Em setembro de 2022, escrevi um texto neste espaço –
gentilmente cedido pelo colega, amigo e também fã de tênis Martin Behrend – falando sobre
Carlos Alcaraz e o que esperar do futuro do então menino de 19 anos, que havia
conquistado seu primeiro torneio do Grand Slam e se tornado o número um do
ranking naquela oportunidade.
Pois dez meses depois, cá estou eu, novamente, escrevendo sobre Carlitos.
Naquela oportunidade, arrisquei que iríamos
nos fascinar vendo o espanhol jogar e que estávamos diante do maior talento da
modalidade surgido nos últimos anos. Agora, quase um ano do primeiro texto, e
passados cinco dias da conquista do seu segundo Grand Slam, posso respirar
aliviado, afinal, não “cai no conto do vigário” e nem produzi uma escrita falsa.
O espanhol é realmente um tenista diferente, com um
jogo impressionante, de uma força de reação tremenda e que alcança golpes
surpreendentes, que deixam telespectadores impressionados e adversários incrédulos.
Falando especificamente sobre a vitória em Wimbledon,
no domingo (16 de julho), talvez tenha sido a maior de sua carreira pela forma como o jogo se
desenhou. Djokovic estava numa semana sólida, jogando “o fino do tênis” e fez
um primeiro set arrasador. Mas Carlitos não se intimidou, colocou seu
jogo na quadra, virou a partida, sofreu o empate, mas venceu a parcial
decisiva.
A forma como tudo isso aconteceu é o que mais impressiona. Vencer Nole
já é difícil, de virada e com o sérvio em grande fase, é mais complicado ainda.
Mesmo com tudo isso, Alcaraz foi lá e colocou na prateleira o troféu mais
desejado do circuito.
O jogo valia também a liderança do ranking e, se Djokovic
vencesse, a oportunidade de seguir sonhando em conquistar os quatro slams da
temporada no mesmo ano, fato alcançado por raros tenistas em toda a história. O
ano pode terminar 2-2 ou 3×1 para Djokovic, ou ficar como está se outro vencer
em Nova York, mas isso é o que menos importa agora.
O que vale, neste momento, e é a dúvida de muitos, é
se Alcaraz vai superar os recordes do Big Three. É uma resposta que eu
ainda não tenho.
Imagino que ele possa, mas como também escrevi em 2022, as
carreiras no esporte são muito imprevisíveis, e tudo pode acontecer. Mas quero
que ele siga nessa ascensão, que siga nos impressionando e tendo gosto em
assistir suas exibições.
O fã de tênis espera ansioso a cada golpe do Carlitos
e espero que sigamos assim por muitos anos e que possamos nos impressionar
ainda mais com seu talento e ousadia.
Ah, pra quem desejar conferir, aqui está o artigo de setembro de 2022 onde falei sobre Carlos Alcaraz: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .
