Os últimos suspiros do pixuleco

Aos que são meus
contatos nas redes sociais, já expressei meu entusiasmo com o resultado das
eleições municipais de 2016. Por mais que esta afirmação possa parecer
tendenciosa em um primeiro momento, gostaria de deixar claro que este meu sentimento
extrapola muito os limites territoriais de nossa cidade. O resultado obtido nas
urnas este ano foi o marco de uma mudança na curva de tendência, o fim da
inércia do povo votante que outrora via eleições como uma mera burocracia para
tirar seu passaporte. Além da ascensão de uma nova classe política desenvolvimentista
em importantes cidades do país, o produto desse pleito colocou uma pá de cal em
cima da narrativa do suposto golpe da minoria, e sacramentou então o
enfraquecimento da sigla que vinha há tempos monopolizando o país juntamente
com seu principal representante.

É interessante ver a
aceitação do eleitor para com os chamados “aventureiros”, adjetivo atribuído
pelo nosso ex-presidente aos empresários que se arriscaram a debutar na vida
pública este ano. Por mais que em um
primeiro momento tenha absorvido esta qualificação com um tom pejorativo, me vi
obrigado a concordar com o depoimento após analisa-lo melhor. É realmente necessário
um espírito aventureiro para empreender em um país tão hostil quanto o Brasil,
e quem vence esta epopeia é digno de receber meu voto se optar ingressar na
política.

Os insucessos das
declarações de Lula prosseguiram, e ficaram ainda mais perceptíveis na sua inferioridade
até mesmo em seu campo de expertise: o sarcasmo. Duelar com pessoas
qualificadas e esclarecidas é muito mais difícil do que articular com
companheiras disléxicas. A elegância curta e certeira de João Doria quase que obrigou
o ex-presidente a esconder-se no sítio do amigo em Atibaia, e de lá nunca mais
sair. Para os que não acompanharam, seguem abaixo alguns trechos:

Lula: “Imagina o povo que foi
induzido pela imprensa a não gostar de mim porque minha mulher comprou um cisne
pro meu filho e vai votar no Dória que mora numa casa que vale 10 milhões de
cisnes. Que aparece nos debates ali vestido como uma pessoa humilde, do povo,
só que aquele casaco dele daria para comprar os dois cisnes da Marisa e ainda
os dois barquinhos que ela tem.”

Doria: “A diferença é que a minha
casa e o meu casaco eu comprei com o meu dinheiro, do meu trabalho suado,
diferentemente do Lula e dos filhos do Lula.”

Lula: “São Paulo não pode correr
o risco de não reeleger um candidato da qualidade de um Fernando Haddad para
eleger um aventureiro sobre o qual não se sabe nada. São Paulo não merece
isso”

Doria: “Eu estou numa noite de paz,
mas o Lula sabe quem em algum momento vou visitá-lo em Curitiba. Farei minha
homenagem a ele”

A derrota de Lula
neste pleito, no entanto, foi além da amargada na peleja de palavras. Na edição
desta semana, a revista The Economist salienta o enfraquecimento político do
ex-presidente, afirmando que: “Em uma competição de perdedores, ele foi maior de
todos”. Hoje, ter o nome atrelado a sua
figura e sigla virou uma desvantagem competitiva, uma conexão desfavorável a
ser escondida ao invés de escancarada. A narrativa de golpe, até então defendida
pelo porta-estandarte do PT, foi por água abaixo juntamente com a derrota avassaladora
nas urnas. Ao ex-presidente não resta muitas opções a não ser pendurar o paletó
e se acostumar com o clima ameno de Curitiba. Como a própria revista britânica
relata: “É difícil vislumbrar um retorno do PT”.

O Brasil é um país
novo que atravessa um momento de amadurecimento. Talvez equivalente a um
adolescente desajeitado e de voz indefinida, mas que já começou a formar uma
opinião a partir de suas experiências. Agora resta esperar que nossos novos
representantes locais justifiquem as apostas e sacramentem este momentum
positivo.

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