Naiana está em Toronto, no Canadá

DE NOVO HAMBURGO PARA TORONTO

Convidada: Naiana Huyer, 43 anos

De Novo Hamburgo. Reside em Toronto, no Canadá.


Filha de Luiz Carlos Huyer e Rosa Maria
Coelho

Nasceu em hospital de Porto Alegre

É casada com Eduardo Melo e mãe da Pietra, Enzo e Bruna


Estudos

Escola Estadual 25 de Julho, Escola Pindorama,
Fundação Evangélica e D
esign na Universidade Feevale


Quando foi morar no exterior?

Fui morar em Toronto, no Canada, em junho de
2009.
Antes da oportunidade, surgiu o sonho e a
vontade. Minha mãe viajou ao Canadá, em 1997. Ela voltou encantada e disse: “Se eu fosse jovem, começaria a minha vida em um pais como o
Canadá.” Nesse momento, o Eduardo, meu namorado na época (atual marido), e eu começamos a sonhar juntos.

Durante a minha faculdade de Design na Feevale,
surgiu a oportunidade de uma viagem ao Canadá para participar de aulas
na Universidade de Montreal, e também conhecer empresas de diferentes áreas de design. Foi o meu primeiro contato com o país; uma experiência
incrível que despertou ainda mais a vontade de viver no Canadá.



Meu marido, Eduardo, sempre foi meu companheiro
em tudo, inclusive nos sonhos. A partir daí começamos a planejar o processo de
imigração. Em paralelo a isso, o Eduardo, que trabalhava na área
de logística (importação e exportação) em Novo Hamburgo, começou a buscar oportunidades. Até que em maio de 2009 apareceu! Ele foi contratado para
trabalhar em uma empresa de logística com sede
em Toronto, onde permanece até hoje.


Embarcamos em busca dos nossos sonhos, de mala e
cuia, com nossa filha Pietra, na época com dois anos, nosso cachorro e com
muita coragem para começar uma nova vida em um novo país.

A minha adaptação não foi nada fácil. Logo
que chegamos, engravidei do nosso segundo filho, Enzo (hoje com 11 anos), e seis
anos depois nasceu a nossa caçula, Bruna (hoje com 5 anos). Levei muitos anos
para ter a certeza de que queria mesmo ficar no Canadá.


Na verdade, junto ao
nascimento da Bruna, nasceu a minha certeza de que este país seria o lugar onde iríamos criar os nossos filhos, a nossa família. Nesse mesmo ano, ganhamos
a nossa cidadania canadense, mas os nossos corações continuam brasileiros, para
sempre!



Onde reside?

Continuamos residindo em Toronto, cidade que nos
acolheu desde o primeiro dia. Nos sentimos parte daqui, pois Toronto tem essa
característica marcante, a cidade mais multicultural do mundo, onde as mais
diversas culturas e etnias convivem em harmonia e respeito. Viver aqui é poder conviver com várias culturas diariamente, ouvir os mais diferentes idiomas a
cada passo dado, poder experimentar as mais diferentes comidas e temperos a
cada esquina. Nossos filhos têm um paladar apuradíssimo justamente por estarem
expostos a tantas comidas diferentes. Durante as refeições na escola, eles
trocam lanches entre colegas indianos, filipinos, coreanos ou ucranianos,
além de trocarem histórias e cultura.



O Canadá é um pais que abraça a todos e tenho
que dizer que, ao longo desses 12 anos, nunca senti ou sofri nenhuma forma de
discriminação por ser imigrante. Pelo contrário, sempre recebi sorrisos
sinceros e a frase “Welcome to Canada”.


Mas a saudade sempre aperta e já faz parte da
minha vida. Tive que aprender a lidar com isso e também a valorizar os
momentos em família. Nossos familiares do Brasil vêm nos visitar frequentemente e procuramos
voltar ao Brasil todos os anos.


Qual a sua atividade atual?

Logo que cheguei no Canada, engravidei do
segundo filho e resolvi me dedicar a eles.



Entre fraldas e mamadeiras, fiz vários projetos
de Design de Interiores e também alguns eventos. Com a chegada da terceira
filha, resolvi que a minha atividade seria cuidar da família, e faço isso
até hoje, com todo o amor e dedicação.


Com quem vive?

Vivo com o meu marido, Eduardo, minha filha
Pietra (14 anos), meu filho Enzo (11 anos), minha filha Bruna (5 anos) e nosso
cachorro Bunny (2 anos).



Qual local sente saudades de frequentar na
cidade/região?

