O principal motivo para ter tantos pedintes e comércio nas sinaleiras

As queixas sobre uma realidade presente em Novo Hamburgo e muitas cidades da região chegam toda a semana ao Portal Martin Behrend.

A presença de pedintes e do comércio de produtos nas sinaleiras é uma constante.

Em cruzamentos mais movimentados, basta o sinal ficar vermelho e começa a intensa circulação entre veículos. Panos, balas, chocolates, paçoca, flores e frutas estão entre os produtos mais oferecidos. Além disso, tem os aventureiros das artes que fazem malabarismos e até cospem fogo.

Alguns motoristas se sentem intimidados, outros lamentam a sujeira deixada no passeio público e tem quem não entende o que atrai essas pessoas para as ruas.



MOTIVOS


Ao longo da minha trajetória como jornalista, já fiz algumas reportagens sobre o tema. Abaixo relato algumas observações que costumo repassar aos leitores fruto de apurações jornalísticas.

O principal motivo para ter tanta gente nas sinaleiras é simples: se ganha dinheiro sem fazer esforço. Muitos motoristas, por diferentes motivos, fomentam essa prática e mantém o mercado aquecido nos cruzamentos.

Se os motoristas não comprassem os produtos ou não incentivassem a permanência das pessoas, essa prática seria diluída. São os motoristas que sustentam esse mercado das sinaleiras.

OBSERVAÇÕES

O protagonismo dos motoristas comprando produtos e dando dinheiro aos pedintes é o principal motivo para para ter tantos pedintes e comércio nos cruzamentos. Mas é importante fazer outros registros que já apurei ao longo do tempo:

– Já foram oferecidos empregos para algumas das pessoas que ficam nas sinaleiras. Elas não querem compromisso fixo: preferem escolher horário, data e local para trabalhar – até porque sabem que serão sustentadas por motoristas.

– Alguns motoristas recomendam que as pessoas procurem vagas em empregos formais no Sine e na AME Novo Hamburgo, por exemplo. Neste momento, tem centenas de empregos na cidade e região. Mas o pessoal não quer ter carteira assinada e compromisso.

– Muitos dos vendedores de sinaleiras são recrutados por um esquema sofisticado. Não são muitos vendedores que compram as frutas, por exemplo. As frutas são trazidas por seus chefes, que têm carros, celulares e todo um roteiro de distribuição nas sinaleiras.

– A procedência de frutas, por exemplo, é duvidosa e coloca a saúde em risco, já que não há fiscalização e os produtos ficam em condições não adequadas e sem controle – sol, chuva, abafamento, umidade, etc.

– Muitos dos cruzamentos que recebem vendedores ambulantes acumulam sujeira. Ou seja, quem compra nas sinaleiras também ajuda a sujar a cidade.

– Quem também compra nas sinaleiras está deixando de prestigiar comércios formais da cidade, que poderiam estar sendo incentivados pelos clientes.

– Quem compra nas sinaleiras incentiva que as pessoas permaneçam sob sol escaldante ou chuva, em condições nada favoráveis. O caminho para uma situação digna seria ter um trabalho – reforçando, são centenas de empregos disponíveis em Novo Hamburgo e região.

– Seguidamente, motoristas que fazem compras nas sinaleiras perdem tempo com dinheiro e/ou troco, trancando o trânsito. Além de uma compra indevida, ainda prejudicam a mobilidade urbana.

– Uma minoria das pessoas nos semáforos é miserável e precisa de suporte. Hoje, existe nos municípios uma ampla rede de assistência social. É possível receber esse acolhimento e ajuda em diferentes serviços do poder público. Então, para essas pessoas – uma minoria – existe um caminho mais digno e adequado com o suporte de assistentes sociais e em locais preparados para esse atendimento aos mais carentes e necessitados.

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