Lutero democratizou acesso à leitura. 500 anos depois, brasileiros seguem lendo quase nada

31 de outubro de 2017. Um dia histórico. 500 Anos da Reforma
Luterana. Em 31 de outubro de 1517, o monge Martin Lutero afixou na porta da
igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, as 95 Teses da Reforma. Foi o
ponto de partida para mudanças impactantes na humanidade – não somente na
igreja. Novos conceitos éticos, do protagonismo da mulher, do ensino e educação,
da alfabetização de crianças, da comunicação, da música e das artes.

Outro valioso legado de Lutero foi a democratização do
acesso à leitura.
Uma das suas maiores contribuições foi a tradução da bíblia
do latim para o alemão. Um trabalho hercúleo de anos. Lutero pretendia tornar a
interpretação dos textos mais acessível à população, tirando o monopólio da
leitura das autoridades da igreja. Com o auxílio da grande novidade tecnológica
da época, a prensa de Gutenberg, Lutero conseguiu multiplicar livros, folhetos
e textos. Com isso, o povo da Alemanha passava a ter acesso ao conteúdo até
então restrito.

Alguns pesquisadores caracterizam Lutero como o primeiro
marqueteiro da história. Ou de ser o criador do primeiro “viral”: a tradução da
Bíblia. É fato que a sua obra e a Reforma Luterana só prosperaram pela multiplicação
de textos, que logo conquistaram a simpatia dos alemães – e, mais adiante, de
outras nações. Mais do que nunca, a leitura se mostrou libertadora!

Hoje, 500 anos depois da Reforma Luterana, o que temos no
Brasil em relação à leitura? O diagnóstico é terrível. Segundo a pesquisa
Retratos da Leitura, divulgada em 2016, 44% da população brasileira não lê e
30% nunca comprou um livro. O brasileiro lê apenas 4,96 livros por ano –
desses, 0,94 são indicados pela escola e 2,88 lidos por vontade própria.
Do total de livros lidos, 2,43 foram terminados e 2,53 lidos em partes. 30%
dos entrevistados nunca comprou um livro. A Bíblia é o livro mais lido, em
qualquer nível de escolaridade.

Cada vez mais manchetes de Facebook, cada vez menos textos;
cada vez mais Snapchats, cada vez menos livros; cada vez mais vídeos editados e
fakes, cada vez menos um livro deitado na rede ou no deslocamento de trem.

Lutero ensinou há 500 anos que a leitura liberta. É tempo de
os brasileiros colocarem em prática esse grandioso legado do pai da Reforma.
Estamos em tempo de feiras do Livro em Porto Alegre, São Leopoldo e, no final
do mês, em Novo Hamburgo. Vamos seguir as lições de Lutero. Ele mostrou o
caminho e ensinou: “Am Anfang war das Wort” – No começo foi a palavra.

A
cobertura da Rádio União FM na Alemanha nos 500 Anos da Reforma Luterana é uma
apresentação de Socaltur Turismo Lufthansa City Center; patrocínio de Exatus
Contabilidade, Estofare e Instituto Ivoti; e apoio de Movitel Telefonia.

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