Sinto saudades do sentimento de estar na sua
cidade, nas suas raízes. Sinto saudades de momentos da vida em Novo
Hamburgo, como as piscinas do Aliança, quando eu era criança; dos meus tempos
de Fundação, quando era adolescente; de caminhar na Maurício Cardoso com a
minha filha no carrinho; de ir passar o final de semana em Gramado com o meu
marido; de tomar cafezinho com o meu pai no shopping. Sinto saudades,
principalmente, de poder ir na casa dos meus pais, a qualquer momento.



Qual restaurante/comida da região que sente
falta?

Sempre que voltamos a Novo Hamburgo nosso primeiro desejo
gastronômico é o xis do Kings Kão. Ate nossos filhos já conhecem e
adoram! Também sinto saudades do buffet do Paulinho Pilatti, do Bifão, do
Italian Place (peito de frango com molho quatro queijos) e da antiga confeitaria Bier
(era a minha predileta). Ah, tem uma coisa que nunca encontrei aqui e que sinto
muita falta: cuca!


Tem algum habito/costume/rotina que levou da
região para o exterior?

O chimarrão da minha avó, sempre lembro dela!
Também comemos arroz e feijão todas as semanas e fazemos um típico churrasco
gaúcho todos os finais de semana (exceto nos meses de inverno, pois as
churrasqueiras são todas na rua).


Também trouxemos e mantivemos a nossa
cultura brasileira e o jeito brasileiro de ser, com muitos abraços e beijos,
além de falar alto e dar risadas. Nosso vizinhos já estão acostumados e
adoram esse nosso jeito espontâneo de ser.



Em casa só se fala português e lemos livros para as crianças. Todas elas são fluentes em português
e as mais velhas aprenderam a ler e escrever sozinhas.


Aqui em casa também temos o hábito de escutar
música diariamente, e a maior parte do tempo escutamos músicas brasileiras.


Outro costume que veio através dos avós e tios foi o amor pelo futebol. O Enzo é louco por futebol e adora o Grêmio.
Acompanha os jogos e conhece todos os jogadores.
Acho que os meus filhos são canadenses, com um
bom tempero brasileiro e uma pitada de gaúcho!



Pensa em voltar a morar na região?

Por muitos anos quis voltar, pois sinto falta da família, mas o tempo fez eu mudar, ou melhor, os meus filhos me
fizeram entender que aqui é o lugar deles, e por eles eu vou ficar.


Meu marido e eu gostaríamos de passar
temporadas no Brasil, depois que nos aposentarmos. Os meses de invernos aqui são
rigorosos, então, o ideal seria ficar no Brasil, e depois passaríamos o
restante das estações no Canadá.


Qual atrativo ou destaque da cidade/região
onde mora?

Pergunta difícil para uma cidade tão
diversificada como Toronto!



Toronto é uma cidade limpa, organizada, onde
tudo funciona, sem muita burocracia, com inúmeras opções de lazer, cultura e
arte. Tem diversos museus, de história natural, calçados, tecidos, arte persa, cerâmica, ciência, galerias de arte, muitos shows e teatro,
além de eventos sazonais.


A província de Ontário, onde fica Toronto, tem
muitas fazendas de frutas, onde as pessoas podem passar o dia e colher
suas próprias frutas. Isso é bem típico e cada temporada tem uma fruta
(por exemplo, meses de verão são morangos e pêssegos, nos meses de outono, são maçãs e abóboras). Esse é um programa de família, e nós fazemos isso sempre.


Em Ontário também tem muitas vinícolas, na
região de Niagara Falls. Também é programa de final de semana ir passear e
almoçar nessa vinícolas. Sempre que temos visita do Brasil vamos a essa
região.


Qual ensinamento/lição/prática que tem na sua
atual cidade e que gostaria de ver se aplicada na cidade onde viveu no Brasil?

A principal lição que aprendi no Canada é que o
sistema e o todo só funcionam se cada um fizer a sua parte, por menor que seja.
A diferença que vejo é que o cidadão se preocupa, primeiro, com o todo, e
não consigo. A gente percebe essa preocupação e cuidado com o próximo, o
tempo todo, nos mínimos detalhes (trânsito, estacionamento, filas, lixo,
limpeza).



O canadense tem um senso de comunidade muito
forte e está sempre procurando ajudar. Então, existem muitas campanhas para
arrecadar doacões aos mais necessitados, a países mais pobres que sofreram
algum desastre natural ou estão em guerra, muito trabalho voluntário e uma
visão de mundo além das fronteiras do Canadá.


Esses valores eles já aprendem
desde cedo na escola e acho admirável. Minha filha, que agora está no High School,
tem que cumprir “x” horas de trabalho voluntário para poder se formar.


Por fim, admiro o respeito que as pessoas têm
uma pelas outras, independente de cor, religião, origem, classe social, etc.
Esses valores morais fazem toda a diferença na vida de uma sociedade.


Amo muito viver no Canadá, assim como amo saber
que minhas raízes estão no Brasil!


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