Município tem índice zero em mortalidade materna nos últimos dois anos

Há mais de 30 anos o mundo despertou para o problema da
mortalidade materna, temática que ganhou mobilização mundial. Dia 28 de
maio foi comemorado o Dia Mundial de Combate à Mortalidade Materna. A redução
no número de mortes de mulheres durante a gravidez, parto ou puerpério é uma
das metas perseguidas dentro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio,
iniciativa global promovida pelas Nações Unidas (ONU). Os indicadores de São
Leopoldo são de fazer inveja aos seus pares: nenhum óbito em 2014 e 2015,
perfil que se mantém em 2016. O Hospital Centenário realizou 433 cesáreas e
1.142 partos normais em 2015. Nos dois últimos anos, 2014 e 2015, São Leopoldo
não teve nenhum registro de morte materna. A média nos últimos dez anos é de
1,4 mortes.

“Criamos diversas ações de enfrentamento às
complicações obstétricas. Trabalhamos forte na prevenção e detecção precoce de
doenças, resultando na melhora da saúde das mães. Podemos dizer que houve um
enorme progresso, que ganhou ênfase a partir da implantação do Protocolo da
Mulher em 2013”, afirma a secretária da Saúde, Miriam Bavoso. As complicações
durante a gravidez ou o parto, como hemorragia, doenças hipertensivas, sepse e
complicações do aborto, são condições biomédicas que produzem as mortes
maternas.

Para a secretária de Políticas para as Mulheres, Clarissa
Araújo, São Leopoldo se antecipa ao Objetivo 3 da ONU, de “assegurar uma vida
saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades” e que prevê
reduzir a taxa de mortalidade materna global para menos de 70 mortes por 100.000
nascidos vivos até 2030. “A mortalidade materna não está associada apenas a
doenças. O contexto é mais amplo e inclui outros determinantes sociais, como o
papel da educação, renda, local de nascimento e grau de opressão a que está
sujeita a mulher na sociedade.”

Para garantir que não haja um retrocesso nestes índices
precisamos manter um conjunto ambicioso de metas para melhorar o acesso a
serviços de saúde de qualidade, reverter condições socioeconômicas
desfavoráveis. Além disso, um agravante da mortalidade materna é a alta (e
crescente) realização de cesáreas: o percentual de partos cesáreas no Brasil em
relação ao total é de 52%, sendo esse índice de 46% na rede pública e 88% na
rede privada, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que somente
15% dos nascimentos ocorram por procedimento cirúrgico.

SAIBA MAIS

Segundo o estudo publicado na revista médica britânica The
Lancet, 303.000 mulheres morreram em 2015 em consequência de complicações
durante ou depois da gravidez, durante o parto ou nas semanas posteriores. Na
década de 1980, estimativas sugeriam que aproximadamente 500 mil mulheres
perdiam suas vidas a cada ano por causas evitáveis relacionadas à gestação. Atualmente,
a taxa de mortalidade materna é de 216 mortes para cada 100.000 nascimentos,
contra o índice 385 mortes para cada 100.000 partos em 1990.

Assessoria de Imprensa/Prefeitura de São Leopoldo

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