A circulação de uma cepa do novo coronavírus está deixando as autoridades brasileiras preocupadas.
A mutação do vírus chamada P1 teve origem em Manaus (AM) e oferece maior capacidade de transmissão.
Em Gramado, na Região das Hortênsias, ela foi a causadora da morte de um homem de 88 anos, no final da semana passada. Tanto que a cidade está adotando medidas mais restritivas, conforme registrado pelo Portal Martin Behrend: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…
Já são 173 casos do P1 identificados em diferentes regiões do Brasil, conforme informações do Ministério da Saúde.
FERNANDO SPILKI
Na noite desta terça-feira (16), o virologista e professor da Universidade Feevale, Fernando Rosado Spilki, fez um alerta preocupante. Ele foi entrevistado pelo jornalista Paulo Renato Soares em uma reportagem do Jornal Nacional. Spilki declarou:
“Já foi detectada a reinfecção pela linhagem P1, de Manaus. Estas linhagens têm variações na proteína spike e parecem facilitar esse processo de reinfecção. Então, elas conseguem ‘escapar’, digamos assim, da imunidade dada por linhagens anteriores do vírus”.
Sendo bem objetivo: quem já teve Covid-19 pode ser reinfectado por essa variante do novo coronavírus.
Integrante da Rede Nacional de Monitoramento e Sequenciamento do Genoma do Coronavírus no Brasil, Spilki também disse que, pelos dados que existem até o momento e por comparação já realizadas, existe, sim, uma transmissibilidade mais alta. “Nós ainda não temos dados que possam indicar uma virulência mais alta e indução de quadros mais graves, mas quanto à transmissibilidade parece bastante seguro afirmar isso”, salientou.
LOCKDOWN
Além disso, Spilki analisou que poderá ser necessário implantar lockdown em regiões específicas para conter a propagação dessa cepa com maior capacidade de transmissibilidade. Ele também sugere intensificar a vacinação nos municípios em que está sendo identificada a nova variante.
Fernando Rosado Spilki é pesquisador do mestrado em Virologia da Universidade Feevale. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Virologia no biênio 2019/2020, e é coordenador do Laboratório de Microbiologia Molecular da Feevale, responsável pelos testes de diagnóstico de Covid-19 realizados na Instituição. É doutor em Genética e Biologia Molecular.
