Mataram um na frente do shopping? Foi um angolano? Esta é a sociedade que ignora e desvaloriza jornalistas

Recebi algumas mensagens por WhatsApp no começo da noite desta quinta-feira:

– “Está sabendo das mortes em frente ao shopping?”

– “Fiquei sabendo que um angolano foi baleado em frente ao
Bourbon.”

Depois, recebi prints de mensagens postadas no Facebook:

– “Tiroteio agora na frente do shopping. Um morto com três
tiros.”

– “Mortes em frente ao Bourbon.”

Tudo no Facebook. O mesmo Facebook onde uma candidata nas
eleições de Novo Hamburgo em 2016 matou um taxista ferido num acidente de
trânsito – o taxista sobreviveu, está vivo. A candidata afirmou no Facebook: “Ele
morreu”. E muitos repassaram a “informação”.

Em relação ao episódio desta quinta-feira, algumas pessoas estão publicando “revoltadas” no Facebook: “Cadê a imprensa
para noticiar essas mortes? Cadê os jornalistas para divulgar o tiroteio? Cadê
o jornalista que fala das árvores para informar sobre esse episódio? A imprensa
está desviando o foco!”

Sabem onde estava a imprensa e os jornalistas? Estavam
apurando os fatos. Estavam entrevistando testemunhas. Estavam checando as
informações. Estavam reunindo dados. Para produzir uma notícia. Não é algo
simples. Aliás, uma faculdade de Jornalismo é algo bem complexo.

A ocorrência quase em frente ao Bourbon Shopping envolveu
uma operação com integrantes do 2º DIN do
Departamento Estadual de Investigações sobre o Narcotráfico (Denarc). Eles
estavam monitorando a venda de drogas no município. E, no começo da noite desta quinta-feira, prenderam
dois homens em flagrante por tráfico de drogas em Novo Hamburgo. Foram apreendidos
100 comprimidos de ecstasy.

A cena do desfecho
ocorreu em frente ao acesso da Estação Novo Hamburgo da Trensurb. Houve tiros,
sim, mas tiros de alerta dos policiais e para furar pneus de veículos. Houve
tentativa de fuga e perseguição, mas não houve mortes. Não houve ambulância. O
trabalho da equipe do Denarc foi eficiente e bem realizado, após alguns dias de
monitoramente.

Ser jornalista não é para amadores. Nem para aventureiros do
Facebook. Ah, onde estavam os jornalistas que não noticiaram os tiros e as mortes? Estavam
apurando os fatos. Diferentemente das pessoas que publicam informações no
Facebook sem qualquer compromisso, o jornalista tem o compromisso com a
informação correta. É para isso que ele está preparado. O jornalista estava checando que NÃO HOUVE MORTES na ação policial.
Diferentemente do Facebook, que garantiu ter mortes…

Agora, é bom a sociedade estar preparada. A próxima vítima
de uma notícia equivocada ou de uma mentira pode ser seu filho ou sua filha.
Até porque, “eu li no Face…”

PS: Jornalista também erra. Jornalista também se equivoca,
pois é feito de carne e osso. Jornalista não é perfeito. Agora, seria bom a
sociedade saber dar mais valor ao trabalho do jornalista. Uma sociedade sem
informação de credibilidade ficará refém da anarquia, do caos, dos bandidos e
malfeitores. E sobre o Facebook, é uma BAITA ferramenta de divulgação de notícias. Aliás, o Portal Martin Behrend usa também esta rede social para divulgar notícias. E, não, mentiras ou achismos.

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