Porque somos orgulhosos e individualistas! A
maioria não foi educada para olhar a coletividade, primando por dar atenção
somente ao que lhe “toca” proximamente, e, no máximo, sua própria família.
O ser humano é o foco! Esse foco é tão “focado” que se
torna um olhar ao próprio umbigo. Costumamos terceirizar a realidade para os
políticos, os vizinhos, as classes sociais e nunca a si. O Foco deveria ser
o propósito abrangente e não só as necessidades imediatas.
Escrever sobre esse assunto acaba sendo uma lição para mim também.
O sábio somente o é pois coloca em prática o que sabe.
Traduzindo: ele aprende com os erros e acertos dos outros. Me espanto como
somos reativos! Precisamos da dor para sair da zona de conforto, do amor para
buscar novos horizontes e teimamos em não aprender com as alegrias e
infortúnios do próximo.
Parece até birra! E muitas vezes é! Outras, falta de
maturidade! Natural do desenvolvimento humano!
Falta de conexão com a realidade e, principalmente,
falta de humildade!
A explosão das redes sociais expôs o melhor e o pior das pessoas.
E a culpa não é das redes sociais! Vejo grupos “malhando” os políticos e me
pergunto: e se eles estivessem lá?
Convivo no meio politico há muitos anos e percebo as
diferenças de entendimento dos dois lados! Há os políticos que querem fazer,
são honestos, pois dos desonestos não perco tempo, que necessitam seguir uma
série de legislações e trâmites que atravancam tudo, fazendo o que manda a lei,
e a demora é infindável.
Vejo a própria sociedade que reclama de
“conchavos” partidários entrando nos gabinetes do executivo, legislativo e
outros, pedindo favores descabidos para si, ou projetos que lhes proporcionem
alguma vantagem. Vejo muito poucos, percentualmente, defendendo
demandas comunitárias com o intuito de exercer a cidadania.
Da mesma forma que há infinitas reclamações de que a
saúde não presta, a segurança vai de mal a pior, os buracos estragam tudo, a
infraestrutura é pobre, não vejo a mesma sociedade entrar em hospital público,
morando em uma casa segura, nunca andando de ônibus ou de trem, enchendo a boca
para reclamar do que não tem a menor ideia de quanto custa para manter ou
administrar e da dificuldade que é. Quem vivenciou é um belo professor!
Uma história de um humano
Nunca esquecerei de uma visita que fiz a um lar em Belford
Roxo, RJ, na baixada fluminense, quando estava lá. Eu tinha 22 anos! Fomos em
caravana levar solidariedade a lares menos avisados. Lá chegando, conversamos
com uma jovem senhora, com seus filhos, já que o marido estava trabalhando,
morando em uma casa com piso de barro vermelho, janelas e portas de papelão,
imagina em uma chuva, no topo de um morro e sem luz.
Iniciamos a conversa com o apoio material e, em meio a
discussão, uma das pessoas que foram na caravana, uma mulher, nossa líder,
pediu para ir ao banheiro. A dona da casa simples ficou totalmente
desconcertada e disse em voz baixinha: é lá fora! Mas a senhora me
desculpe, não temos papel higiênico!
E a sábia e experiente líder respondeu prontamente: eu
carrego um rolo comigo! O sorriso daquela mãe foi instantâneo! Eu e mais dois inexperientes parceiros, ainda, baixamos a cabeça e uma lágrima nos fez rolar o
rosto. Em pleno século 20 alguém sem papel higiênico?
Comecei a imaginar minha família passando por isso, minha
cidade naquela situação e tomei a decisão da minha vida:
A partir daquele dia iria fazer de tudo ao meu alcance
para melhorar a qualidade de vida das pessoas, todas as pessoas, de onde forem!
Foi um pouco pretensioso a época! Mas hoje, estou aqui,
direta e indiretamente cumprindo essa missão que abracei!
Ignorância ainda matará!
