Tô procurando até hoje!
Série de 1966 que se estendeu a
década de 70, foi imagem da recém vinda televisão a cores, após a transmissão em
1972 através da TV Difusora de Porto Alegre, do primeiro programa colorido no Brasil,
que marcou época e deu origem a tudo o que entendemos hoje como mídia
televisiva através de vários tipos de aparelhos.
Assim como o primeiro celular em 1995, que comprei um ano
após seu lançamento. Motorola PT-650! Como esquecer! Preto e laranjão, tijolão!
Levantava antena e tudo! Até flip tinha! E andávamos como se estivéssemos
armados! Que mico!
Era uma época analógica onde os PCs pessoais recém engatinhavam
com o Pentium Dx2 66, e com a conexão discada a internet! Jesus! Haja manivela!
Escrevo esse artigo em resposta a indagação de um amigo, hoje com 75 anos, que
tem certa dificuldade em lidar com a tecnologia e com a velocidade de suas
mudanças.
Expliquei várias vezes a ele como as telas funcionam,
acessos e outros aplicativos de seu smartphone, mas ele se limitava ao que sabia
usar. Preciso contar um segredo: me senti como ele em janeiro de 2019!
Quando comecei a ler o livro Você, Eu e os Robôs, de Martha
Gabriel, Phd, em que ela retrata a transformação digital e seus conceitos. Uma
obra de leitura imprescindível para quem quer entender o que está acontecendo e
o que virá, até um limite. Em realidade me senti um dinossauro! Mais de 50% do
livro era sobre assuntos e temas que conheci pela primeira vez.
A velocidade da mudança é tão frenética que, a cada
atualização de aplicativos no celular, melhorias são acrescentadas e se você
não atualizar e usar frequentemente determinado aplicativo, você precisa
reaprender a sua utilização e de determinadas funções. Onde está aquele botão
mesmo?
A profundidade e a forma sistêmica com que essa
transformação está tomando nossas vidas, nos torna reféns e pouco
protagonistas, a não ser que tenhamos profundo conhecimento de tecnologia e
acompanhemos freneticamente os acontecimentos mundiais.
Da mesma forma, se pegarmos nosso automóvel e andar em torno
de 100 quilômetros até algumas cidades do interior do Rio Grande do Sul, cujo ideário popular antigo
relacionava como retrógrada, vemos várias tecnologias de ponta sendo utilizadas
no campo, na lavoura e no turismo. Há sempre aqueles que não querem saber das
novidades, mas mudou muito! Onde estão esses que não querem saber mesmo?
Gosto de acompanhar as nuances de comportamentos culturais
das cidades e observo o tempo todo cada ato, ação ou reação das pessoas. Um dia
perguntei a um frentista de um posto de gasolina no interior como chegar a
determinada localidade e ele me perguntou, como se eu fosse um marciano: o
senhor não tem Waze? Ele tirou seu celular, último modelo, melhor que o meu e
me mostrou como instalar e como usar. Claro que me fiz de desentendido!
Lembro quando li o livro O Mundo é Plano, de Thomas
Friedman, há dez anos, era difícil sentir o que ainda era uma imaginação ou
realidade de alguns de “longe”. Quando conto que tive uma “cadeira” na
Universidade chamada Globalização, alguns jovens me olham como se eu fosse um
dinossauro. Como assim? Não foi sempre assim? E penso: eu vi começar e
continuar, com todos acertos e dificuldades.
Mas já passou! Como diz meu amigo de 75 anos: não se pode
viver olhando pelo retrovisor, é preciso olhar para frente! Traduzindo a nosso
mundo: o que deu certo até agora é passado! O que virá, só verá quem quiser
ver! E mesmo que não queira, vai acontecer da mesma forma, pois o mundo está
descentralizado e continuamente “pipocam” inovações que criam disrupções em
tudo!
O que acontece com meu amigo de 75 está acontecendo comigo
aos 45. E será cada vez mais cedo! Só que nem todos temos a mesma capacidade de aprendizado, reflexão e análise.
E aí o ponto que queria chegar!
Todas as revoluções Industriais, e inclusive nesta, na Era Digital,
enterraram milhares de empregos e criaram novos, alicerçados em novas relações
de trabalho e capital, com tecnologia e inovações. Mas não neste ritmo!
Só há uma diferença: em nenhuma das revoluções anteriores o
ser humano era substituído por inteligências artificiais e tecnologias que
aumentam exponencialmente a possibilidade de reposição do ser humano pela “máquina”,
mesmo que seja virtual.
Há muitas indagações quanto ao futuro do trabalho e coexistência
entre seres humanos, tecnologia e o que mais será criado no futuro, ou mesmo no
presente. Só sei que não adianta olhar as séries antigas e reafirmar que aqueles
eram bons tempos, como forma de negação à realidade mais que presente!
Não adianta procurar a Chita! O Tarzan e a Jane estão em um
hotel de moradia da melhor idade! Melhor mesmo?
Nenhuma fuga compensa a realidade. Nenhuma negação
interrompe o progresso! E nenhum argumento se sustenta quando olhamos no espelho
e chegamos a conclusão de que precisamos desaprender e aprender a reaprender
eternamente!
Nada mais natural ao ser humano que evoluir…Aceitar dói menos! E
abre nossas mentes ao novo!
César
Silva é professor, escritor, consultor,
mentor – Head of Business @cesarsilvasimplesmente, Professor/Tutor Externo IERGS/Uniasselvi, Conselheiro da Fenac S.A.
Artigo publicado no portal www.martinbehrend.com.br . Disponível em www.cesarsilvasimplesmente.com.br e www.inspirandorumos.com.br.
#cidade#desejo#desafio#consorcio#martinbehrend#cesarsilva#césarsilva#simplesmente#inspirandorumos

























