O PMDB de Campo Bom definiu, ontem à noite, quem será seu
candidato a prefeito em outubro deste ano. O ex-vereador e ex-secretário de
Desenvolvimento Social e Habitação, Francisco dos Santos, venceu a disputa
contra o vereador Paulo Tigre por apertados 25 a 22, na Convenção Municipal da
sigla. Só que o enfrentamento não se encerrou na sede do PMDB. A noite teve direito
a registro de Boletim de Ocorrência dos apoiadores de Tigre em razão do
presidente do partido, Alex Faria, e de integrantes da Executiva não terem
recebido protocolo pedido com impugnação do processo. Esse embate mais uma vez
expôs feridas não cicatrizadas entre duas lideranças peemedebistas no município:
o prefeito Faisal Karam e o ex-prefeito e secretário Estadual da Fazenda,
Giovani Feltes. Faisal indicou Santos; Giovani queria Tigre.
Uma das principais queixas diz respeito à numeração das
cédulas utilizadas na votação. Conforme o advogado defensor de Tigre, Vanir de
Mattos, que também atuou como fiscal, esse procedimento representa quebra do
sigilo do voto. “A Mesa responsável pela distribuição das cédulas poderia
conferir em quem votou cada cédula. Eles embaralharam, não colocaram em ordem,
mas os números estavam ali visíveis para futura conferência se o voto de tal
número correspondia às expectativas. Ficou claro que poderia ser feita uma
conferência”, explica.
Após a votação e Santos e Tigre sendo fotografados abraçados,
aliados do perdedor da eleição se deram conta que a numeração nas cédulas poderia
ter influenciado alguns votantes, e decidiram impugnar o processo. Foi redigido
a punho o pedido de impugnação, mas o grupo não conseguiu entregar a Faria. “Tivemos
de registrar Boletim de Ocorrência para conhecimento da autoridade. Isso teria
sido evitado se o presidente simplesmente tivesse acolhido nosso documento”,
argumenta Vanir. Questionado do motivo de terem alertado sobre a numeração
somente após o escrutínio, sendo que as cédulas foram fiscalizadas antes do
processo, Vanir diz que não tinha percebido essa situação. “O fato é que não
interessa se vimos antes ou depois. O fato foi apontado em determinado momento
e buscamos registrar isso”, destaca.
Uma outra situação também chamou a atenção do grupo de
Tigre. Quando a polêmica da numeração das cédulas começou a gerar inquietação
na sede do partido, o coordenador regional do PMDB do Vale dos Sinos, João
Alberto Antônio (que é de de Novo Hamburgo), pegou uma tesoura e começou a
recortar os números das cédulas. “Protocolamos o pedido de impugnação no
Diretório Estadual e vamos aguardar a decisão”, finaliza Vanir.
O presidente do PMDB, Alex Faria, lamenta que um momento de
unidade do partido tenha se encaminhado para este desfecho. “Essa é uma praxe
na nossa sigla. E é uma situação desgastante, pois temos uma gestão muito boa
do município, mas internamente sempre temos essas situações”, analisa. Em
relação aos questionamentos, Faria garante que tudo foi feito com
transparência. “Os fiscais analisaram as cédulas antes da votação. Filmamos todo
processo. A pedidos, alteramos a ordem dos votantes. Embaralhamos as cédulas. A
imprensa estava presente. Mas sempre quem perde busca uma explicação. E, se não
fossem as cédulas, seria a cor dos balões”, comenta.
Em relação ao não recebimento do pedido de impugnação, Faria
traz a sua versão. “No momento em que nos entregaram todo o material, pedi para
ficar reunido com a Executiva. Contudo, dois vereadores e o advogado não saíram
do espaço. Informei que precisava ter um momento pra analisar, mas eles não
quiseram colaborar”, relata. “Deixei a sala, pois meu pedido não foi
compreendido. Sugeri que entregassem pra alguém da Executiva, mas ninguém quis
aceitar”, completa.
Faria espera que, nos próximos dias, esse episódio seja
superado. A ata da Convenção Municipal será protocolada e o seu desejo é que a
sigla trabalhe unida para fazer de Santos o sucessor de Faisal Karam. Filiado
no PMDB há 25 anos, tendo sido vereador por quatro mandatos, secretário
municipal e ocupado diversas funções dentro do partido, o eleito pela sigla agradeceu
emocionado o apoio dos peemedebistas que confiaram no seu nome para
representá-los no próximo pleito, e se comprometeu a trabalhar para dar
continuidade às administrações de sucesso do PMDB na cidade. “Nosso
partido é o que contou a história, e uma bela história da nossa cidade, e vai
continuar contando belas histórias e colocando Campo Bom em patamares que
servem de exemplo para muitas outras cidades”, afirmou.
