Enviei essa pergunta aos meus mais de 200 alunos espalhados na Região Metropolitana, Vale do Sinos, Paranhana e Serra. Além de meus colegas professores e gestores. Obrigado pelas respostas!
É um privilégio conviver com pessoas especiais doando um pouco do seu tempo para auxiliar. Neste momento de tensão, discussão, incerteza e medo, nada melhor do que conteúdos admissíveis a auxiliar àqueles que necessitam tomar decisões difíceis.
Uma parte dos alunos é empreendedor. A maioria é colaborador de empresas em minha região. Eles trabalham na área de serviços, comércio e indústria. Há também os desempregados no grupo, que estão com uma grande força de vontade em voltar ao mercado de trabalho.
Por isso, disponibilizo meu mail pessoal para quem deseje ofertar uma oportunidade a algum deles. Posso afirmar que são muito motivados! Mail: cesarsilva1273@gmail.com.
Recebi várias respostas interessantes. Importante salientar que esta não é, nem de perto, uma pesquisa científica e, sim, um retrato pequeno de ações das pessoas, empresas e mercado, neste momento de incerteza.
Classificarei as respostas e, no final, farei algumas observações que, entendo, sejam relevantes a quem tem negócios. Não utilizarei percentuais e sim a citação das mudanças ou não ocorridas!
As empresas são um conjunto de pessoas com um objetivo comum! Ou deveriam ser. A vida está em primeiro lugar! Sempre!
Olhem o que os alunos responderam:
Vida que segue
Muitas empresas continuam trabalhando normalmente, sem nenhuma alteração percebida. Não foram repassadas informações a respeito da pandemia por parte dos gestores. Inclusive foi citado a seguinte afirmação, que me arrepiou: “que não deve ser abordado o assunto na empresa, pois ele não traz faturamento.” (dois alunos citaram isso)
Outras organizações estão aguardando as comunicações e decretos governamentais, evitando amplificar o tema, a fim de não tensionar emocionalmente ainda mais o ambiente atual. Essas permitem que o tema seja abordado, sem alarde!
Alguns alunos trabalham na área de saúde. Por isso trabalham, normalmente. Relatam que vários médicos cancelaram as consultas em unidades espalhadas nas regiões citadas. Foram mencionadas iniciativas de visitas aos lares daqueles que trabalham no serviço público.
Vida que segue com medidas de prevenção e restrição
As empresas de pequeno porte estão trabalhando normalmente, enquanto podem, e orientam os funcionários de acordo com o que todos sabemos: lavagem das mãos, álcool gel, evitar aglomeração, sem toque humano, cuidado com mãos no rosto, nariz e boca.
Foram mencionados casos de indústrias que tem se prevenido da seguinte forma: álcool gel em todos os setores, controle de temperatura em todos os colaboradores, mudança nos horários de refeição, transformando em marmitas o almoço.
Travamento de bebedouros, garrafas de água individuais, restrição de visita de fornecedores e/ou representantes. Não há mais entrevistas e as admissões foram adiadas. Funcionários em grupo de risco serão liberados em férias de 15 dias, assim como mães e pais com filhos nas escolas paradas.
Os reajustes de salários foram congelados e, em caso presencial, não são ligados os aparelhos de ar-condicionados, mantendo as janelas abertas.
Há alunos que atuam em Guardas Municipais. Todos estão acompanhados de álcool gel e treinados a orientar a população. A falta de empatia foi uma indicação recorrente. Mais abaixo me atenho a esse tema.
Alunos que trabalham em supermercados citam que a limpeza foi ampliada com muito álcool gel disponível e atenção aos grupos de risco.
Algumas empresas decidirão na sexta-feira, dia 20, o que irão fazer a partir da semana que vem. Colaboradores que estão na zona de risco estão sendo liberados, em alguns casos, com revezamento entre setores.
Muitas empresas estão trabalhando em horário reduzido em função da baixa venda ou dificuldade logística em receber e entregar mercadorias. Alunos que trabalham em lojas de shopping têm horário reduzido.
Aqueles que trabalham com mercadorias importadas não estão conseguindo comprar mercadorias. Citam que há matérias-primas com estoque zerado, sem esperança de reposição à curto prazo.
Home office total e parcial
Foram citados casos em que a empresa disponibilizou todo equipamento para o trabalho ser realizado em home office. Algumas pessoas de áreas importantes na empresa, estão trabalhando presencialmente.
Inclusive foi citado o caso de escritórios de contabilidade em que os sócios permanecem atendendo e os funcionários são liberados para trabalhar em casa.
O presencial somente se for muito necessário: foi a tônica das respostas. No caso de empresas que atuam na área de telecomunicação, a área administrativa está em home office e os funcionários de campo estão usando máscara e álcool gel, permanecendo ativos.
Várias pessoas citaram a utilização de vídeo chamadas, principalmente, com idosos. Sejam em relações familiares ou em caso de trabalho, na área de saúde ou orientações à compras e pagamentos.
