Jader está em Auckland, na Nova Zelândia

DE DOIS IRMÃOS PARA AUCKLAND


Convidado: Jader Alberto Konrath, 34 anos

De Dois Irmãos. Reside em Auckland, na Nova Zelândia

Filho de Ingret Beatriz Konrath e Ricardo Konrath.


Estudos

E.E.E. Fundamental 10 de Setembro e Escola de 1° e 2° Grau Afonso Wolf, em Dois Irmãos; Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Novo Hamburgo

Quando foi morar no exterior?

Em 26 de julho de 2008

Como surgiu a oportunidade?

Eu trabalhava no setor calçadista, em Dois Irmãos, já fazia quatro anos. Quem já trabalhou ou ainda trabalha sabe que não é fácil
ficar dentro de uma fábrica de calçados fazendo o mesmo trabalho – muitas vezes repetitivo, todos os dias por semanas
ou até meses.

Nesse período de quatro anos, meu primo Paulo Samuel Skonetzky perguntou se eu já tinha um passaporte. Eu disse que não tinha. Ele
respondeu: “Vamos fazer um, então”. E lá fui eu fazer meu passaporte. Até
então não tínhamos ideia do que viria pela frente.

Nesse momento, eu estava passando por alguns problemas de
saúde devido ao stress e ansiedade por causa do emprego. Aquilo que estava fazendo não era
o que eu queria.

Cerca de um ano depois de estar com o
passaporte, o Paulo veio com a ideia de sair do país. Eu pensei: capaz, que ideia louca! A ideia foi se aprofundando e a coisa começou a
se desenvolver.

Como eu vi que a coisa estava se
tornando real, fui procurar suporte com quatro pessoas que sabia que
iriam dar um bom conselho pelo conhecimento de vida de cada um: meu
primo Jorge Petters, o pastor Oscar Zimmermann, da Igreja Luterana de Dois
Irmãos, e, claro, os meus pais! Tive a resposta que precisava, e também o apoio dos meus pais.



Qual o primeiro destino?

Tínhamos como destinos de escolha Portugal, Irlanda e Nova Zelândia. Escolhemos Nova Zelândia.

Onde reside atualmente?

Atualmente moro em Auckland. Não é a capital, mas é a maior cidade da Nova Zelândia.



Qual sua atividade atual?

Eu trabalho no setor hospitaleiro. O restaurante se chama HeadQuarters, em Auckland. Sou Head Chef (chef de cozinha) do restaurante.

Com quem vive?

Moro com minha esposa, Thaiza, de São Paulo, e meus filhos: Sophie de 5 anos, Enzo de 4 anos e Stella de quase 3 anos.

Qual local sente saudades de frequentar na cidade/região?

Saudades… é o que nós mais sentimos estando longe de casa!

Eu sou uma pessoa muito família, não saía muito. Sinto falta de encontrar os amigos nos barzinhos e parques da cidade. Sinto falta de estar com meus pais e irmãos, Jeferson e Nubia, das minhas
sobrinhas e afilhadas, da casa de praia da minha avó, tios e tias e primos. Sinto falta de frequentar a Igreja Luterana de
Dois Irmãos, e dos Kerbs, onde você encontra quase todos seus amigos e faz aquela bagunça.

Para quem sai do país não é simplesmente
arrumar as malas e sair! Você vai estar abrindo mão de muita coisa,
praticamente de tudo o que você já viveu até então, o que não é fácil pra
muitos. E não foi fácil no meu caso.



Qual restaurante/comida/espaço gastronômico da região que sente falta?

Isso é engraçado. Hoje eu sou chefe de cozinha, mas não
sinto falta de muita coisa, não. Acho que a única coisa que vem na
memória agora seria o Xis com um guaraná.

A comunidade brasileira aqui é razoavelmente grande,
então, sempre tem alguém que faz algo diferente, tipo coxinha, risoles,
bolos de festa… E churrasco e feijoada, essas eu faço. E fica bom, viu!



Tem algum hábito/costume/rotina que levou da região para o exterior?

Sim! O tradicional chimarrão e o churrasco de domingo com os amigos não podem faltar!



Pensa em voltar para morar na região?

Pergunta difícil. Tenho vontade de voltar e também não tenho!

Tenho vontade de estar perto da família e amigos, mas
minha vida aqui já está encaminhada. Meus filhos têm a rotina deles na escola e creche. Eu tenho um bom trabalho. A segurança aqui nem se
compara com a do Brasil. Eu posso ficar despreocupado em sair à noite, posso usar meu celular na rua sem ter medo de que vão
tirar da minha mão. Em geral, posso ficar tranquilo sem ter aquele
medo de sair sem saber se vou voltar. Claro que todos os lugares
têm seus problemas, mas nada comparado com o
Brasil.

Qual atrativo ou destaque da cidade/região onde mora?

Não tem como citar. A Nova Zelândia é um país que você
pode estar na praia, num dia de sol lindo, e olhar pra trás e ver uma
montanha de neve.

Tem muitos esporte radicais disponíveis, e as paisagens
são de tirar o fôlego. O relevo e a geografia não deixam a desejar, a
vida marinha, as águas cristalinas, os parques… tudo é muito lindo.

No verão, vamos a praia parques e, no inverno, nós vamos esquiar. A variedade desse país é simplesmente ilimitada.




Qual ensinamento/lição que tem na sua atual cidade e que gostaria de ver sendo aplicada no Brasil?

Em primeiro lugar, a educação e o respeito pelo próximo. Acho que é o começo para um país de primeiro mundo!

As pessoas não poupam no “por favor” e “obrigado”
diariamente. Aqui é difícil de se ver o lixo jogado no chão das ruas ou
parques, porque as pessoas têm a noção de usar as lixeiras. Nos parques
ou praias as pessoas levam o mundo pra passar
o dia, e no fim do passeio o lixo gerado vai todo junto pra casa para ser
disposto na lixeiras.

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