Neste sábado (5), atualizei a situação dos leitos de UTI nos hospitais do Vale do Sinos.
Em quase todos o cenário é de superlotação. O motivo é um só: mais gente infectada pelo novo coronavírus.
No mundo, mais de 1,5 milhão de pessoas morreram com o vírus. O Brasil já tem mais de 176 mil mortos pela doença. No Rio Grande do Sul, são mais de 7 mil gaúchos que perderam a vida com a presença do novo coronavírus.
Mesmo diante dessa calamidade pública global, que devastou dezenas de milhares de famílias pelo mundo, existe o negacionismo – explícito ou nas entrelinhas.
Vou reproduzir aqui alguns comentários que atestam um misto de negacionismo com desinformação:
“Palhaçada! Quantos destes leitos estão ocupados por pessoas com COVID? Tu não gosta que te xinguem, mas poderia trazer um pouco mais de clareza nas tuas matérias e aproveitar para explicar por que o sistema de saúde não está mais preparado.”
Primeiramente, a leitora – mulher – acredita, na visão dela e por discordar de uma matéria, que o jornalista deve ser xingado no seu espaço de trabalho. É um pensamento absurdo acreditar que um leitor possa vir ofender um repórter por não gostar da matéria, mas está lá registrado o comentário.
Em segundo lugar, o Estado do Rio Grande do Sul criou, desde o início da pandemia, mais de 1.000 novos leitos de UTI em diferentes hospitais. O Portal Martin Behrend destacou esse número em setembro: https://martinbehrend.com.br/noticias/noticia/…
De lá para cá, mais dezenas de novos leitos já foram abertos pelo governo estadual. A estrutura pública de atendimento dobrou sua capacidade com mais de 1.000 novos leitos estruturados de março até novembro.
Neste domingo (6), a taxa de ocupação dos leitos de UTI nos hospitais do Rio Grande do Sul está em 81%. Já esteve ao redor de 90% e já esteve na casa dos 60%. Numa minoria de UTIs, houve o fechamento de um pequeno percentual de leitos. É preciso reativar.
Ocorre que estamos numa PANDEMIA. Os Estados Unidos, o pais mais rico do mundo, não deu conta de atender tantos pacientes. E lá tem dinheiro jorrando pra investir. É uma PANDEMIA.
“Se passam de 100% tem gente no chão? Informações de Sapiranga não procede…”
As pessoas não vão para o chão. São criadas estruturas ainda mais emergenciais para dar conta de atender o número de pacientes. Existem os leitos oficiais, registrados no sistema do governo estadual, e existem estruturas criadas de forma urgente em razão do crescimento de casos em poucos dias.
Confiram abaixo o dado divulgado, neste domingo (6), pelo governo estadual a partir de informações repassadas pelo Hospital Sapiranga:
É so usar o Hospital de campanha da Fenac e todas as vagas de UTI que foram abertas. Como assim “Não fizeram nada disso em 9 meses?”
Como dito anteriormente, no Rio Grande do Sul foram abertas mais de 1.000 vagas de UTI.
Em Novo Hamburgo, o Hospital Municipal de Novo Hamburgo tinha 20 vagas na UTI em março deste ano. Há vários meses, o Hospital Municipal passou a oferecer 35 vagas de UTI, mantidas até hoje.
Sobre o Hospital de Campanha, a Prefeitura de Novo Hamburgo errou ao anunciar que teria um destes locais. Criou uma expectativa indevida. O custo altíssimo e a falta de profissionais tornariam o local um “elefante branco”, onde se gastariam milhões sem a certeza de seu funcionamento, como se verificou em dezenas de municípios que torraram milhões em hospitais de campanha sub-aproveitados. E que, agora, precisa pagar pela lona, equipamentos caríssimos e profissionais. O investimento dos valores na estrutura do Hospital Municipal tem se mostrado mais acertado diante da realidade do que está ocorrendo em hospitais privados.
Quando que as UTI s estiveram com folga? Nunca!
Vocês lembram o que era dito no inverno? “Sempre foi assim no inverno gaúcho. As UTIs sempre lotavam por causa das baixas temperaturas, da geada, da neve, do frio. Por que não falam dos outros invernos, que lotavam os hospitais?”
Agora, estamos na primavera-verão. Dias quentes, tórridos, temperaturas acima dos 40 graus. Acidentes de trânsito despencaram sensivelmente ao longo do ano, aliviando os leitos de UTI. Doenças respiratórias comuns em outras temporadas reduziram muito, pois houve controle da circulação, principalmente de crianças. Como já dito, o RS está com mais de 1.000 leitos de UTI novos.
E, mesmo sendo verão, mesmo com queda brutal dos acidentes de trânsito e menos feridos nos hospítais, mesmo com mais de 1.000 novos leitos de UTI, mesmo com queda nos casos de doenças respiratórias tradicionais, a pandemia é muito forte. E tem gente que segue a negar, dizendo que sempre foi assim. É o negacionismo somado com a desinformação.
Não podemos parar de trabalhar!! Simples!
Tem razão o leitor. E o governo entendeu isso, liberando muitas atividades com um pedido: OBSERVEM OS PROTOCOLOS. Esse foi o pedido: OBSERVEM OS PROTOCOLOS. Se todos tivessem feito a sua parte, eu tenho a convicção que não teríamos tido tantos casos em tão curto espaço de tempo.
Hoje, eu levo 90% da vida normal. Vou a bancos, supermercados, mercados, Correios, trabalho. Mas sempre observando os protocolos. Não vou em aglomerações. Uso máscara. Passo o dia inteiro usando álcool em gel. Tem tapetes sanitizantes no meu prédio. Frequento locais com protocolos aprovados pelo governo.
Agora, feriados em outubro e novembro, viagens de turismo, eleições municipais e muita gente achando que tudo estava normal. Desinformação, negacionismo. O que se pede das pessoas é um mínimo de sacrifício, o que significa abrir mão de algumas atividades e obedecer aos protocolos.
Vejam que o comércio, a indústria e os prestadores de serviços estão atuando. E devem seguir, pois a maioria observa os protocolos. Desta vez, as restrições atingiram mais os espaços de lazer, de diversão, onde as pessoas simplesmente ignoram a pandemia.
Podem ser criados mais 500 novos leitos. Mas somos 11 milhões de gaúchos. Ou seja, a irresponsabilidade de transmitir o vírus de forma tão rápida em curto espaço de tempo é muito mais intensa do que a estruturação de leitos. Atos irresponsáveis contaminam 10, 50, 100 pessoas em 24 horas. E aí, vai erguer um leito pra cada um?
A pandemia é muito mais forte do que teorias negacionistas. Pergunte para muitos que perderam um familiar para o vírus.
