Scheffel, mais uma vez, atrasaram – cerca de três a quatro meses. É
lamentável essa falta de prioridade com um patrimônio que não é mais somente de
hamburguenses ou gaúchos. É um patrimônio dos brasileiros.

A Fundação Scheffel, com as obras do mestre Ernesto
Frederico Scheffel, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional (Iphan). O ato ocorreu no governo da ex-presidente
Dilma Rousseff (PT) – relembre aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/692/titulo/dilma-rousseff-liga-para-scheffel-e-confirma-tombamento-de-hamburgo-velho-como-patrimonio-nacional . Um grande feito!

Este museu é uma joia da nossa história. Aproveitando a saga
de os Vingadores, seria a sétima joia do universo na manopla do Thanos. Ela é
uma preciosidade. Uma relíquia. Um endereço de impressionante riqueza cultural,
que seria venerada em qualquer cidades europeia.

Na gestão do ex-prefeito Luis Lauermann (PT), a Fundação Scheffel
vivenciou uma de suas maiores humilhações, tendo Carlos Mosmann como titular da
Secretaria Municipal de Cultura. Energia elétrica cortada, telefone cortado,
portas fechadas. Tudo pela falta de repasses. Um vexame com grande repercussão – relembre aqui: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/id/2941/titulo/fundacao-scheffel-as-escuras-vereadores-aprovam-subvencao-de-r-306-mil-em-regime-de-urgencia

Agora, novos atrasos – felizmente, não tão graves como no governo petista. A Prefeitura, é fato, está sofrendo com o
calote do governo do Estado, que atrasou quase R$ 20 milhões para a saúde. O
governo da prefeita Fátima Daudt (PSDB) decretou situação de emergência na
saúde, freou algumas ações e buscou alternativas para evitar um sangramento
ainda maior nos cofres municipais. Até aí, se compreende a falta que fazem
esses milhões de reais.

Contudo, o museu é prioridade. Bom, deveria ser. Se ainda
não é, ele precisa ser.

Sei que a prefeita Fátima nutre grande admiração e
carinho pelo espaço. Tanto que, ao assumir como presidente da Associação dos
Municípios do Vale do Rio dos Sinos (AMVARS), ela escolheu o museu para sua
posse. Outros eventos e promoções da Prefeitura também são realizados no local
como forma de valorização do espaço.

Só que o museu não sobrevive de amor, admiração e palavras.
É um prédio histórico, com tesouros de Scheffel. Escassearam recursos? Ora, se
elegem as prioridades. CCs não são prioridade – é fato que a prefeita cortou muitos cargos no começo do mandato, inclusive criando lei para isso, mas seguem muitos CCs, não só no Executivo, mas na Comusa e Hospital Municipal. Publicidade em veículos de
comunicação nem sempre são prioridades. Gastos com deslocamentos nem sempre são
prioridades.


O que vale mais: a Fundação Scheffel ou os cargos de alguns
CCs e propagandas/publicidades?

Se o governo Fátima Daudt ainda não se deu conta, e aí cito
o secretário municipal da Fazenda, Betinho dos Reis, é hora de acordar. A
Fundação Scheffel é uma joia. É um tesouro. É uma relíquia. Atrasar os
pagamentos para sua manutenção – aliás, os valores são tão reduzidos e
constrangedores – é brincar com a sorte.

Aliás, eu deveria estar aqui postulando um repasse ainda
maior para a Fundação Scheffel, mas deixamos essa pauta para um momento mais pra frente.

Os exemplos dos tristes episódios estão aí, prefeita Fátima e secretário Betinho.
Prioridades com um patrimônio dos brasileiros. Depois, não adianta lamentar se
algo de ruim ocorrer pela falta de manutenção em razão dos atrasos. Até porque,
Novo Hamburgo não tem os bilionários que estão se prontificando a recuperar a
Notre-Dame. Fazer rifa, meio frango ou abraçar o local após uma tragédia não recupera o patrimônio.

Em tempo: sugiro à prefeita criar um grupo de secretários e diretores para buscar apoio de hamburguenses bem-sucedidos profissionalmente. Temos empresários (industriais, comerciantes),
investidores, profissionais liberais (médicos, advogados, engenheiros,
arquitetos, economistas, etc). Só na ACI-NH/CB/EV, onde a prefeita foi
presidente, teriam uns 30 a 40 nomes de arrancada. Quem sabe conseguir R$ 5 mil
de 60 ou 70 hamburguenses? Com cerca de R$ 350 mil, a Fundação Scheffel teria um ano de orçamento extra. É uma sugestão.

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