Imobiliárias, a maioria, trabalhando com atendimento virtual através de whats, telefone ou redes sociais.
Um caso interessante de citar: o parente de um aluno está em casa com suspeito do vírus e já bateu as metas do mês de vendas de ração para pets. Ou seja: a preocupação com seus animais de estimação cresceu muito por parte da população.
O tele-atendimento tem aumentado em todas as empresas citadas. A transformação digital vai acontecer na necessidade!
Programando Férias Coletivas ou obras
Uma série de aluno citou que as organizações estão trabalhando normalmente e programando férias coletivas, com uma parada total de 15 dias, a partir desta sexta-feira, 20/03.
Foram citados casos de que a empresa já está operando em home office e, caso as entregas de matéria-prima e produtos não sejam efetivadas, ou não sejam possíveis, podem estender as férias coletivas por 3 ou 4 semanas.
No caso de aluno de Gramado, ele citou que lá estão fechando lojas, restaurantes e locais de eventos. Não há turistas na cidade. A hotelaria perdeu muitas reservas. Alguns estão aproveitando o momento para fazer obras, logicamente, porque estão capitalizados. Essa não é a realidade da maioria das empresas. Vários alunos estão com receio da perda de seu trabalho ou da mudança de função.
Percepções e realidades
Muito do que foi citado sobre o comportamento das pessoas, resumirei aqui. A reclamação foi muito intensa quanto a falta de respeito de uns e atenção e carinho de outros.
A maneira como a direção da empresa está atuando nesse momento, está impactando diretamente a permanência de pessoas altamente qualificadas.
É claro que o medo, a ansiedade, a sensação de que o mundo que conhecíamos está indo para o fim é real, presente e extremamente influenciável nos comportamentos de todos: empreendedores e colaboradores.
A falta de empatia tem sido muito relatada. “Tem gente que não está nem aí”. Essa frase foi repetida inúmeras vezes, principalmente, com aqueles que atendem o público, diretamente. Muitos idiotas brincando com uma situação grave e agindo “sem noção”.
Algumas empresas grandes liberaram o décimo terceiro salário de todos os colaboradores, a fim de que tenham lastro financeiro extra para liderarem com suas situações pessoais.
A incerteza quanto ao futuro tem sido a tônica. Em realidade, ninguém sabe exatamente quais serão os impactos reais na vida das pessoas, além daqueles que estão sentindo. Algumas empresas montaram planos de contingência em uma velocidade ágil e outras não tem a menor ideia se estarão abertas no mês que vem.
Muitos são profissionais liberais: cabeleireiros, prestadores de serviço na área de construção civil, enfermeiros e afins. Esses relataram que todos os serviços programados foram cancelados.
Alunos que atuam com comércio exterior estão em pânico. Várias fronteiras fechadas e sem previsão de liberação das mercadorias. Esse setor tem sido muito impactado.
Empresas que trabalham com produtos químicos têm contratado desenfreadamente, sem muita dificuldade. Mas há outras que estão demitindo em massa ou escolhendo as férias coletivas.
Tenho uma opinião um pouco conservadora sobre o momento: agora haverá muitas revelações! Ou não?
Quem é carrasco, será; quem é mais humano será e quem pensar somente no curto prazo se arrependerá!
Soluções inovadoras estão sendo desenvolvidas nesse momento. A escassez é o combustível da inovação para a maioria que não enxerga além da curva da esquina. É um momento de agregar conhecimento, parar para planejar tudo, buscar alternativas internas e externas, mas principalmente: é um momento que precisamos parar e ter calma.
Não há fórmula pronta para ninguém. Não acredito em pessoas que se dizem salvadoras do mundo. Essas normalmente têm fórmulas prontas para todos, desde comprem com elas. Cuidado empreendedor! Receita pronta, só na farmácia. Se fosse ótima, teria ajudado a quem busca o seu dinheiro nesse momento!
Acredito muito nas pessoas que estão trabalhando diretamente com os pacientes, enfrentando cara a cara a realidade dessa pandemia. Essas são os heróis verdadeiros!
E chegou o momento de repensarmos tudo. Reforço um pensar recorrente: se remunerássemos, como sociedade, os pesquisadores e aqueles que tem um impacto na vida de todos nós, como algumas profissões que não salvam vidas, e só servem para manchetes ou “brilhantinas”, será que a doença existiria ou a vacina estaria pronta?
A sociedade como existe está em “cheque”. Ou poderia dizer: a atitude de algumas pessoas, como está, não tem mais espaço! Exemplos de colaboração não faltam no mundo! Entende quem escolhe entender!
A solidariedade é a melhor escolha!
César Silva é Escritor, Professor, Consultor e Mentor de Negócios PMBM e Softex. Ajudo empreendedores em sua Jornada rumo ao Crescimento Relevante e Inovador.
@cesarsilva.oficial / Linkedin: César Silva
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