É assustador o que vem ocorrendo na ERS-239.
Em menos de 40 dias, foram registrados nove óbitos em diferentes acidentes de trânsito.
Ao longo de 2020, nos mais de 100 quilômetros da rodovia, foram 12 óbitos em ocorrências de trânsito. Os dados são do Comando Rodoviário da Brigada Militar. Neste levantamento não estão relacionados os acidentes em que há feridos.
As mortes mais recentes foram registradas nesta sexta-feira (5), num intervalo de quatro horas.
O trecho mais preocupante fica de Sapiranga e Nova Hartz, incluindo Araricá.
As autoridades têm conhecimento desta realidade, mas as respostas não ocorrem na mesma rapidez da violência do trânsito.
Ao mesmo tempo, há um misto de desatenção e despreparo de motoristas e pedestres. Recentemente, foram instaladas duas passarelas no trecho de Sapiranga – e, incrivelmente, tem vários pedestres que seguem cruzando a rodovia por baixo, sem usar a estrutura.
A ERS-239 precisa urgentemente de um planejamento para investimento pesado em viadutos – assim como ocorreu com a BR-116. Os acessos e os refúgios para cruzar a rodovia estão muitas vezes no cenário das colisões.
SOMATÓRIO
O que vem ocorrendo na ERS-239 é um somatório de realidades. Não existe uma causa única. Claro que algumas situações têm mais relevância, mas é a soma de problemas que está transformando a 239 numa nova rodovia da morte.
– Rodovia superada e ultrapassada. Com raros viadutos, tem vários retornos e refúgios que são armadilhas e uma espécie de roleta russa para quem precisa cruzar a rodovia.
– Poucas passarelas. No trecho de Novo Hamburgo a Taquara, são apenas três passarelas, sendo que duas foram inauguradas recentemente. Em Parobé, onde instalaram a primeira passarela, reduziu muito os acidentes. Em Sapiranga, mesmo com as novas passarelas, ainda tem vários pedestres que cruzam por baixo da rodovia, colocando em risco suas vidas e dos motoristas.
– Motoristas desatentos e descuidados. Falta direção defensiva e tem uma parcela de motoristas imprudentes. Além disso, tem aqueles que exageram na velocidade.
– A rodovia tem controladores eletrônicos de velocidade em diferentes pontos. Alguns foram retirados no ano passado. Há uma pressão para que se tenham mais controladores e mais radares na rodovia para punir quem comete excessos – confira abaixo mais detalhes.
– Conflitos de espaços. A ERS-239 se tornou uma rodovia com circulação de caminhões, carros de passeio, carroças, ciclistas e pedestres. Há um conflito grande de público. Além disso, tem muitos comércios e indústrias às margens da rodovia, ou seja, tem uma entra e sai permanente de veículos, exigindo atenção redobrada de motoristas.
– Fluxo acentuado. A rodovia tem diversos públicos e vem ganhando cada vez mais circulação: é região de intensa produção industrial; forte movimentação comercial no Vale do Sinos e Vale do Paranhana; ligação com as praias do Litoral Norte; acesso para milhares de turistas rumo à Região das Hortênsias
SAPIRANGA
Nesta semana, a prefeita de Sapiranga, Carina Nath (PP), esteve com representantes do Daer e Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), secretário
municipal de Planejamento, Habitação, Segurança e Mobilidade, Carlos
Maurício Regla, e vereador Alvacir Grooders (o Guto), verificando os
locais em que serão instalados os redutores de velocidade junto a
RS-239.
Um dos redutores deverá ser instalado no sentido Taquara/Sapiranga há alguns metros após o Posto Ferrabraz, antes do cruzamento com a rua Nações Unidas, no bairro Amaral Ribeiro.
E o segundo será instalado no mesmo local onde mantinha-se anteriormente, em frente a Rua Jacob Milton Benemann. Essas demandas foram apresentadas ao secretário de Logística e Transportes do Estado, Juvir Costella, em reunião ocorrida na quarta-feira, 27 de janeiro, em Porto Alegre.
Outra
demanda que deverá ser atendida foi o reforço na sinalização, tanto no
retorno, quanto na entrada para a Nações Unidas, com objetivo de
garantir mais segurança para todos, motoristas e pedestres.
