Médico de Novo Hamburgo parou para ajudar e quase foi linchado na rua

Há poucas semanas, já no período de Natal, um médico de Novo Hamburgo vivenciou uma situação que começou com um gesto de auxílio e atenção e quase terminou com um linchamento em via pública.

Eu recebi o relato de uma médica hamburguense, colega de trabalho, que também ficou assustada com as reações que ocorreram no episódio.

O CASO

O médico estava circulando na Rótula Syrio Brenner, em frente ao Centro Administrativo Leopoldo Petry – a Prefeitura de Novo Hamburgo. Ele vinha fazendo o contorno da rotatória, que faz parte do seu trajeto rotineiro.

Enquanto trafegava pela rótula, uma motocicleta também fazia o mesmo traçado – estando à frente do seu veículo.

Em determinado momento, o condutor da motocicleta se desequilibrou ao encostar na lateral da rótula. Em ato contínuo, o condutor e a moto caíram no asfalto. Foi uma queda motivada por uma desatenção do condutor da moto.

Diante do fato inesperado, o médico freou de imediato. Desembarcou do seu veículo e foi prestar socorro e assistência ao motociclista.

Ao se aproximar, percebeu que era um senhor com mais idade. O médico perguntou se estava tudo bem, se ele precisava de ajuda. A resposta do senhor, ainda de capacete, foi de agradecimento, que estava tudo tranquilo. Foi um diálogo absolutamente sereno entre eles, até porque o motociclista foi o causador da queda.

Diante da situação, com o senhor se recuperando, o médico começou a retornar para seu carro.

Foi nesse momento que passou a ouvir algumas vozes. Pedestres e pessoas que passavam por ali subiram o tom de voz contra o médico. Eram acusações de que ele estava fugindo, gritos ofensivos para ele socorrer o motociclista, que isso não iria ficar assim, que ele era o culpado. Outras pessoas já sacaram seus celulares de bolsas e bolsos para começar a filmar o “criminoso”

Ali, numa rotatória de grande visibilidade de Novo Hamburgo, um médico que parou para ajudar um senhor de idade começou a ser julgado e estava prestes a ser linchado – fisicamente e/ou moralmente.

Vendo que o médico estava acuado e assustado, o senhor tirou o seu capacete e passou a informar: “Ele parou para me ajudar! Ele parou para me ajudar! Eu caí sozinho”.

Após ouvirem a manifestação e percebendo que estavam erradas e equivocadas, as pessoas guardaram suas armas – celulares – e seguiram seus caminhos como se nada tivesse acontecido. Sem ressentimentos, sem pedido de desculpas. As julgadoras sumiram após quase mobilizarem pessoas para um linchamento completamente equivocado.

REFLEXÕES

Após o episódio, o médico fez suas reflexões sobre tudo o que tinha acontecido.

A primeira decisão é instalar uma câmera interna no seu veículo para que, em qualquer outro episódio, possa ter registrado o que verdadeiramente ocorreu.

E, a segunda decisão, é que ele vai avaliar com mais critério se, num acidente de trânsito, vai parar para ajudar – mesmo que ele não tenha qualquer relação.

Os segundos de tensão que ele viveu, sendo acusado, julgado e prestes a ser linchado por pessoas irresponsávei, foram intermináveis.

É apenas mais um caso de uma sociedade adoecida, agressiva e ávida por seus minutos de fama em rede social, com influencers e youtubers estimulando estas práticas diariamente.

PS: Eu sei que ocorrem casos em que motoristas envolvidos em acidentes fogem. Mas, para isso, existem investigações, câmeras, testemunhas, etc. O que não se pode é as pessoas decretarem um inocente como culpado e partirem para um linchamento.

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