Quem não acompanha o noticiário do mundo do tênis provavelmente desconhece a chinesa Peng Shuai.
Só que a tenista chinesa de 35 anos está longe de ser uma anônima.
Peng Shuai, por exemplo, venceu a competição de duplas de Wimbledon, em 2013, e de Roland Garros, em 2014 – dois dos maiores e mais tradicionais torneios do mundo. Ela fez parceria com Su-wei Hsieh, de Taiwan.
Ela também foi a número um do mundo no ranking de duplas entre as mulheres.
Em resumo: ter no currículo dois títulos de Grand Slam é feito para poucos jogadores. Ser a melhor do mundo, então, é ainda mais raro.
Só que Peng Shuai sumiu. Misteriosamente. E isso ocorreu após ela denunciar o ex-vice-premiê Zhang Gaoli, 75 anos, de tê-la violentado sexualmente. Gaolli é um figurão do Partido Comunista da China.
Peng fez a revelação público sobre o assunto no Weibo, uma rede social estilo Twitter permitido no país. Na postagem, a tenista dizia estar muito assustada e que a esposa de Zhang sabia que ele forçava sexo com a atleta. Sua publicação foi apagada logo depois.
A preocupação sobre o caso aumentou após a imprensa estatal chinesa, CGTN, divulgar um e-mail atribuído à tenista em que ela negava as próprias acusações contra Gaoli. Mas ninguém viu ou ouviu Peng Shuai.
Nos últimos dias, esportistas do mundo inteiro começaram a se mobilizar nas redes sociais com a mensagem #WhereIsPengShuai (Onde está Peng Shuai).
Entre os tenistas e ex-tenistas que se mobilizaram nas redes sociais estão Serena Williams, Naomi Osaka, Kim Clistjers, Chris Evert, Billie Jean King, Martina Navratilova, Andy Murray, o gaúcho Marcelo Demoliner, Stanislas Wawrinka, Fabio Fognini, Jurgen Melzer, Marc Gicquel, Nicolas Mahut, Gilles Simon e Patrick McEnroe. A atriz Mia Farrow e o craque do futebol espanhol Gerard Piqué também se engajaram.
As entidades que organizam o tênis mundial dos homens e das mulheres, ATP e WTA, igualmente se posicionaram.
A tensão está aumentando pois, em fevereiro de 2022, Pequim será sede dos Jogos Olímpicos de Inverno recebendo atletas de dezenas de nações.
O governo chinês silencia sobre o caso. Lideranças do esporte suspeitam do pior.
