Orçamento Participativo? Escola da Rondônia segue à espera de duas obras “conquistadas” no voto

Em 2013, dezenas de pais de alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Jorge Ewaldo Koch, no bairro Rondônia, se mobilizaram em busca de melhorias. Tinha chegado a hora do Orçamento Participativo (OP) e o desejo era pela reforma do refeitório e da cozinha do educandário. O esforço foi recompensado: a demanda orçada em R$ 371.278,00 foi a vencedora.

Em 2014, ficou decidido que era o momento de pedir melhorias em alguns banheiros e em parte do pátio da Escola Jorge Ewaldo Koch. Novamente, mobilização e organização dos pais. Chegou a hora da votação no OP. A demanda estava no páreo. E não deu outra: o projeto de melhorias orçado em R$ 300 mil foi o vencedor. Juntando as duas demandas “conquistadas” no OP, cerca de R$ 700 mil em melhorias.

Só que a festa da mobilização deu lugar ao desgosto e à desilusão. Nem 2014, nem 2015 e, por enquanto, nem em 2016. Nem sinal de reformas na cozinha e refeitório. Nem sinal de reformas em parte dos banheiros. Só visitas para tirar medidas e fazer projetos. O Orçamento Participativo da Prefeitura de Novo Hamburgo, mais uma vez, mostrou seu lado perverso: é Orçamento Enganativo. O Blog Martin Behrend já fez outros registros mostrando como a administração manipula a população, chamando para a votação, mas não entregando as obras. Conquistas em outras escolas também nunca viraram realidade, como pode ser confirmado em reportagens do ano passado: http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=931 e http://www.martinbehrend.com.br/home/noticia.php?id=1014.

Em relação à cozinha e refeitório, o local já afundou e precisou ser recuperado através de recursos próprios da escola. Teve período em que ratos circulavam pelo local em função da precariedade da estrutura. O ambiente é abafado e sufocante. Além disso, o forro está se esfarelando pela ação de traças e cupins. Sobre os banheiros, dois locais com vasos sanitários foram interditados e não podem ser utilizados pelas crianças por problemas. Em outros dois, a direção precisou enjambrar para garantir o uso do espaço. Atualmente, a escola tem 396 crianças matriculadas.

Agora, a pergunta: precisam os pais

lutar para a escola ter um refeitório, uma cozinha e um banheiro dignos e adequados para seus filhos? Que lógica é essa

que a comunidade precisa mendigar algo que é obrigação da Prefeitura: oferecer ambientes com o mínimo de dignidade para os pequenos hamburguenses.

O Blog Martin Behrend produziu esta reportagem a partir de relatos de pais, incomodados com esta situação. Além disso, há uma preocupação com o futuro da integrante da Guarda Municipal que faz a segurança da escola. Ela atua permanentemente, mas deverá se aposentar em abril. Com isso, a Guarda – a confirmar – deverá enviar um soldado para controlar apenas a chegada e a saída dos alunos. Somente em 2015, a Escola Jorge Ewaldo Koch teve oito arrombamentos.

Em relação à climatização das salas de aula, alguns pais se queixaram que a rede elétrica não suporta todos os 14 aparelhos de ar-condicionado

funcionando simultaneamente com os computadores ligados. Com isso, alguns equipamentos – normalmente, da secretaria – precisam ser desligados. Segundo laudo técnico, a solução passa pela substituição de um gerador no lado externo, mas nem Prefeitura nem AES Sul estariam dispostos a buscar esta solução. Detalhe: todos os aparelhos de ar-condicionado foram adquiridos pela escola através de rifas, festas e galetos. Os equipamentos não foram comprados pela Prefeitura, mas sim pelo envolvimento direto da comunidade escolar.

Entrei em contato com Prefeitura de Novo Hamburgo. Enviei e-mail para seis integrantes da equipe de comunicação. Coloquei o blog à disposição do Executivo para esclarecer quando estas “conquistas” do OP se tornariam realidade – uma é de 2013 e outra é de 2014. Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura não se manifestou.

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