Por que Jesus trocou Zucco por Patrícia?

Tem coisas que só acontecem na política.

Em Novo Hamburgo, por exemplo, Jesus estava ao lado de Zucco, mas repentinamente virou aliado de Patrícia. Por que Jesus trocou Zucco por Patrícia? Seria por causa do pastor Juliano?

Vamos logo esclarecer as legendas para que o leitor – e eleitor – compreenda a situação.

Jesus é Jesus Maciel Martins, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, em 2010.

Zucco é Rodrigo Zucco, delegado de polícia e candidato a prefeito de Novo Hamburgo pelo Republicanos.

Patrícia é Patrícia Beck, vereadora e candidata a prefeita de Novo Hamburgo pelo Progressistas.

Pastor Juliano é Juliano Silva da Silva – ou Juliano Souto -, candidato a vice-prefeito de Novo Hamburgo pelo PRTB na chapa de Rodrigo Zucco

ROTEIRO

Esse roteiro começa com a possibilidade de Jesus Martins ser candidato a vice na chapa de Zucco. Num primeiro momento houve resistência do ex-vereador, que hoje reside em Lomba Grande e seus filhos estão à frente dos negócios bem-sucedidos na família no comércio e na prestação de serviços em Novo Hamburgo.

Dentro da construção de uma aliança, Jesus foi agregando novos nomes à coligação, entre eles do empresário Jair Mainardi. Aliás, com vídeos, Lives e outras atividades, Mainardi vinha fazendo uma pré-campanha muito forte nas redes sociais se preparando para ser candidato em algum cargo, até mesmo para vereador.

Jesus estava acompanhando Zucco em diferentes locais da cidade, inclusive em entrevista na TV. Em postagens nas redes sociais, ele escreveu textos com “nosso querido Delegado Rodrigo Lorenzini Zucco”.

Seguiram os diálogos e as possibilidades. Jesus, Jair Mainardi e também o nome do pastor Juliano – que tem como nome de batismo Juliano Silva da Silva e se apresenta como Juliano Souto – foram ganhando protagonismo.

A forma com que Juliano foi se colocando e se impondo incomodou Jesus e Mainardi. Em busca de informações, eles não ficaram muito contentes com os relatos encontrados. Ao mesmo tempo, já havia uma reviravolta com Jesus sendo convencido a ser candidato a vice.

Nesse momento, contudo, pastor Juliano já estava encabeçando diversos movimentos internos do partido. “Quando soube que ele começou a mencionar algumas coisas minhas do passado, a falar mal do meu nome, senti que a coisa não estava ficando legal. Afinal, éramos colegas de partido”, explica Jesus.

Jesus cobrou uma posição do delegado se iria ser vice e, quando foi confirmado o nome de Juliano, entendeu que não havia mais espaço para o projeto que tinha imaginado para a cidade. Foi, inclusive, oferecida a titularidade de uma secretaria municipal em caso de vitória, mas ele já estava desgostoso. “Eu nada tenho contra o Zucco. Já veio aqui em casa, almoçamos juntos, respeito muito o trabalho dele. Aliás, assim como ele, eu sou Bolsonaro. Então, com ele tudo em paz. Mas não dava para continuar dessa forma”, relatou. Com a situação, Mainardi também desistiu de levar adiante seu projeto de candidatura.

Na semana passada, pastor Juliano teve seu registro de candidatura indeferido em razão de ter apresentado documentos equivocados para o Cartório Eleitoral.

O Portal Martin Behrend registrou a decisão do juiz eleitoral amparada por parecer do Ministério Público: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/… .

ESCOLHA

Diante das opções que tinha para oferecer apoio e seu prestígio na eleição municipal, Jesus avaliou que Tarcísio Zimmermann (PT) e Paulo Ritzel (DEM) já tiveram seu tempo como gestores. Em relação à Fátima Daudt (PSDB), Jesus levou seu apoio no passado, gosta da atual prefeita e de algumas ações, mas avalia que o entorno político da tucana não está satisfatório.

A escolha dele recaiu sobre a vereadora Patrícia Beck por avaliar seu preparo e conhecimento da cidade. “Estou há mais de 25 anos na política e poucas vezes vi uma pessoa tão preparada”, elogia. “Encomendei adesivos e vou circular pela cidade com a mensagem: Sou Bolsonaro e voto na Patrícia”, revela.

PORTAL

Em relação a uma matéria do Portal Martin Behrend publicada há alguns meses, Jesus Martins lamentou o tom da reportagem e disse que nunca atuou na política em busca de cargos. “Acredito que foi uma colocação infeliz no texto. Minha vida política está aí para que todos possam acompanhar”, salientou.

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