Observar a natureza nas suas diversas estações do ano é um
prazer muito especial. Isso se torna
ainda mais especial quando temos algumas situações muito extremas, como um
inverno com muito gelo, ou um verão com calor acima de 40 graus.
Como aqui onde estou se inicia a primavera, estou numa
verdadeira reconstrução do nosso jardim: ver o que sobrou debaixo da neve, do vento geladíssimo,
e da umidade constante.
Vejo que as cravinas suportaram bem, e já estão em
flor. Mesmo que ainda muito frio, vê-se
que elas têm um ciclo de hibernação e de floração meio independente de ter sol
ou não. As hortênsias, que pareciam
totalmente mortas, brotam intensamente, e quase se pode ver o crescimento a
olhos nus.
A nossa amoreira, era um
conjunto de galhos secos, e agora são milhares de brotos. Os gerânios, que escondi do gelo, mas que
ficaram no frio sem água por mais de cinco meses, ficaram com folhas vermelhas e
secas, mas já estão brotando as verdinhas por baixo.
As azedinhas, guardadas numa casinha de jardim, igualmente
sem água, já estão esboçando as primeiras florzinhas.
A cebolinha verde, a salsa e o manjericão miúdo, brotaram no
lixo do ano passado, praticamente, debaixo do gelo.
As “arvores da vida”, assim chamadas, típicas de clima quente, só não suportaram o gelo, mas tudo que estava
sob um manto de TNT, está feliz, esperando por dias mais quentes.
O chá de menta morreu! O basílico também! Os tomateiros morrem mesmo depois da colheita. Mas os jasmins de trepadeiras e de arbusto parecem ter se “limpado” de
qualquer inseto, e estão se refestelando com o primeiro solzinho, sabendo que vão ser os reis mais perfumados do jardim.
Todas as famílias se preparam para a nova estação. Nos supermercados quase não se consegue
entrar de tantas mudas, terras adubadas, e ferramentas de jardinagem.
As petúnias devem esperar um pouco, mas, ao contrario do
Brasil onde a florada é curta, aqui elas duram o verão todo, e quanto mais
quente mais flores! Nascem, duram uns
dois dias, e caem. Mas no seu lugar já tem outras no auge do seu ciclo, e assim
mantêm, constantemente, muita alegria e
cor no jardim.
Os pepinos este ano vou semear mais cedo para evitar o
calor acima de 40 graus, que soprou diretamente da África: scirocco, e que
torrou minha colheita do ano passado.
E as minhas prediletas florzinhas azuis, são muito
delicadas. Devo semear cada ano, querem
muita água e carinho. E, principalmente,
muito sol! Não é por menos que são popularmente chamadas de “marido fiel”…
E assim a vida se repete, de ciclo em ciclo. Com todos os
seres vivos. Como alguns tem mais
resistência que os outros, devem ser tratados de acordo, e escolher para si
mesmo uma vida adequada a sua própria complexidade genética.

























