Minha casa, minha rua, minha praça, minha prefeitura, minha gente! Tudo meu?

Tudo nosso! Com isso vem a responsabilidade em cuidar com
carinho e zelo. Não basta terceirizar nossa cidadania entendendo que somente o
voto basta e não participar na fiscalização posterior e, mais, na colaboração
que nos cabe.

Crítica por crítica não se sustenta! Canso de ver em redes
socais reclamações das mais diversas e estes mesmos não pagarem seus impostos
ou destruírem patrimônio público. É muito interessante brigar por democracia e a
boa utilização dos recursos públicos e sair quebrando, queimando e depredando
os bens públicos como se fossem do governo. Prédios públicos, praças e carros.

Em realidade o governo deveria ser o gestor e não o
proprietário. Mas nós olhamos para ele, como ente, pessoa, alguém, eles, dono
do que foi pago com o nosso dinheiro. Aí o primeiro erro! Nosso!

O voto é um casamento de quatro anos. E como todo casamento é
feito de felicidades e tristezas. Não se cuida do casamento a cada quatro anos, não
é? Da mesma forma como o que é público. É que parece muito mais longe de nós do
que o buraco em nossa rua, é isso? Outro erro!

A posse nos cega mais do que um tapa olho! Na prática o que
realmente é nosso: uma matrícula, uma terra, uma casa, um prédio, um carro?
Legal! Mas sem luz, água, esgoto, gás, recolhimento de lixo, capina, limpeza,
segurança, posto de gasolina, mecânica, vale alguma coisa? Se a rua, o bairro,
a cidade e mais, as pessoas, estiverem um lixo, desvaloriza para todo mundo. Aí
outro erro!

Pensamos que quando alguém perde ou se complica o efeito é
restrito. Sei! Bom dia! Vamos acordar! Quando perde a cidade, perdem todos.
Assim como quando o vizinho é assaltado, o azar não é só dele, se podemos
chamar isso de azar!

Perdemos a consciência de que vivemos em uma comunidade pelo
simples fato de colocarmos uma chave na porta e termos o nosso conforto. O
resto que se lixe!

CAMPANHAS POLÍTICAS

Sempre há
soluções nessas épocas e críticas posteriores de quem perdeu. Sempre!
Descontinuidade é palavra de ordem, já que foi outro que fez. Sim, mas quem
pagou? Os idiotas de plantão travestidos de cidadãos? Reafirmo de novo: como
fomos deixar chegar a esse ponto? Culpa nossa!

Somos em
realidade uma sociedade de omissos! Essa a real! O senso cívico foi deixado de
lado em troca de vantagens pífias, bem de acordo com a natureza humana.

E as
eleições vêm, por que mesmo? Para que elejamos nossos representantes! Você se
sente realmente representado? E se sim, o que seu candidato fez antes de
assumir seu posto, durante e depois? Sabe? Lembra em quem votaste para prefeito
antes da eleição presidencial deste ano?

O sistema
mudou? Mudou o financiamento do sistema, que, ao contrário do que muitos
defensores da época diziam, cerceou ao invés de democratizar. E aí? Vamos
aceitar isso também ou vamos pedir a mudança desta lei ou até a extinção do
financiamento público e privado de campanha. Quem quer que se financie. Sei que
há um deputado gaúcho pleiteando isso! Demorou!

ATITUDES REMANESCENTES

Somos o
reflexo do que aprendemos e entendemos que seja correto ser. E quem nos
ensinou, sabia mesmo do que estava tratando?

Vivemos em
uma época de tanta informação e tão pouca reflexão. Há tanta redundância
desnecessária e com objetivos obscuros, assim como a burocracia excessiva, que
não nos dedicamos a analisar profundamente o sistema em si, somente seus
efeitos.

Mas antes de
mexer no sistema, precisamos analisar nossas crenças, mais focadas no coletivo
do que no individual:

– Só o
prefeito é responsável pela cidade ou também somos?

– Porque não
mudamos o pacto federativo alinhando mais recursos para os municípios, onde
todos moram e os serviços são realizados?

– Porque
entendemos que uma autoridade a é pelo simples cargo que tem e não por seu
trabalho?

– Ensinamos
nossos filhos a pensar coletivamente ou de forma individualista?

– Colocamos
o lixo no lixo?

– Adoramos
quando um vizinho tem um sucesso na sua vida ou ficamos perguntando, como
assim?

São algumas
questões simples que coloco pois necessitamos rever nosso papel em sociedade e,
principalmente, o papel que queremos para a sociedade e para os governos.

Estamos em um momento de inflexão importante e não podemos
deixar de lado os erros cometidos e as lições a aprender!

Há de se
consultar cada um a sua própria consciência e analisar se não cometemos mais
erros do que os políticos em cargos públicos. Será neste momento que a
sociedade começará a entender o seu real papel em todo esse sistema, que nos
deixou refém: somos os pagantes e merecemos respeito. Se não, perde a possibilidade
de servir antes de ser servido.

Uma
última
pergunta, não menos inquietante: se lhe oferecerem um carguinho com um
bom salário, sem fazer nada, aceitarias? Tudo começa com essa resposta!

César
Silva
é professor, escritor, consultor,
mentor – Head of Business
@cesarsilvasimplesmente, Professor/Tutor Externo IERGS/Uniasselvi, Conselheiro da Fenac S.A.


Artigo publicado no portal www.martinbehrend.com.br . Disponível em www.cesarsilvasimplesmente.com.br e www.inspirandorumos.com.br.

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