O desabastecimento de anestésicos e de outros medicamentos utilizados para intubação de pacientes com Covid-19 é uma das principais preocupações das autoridades e profissionais da saúde em quase todo o país.
Essa angustiante realidade foi tema de reunião, nesta quinta-feira (18), entre representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de entidades que representam o setor de hospitais privados e da Associação Médica Brasileira (AMB).
De acordo com as entidades, há um déficit importante no estoque destes medicamentos em todo país. Para reverter este cenário, a Anvisa tem adotado medidas de flexibilização para que esses insumos sejam disponibilizados aos serviços, sem prejuízo de sua eficácia, qualidade e segurança.
HOSPITAL REGINA
O Hospital Regina, de Novo Hamburgo, é uma das instituições afetadas por essa escassez de medicamentos.
A reportagem do Portal Martin Behrend teve acesso ao “Ofício Desabastecimento de Medicamentos”. O documento é assinado pelo diretor técnico no hospital, Antônio de Oliveira Lopes, e pela diretora executiva, Gisele Albaneo, e tem a data de 18 de março.
No texto, consta que o hospital “recebeu na data de hoje a notícia do cancelamento de entregas já programadas pelos fornecedores de alguns medicamentos anestésicos, sedativos e relaxantes musculares.”
Mais adiante, o texto menciona o estoque da instituição e comunica que “somente serão realizadas as cirurgias e procedimentos dos pacientes em atendimento no Hospital (emergência ou internados” com características de gravidade. Ainda, permanecem inalterados os agendamentos de partos.
O comunicado finaliza dizendo que “Tal medida se faz necessária em razão do gravo momento que estamos vivenciando com o aumento exponencial de pacientes críticos internados”.
HOSPITAL CENTENÁRIO
Em São Leopoldo, o único hospital da cidade passa por situação parecida
O estoque baixíssimo de medicamentos analgésicos, anestésicos e relaxantes musculares para tratar pacientes internados em leitos de UTI e leitos clínicos no Hospital Centenário, bem como para pacientes em leitos clínicos na UPA Zona Norte e no Centro de Saúde da Feitoria, fez a Prefeitura leopoldense requisitar às clínicas veterinárias, farmácias privadas ou mesmo outros estabelecimentos que possam dispor de estoque de medicamentos usados para garantir a sedação dos pacientes.
Para a presidente do Hospital Centenário, Lilan Silva, a falta de medicamentos pode trazer consequência aos pacientes. “É uma ameaça real. Estamos operando no limite com estoque praticamente zerado, a falta destes medicamentos nos obriga a usar alternativas de tratamento não tão confortáveis para o paciente. Fizemos uma compra de dez mil ampolas e o laboratório não nos entregou ainda”, relatou.
Segundo ela, a quantidade utilizada de anestésicos e sedativos no Bloco Cirúrgico durante um ano, por exemplo, é a mesma utilizada em dez dias na Área Covid
