Perdemos a guerra. Claramente, perdemos.
Como sociedade, como estrutura comunitária, como nação.
A questão é saber se conseguiremos estancar o derramamento de mortes. Podemos evitar que essa tragédia se torne ainda mais dolorida e sombria.
Nesta terça-feira (16), um dia de recordes para não serem comemorados – mas que, jornalisticamente, devem ser registrados.
– Novo Hamburgo atingiu a marca de 508 mortos confirmados pela Covid-19 desde o início da pandemia. A mortalidade por 100 mil habitantes no município é de 205,9.
– O Rio Grande do Sul teve 502 óbitos confirmados pela doença nas últimas 24 horas (são de alguns dias, mas que foram confirmados nas últimas 24 horas). É mais de uma morte por município gaúcho – apenas uma relação que ilustra a dimensão da tragédia.
– O Brasil teve 2.798 óbitos pela Covid confirmados nas últimas 24 horas (são de alguns dias, mas que foram confirmados nas últimas 24 horas).
Poderiam ter mais UTIs? Sim! Poderiam ter mais leitos clínicos? Sim? Poderiam ter mais testes? Sim.
Mas tudo isso seria insuficiente diante de um negacionismo e da falta de liderança; diante de uma indisciplina da população e de um povo acostumado a jeitinhos e malandragens.
Não há sistema de saúde que, durante uma pandemia, suporte um povo sem educação e sem liderança.
Quem ainda chora? Quem ainda se indigna? Quem ainda se revolta? Tem gente arrependida por seguir negacionistas e discursos mentirosos?
Sim, precisamos viver, precisamos trabalhar, precisamos garantir nosso sustento e da nossa família. Temos de olhar pra frente e acreditar. Mas será que nada diferente pode ser feito? Não temos mais sacrifícios em nome da vida, de estar vivo?
Eu sei: são milhões de recuperados da infecção. Eu sou um dos recuperados. Que bom ter tanta gente recuperada.
Mas o que estamos vivendo é sem precedentes.
E, depois disso tudo, o mais terrível é saber que tem gente que ainda faz campanha… para termos mais mortes e sofrimento. São mais de 282 mil brasileiros mortos. E esse número vai crescer muito mais.
Cuidem-se. Protejam-se. É devastador o que estamos vivendo.