O não conhecer não é tão danoso quanto o conhecimento
utilizado de forma vil. Há de se reconectar em tempo
de conexões! Tanto a sociedade consigo mesma quanto os políticos, que também
fazem parte dela!
A estratégia de separar os políticos da sociedade, como
uma classe desconexa, é a mesma em que a sociedade coloca a culpa do lixo em
frente de sua casa, no vizinho.
Fico me perguntando: quando foi que perdermos o senso
comum e o espírito comunitário? Qual a origem desse individualismo exacerbado e
do jogo do “nós contra eles”?
A culpa desculpa o desculpado!
Isso mesmo! Vou parar de sentir culpa por algo que fiz já
que a divindade me perdoa e sigo sem desculpa. Nananinanão!!! A consciência
está de plantão!
Siga se responsabilizando por tudo o que fez! Isso
sim!
Será que a sociedade sabe que cada gestor público responde
com seu patrimônio e CPF qualquer infração cometida? E mais, responde por todo
seu corpo funcional. Um exemplo: um secretário de uma pasta pública comete um
erro e faz de tudo para não chegar essa informação para um prefeito, para ficar
em nossa aldeia.
E mais a frente, alguém sempre descobre, aparecem os fatos
e quem se ferra? O prefeito! Lógico que o secretário também, mas o prefeito é o
responsável! As notícias voam, as críticas retumbam e a sociedade coloca na
latrina toda uma história.
Mesmo? Pois é! Vamos inverter a questão: um filho que
apronta em casa e na rua e a mãe ou pai não tem a menor ideia do que ele está
fazendo. Acabam por buscá-lo na delegacia. Como se chama isso? Os pais não tem
que se responsabilizar pelo que o coitadinho fez? Não é a mesma situação, para
parar por aqui?
Empatia é um bom remédio!
Não estou defendendo políticos, que somos nós lá, ou
deveria, mas simplesmente estimulando a ideia de comunidade e de compreensão,
mesmo não estando na posição do outro. É um exercício de empatia!
É claro que há políticos desonestos como há pessoas na
comunidade desonestas. É claro que há políticos interesseiros como há pessoas
interesseiras. Adoro pessoas com discursos inflamados pregando a ética, a
transparência, o desvelo e o bom senso, um dia saberei bem o que é isso, que na
sua vida particular deixam muito a desejar!
E pior: adoram reclamar sem fazer nada! Então: se
candidata e muda o mundo! Mas faz isso depois de mudar seu pequeno mundo!
Há de se humanizar o ser humano!
Não sei exatamente quando deixamos, todos nós, de ser
pessoas, ou de nos vermos desta maneira! E olhar o outro assim!
A mesma paciência, tolerância, cobranças e críticas que
fazemos deveriam ser realizadas em frente ao espelho e em benefício da
comunidade. Um pouquinho de cada vez! Nem que demore mais, mas que seja feito
de forma perene.
Projetos de curto, médio e longo prazo deveriam ser
pensados com o intuito de ampliar o “senso de comunidade” e a afabilidade
comum. Mas, antes disso, é necessário que comecemos a aprender com a dor e a
alegria dos outros. Não precisamos nos colocar em sofrimento para
aprender! Precisamos aproveitar as alegrias para aprender!
Sinta a vida com força e humanize-se a ponto de se
preocupar com sua comunidade e exercer seu papel, fora do papel: agindo e
fazendo de “braços dados” com todos. Tenho certeza de que o mundo será melhor
se todos fizermos isso! Sem reclamar! Sem aclamar! Só participar!
César Silva é professor, escritor, consultor e mentor. Head
of Business @cesarsilvasimplesmente, Professor/Tutor Externo IERGS/Uniasselvi,
Conselheiro da Fenac S.A.
Artigo publicado no portal www.martinbehrend.com.br . Disponível em www.cesarsilvasimplesmente.com.br e www.inspirandorumos.com.br.
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